Reciclando atitudes

enquanto há tempo...

Berenice Gehlen Adams

 

O comportamento humano em relação a sua interferência "negativa" ao meio ambiente já era assunto em 1755 quando o filósofo Rousseau cita que "a capacidade de perfectibilidade torna o homem, com o tempo, tirano de si próprio e da natureza". Evidenciando, em suas citações filosóficas uma preocupação em relação aos malefícios gerados ao meio natural pelos seres humanos, Rousseau se revela como o primeiro "ecologista".

Hoje, em pleno ano 2.000, as pessoas, em sua maioria, mantém um comportamento de desrespeito e descaso para com os ambientes naturais. Isto torna-se notório na época de verão, pois propicia maior contato das pessoas com os ambientes naturais. Por onde quer que passem, deixam um rastro de lixo: nas estradas, nos parques, nas praias.

É preciso que sejam criados novos mecanismos de conscientização da população sobre a importância da boa relação que deve haver entre a sociedade e seu meio natural. É preciso alertar, sempre, quanto aos malefícios do lixo industrial, da poluição, dos desmatamentos, do uso indiscriminado dos recursos naturais não renováveis, do desperdício de energia elétrica e da água. É preciso incentivar atividades culturais ambientalistas, não para condenar as atitudes humanas, mas para começar um novo processo de ver e viver o mundo. Todos podemos e devemos ser ecologistas pois somos parte da biosfera. De que adianta conquistarmos a Lua, o Universo, quando não nos interessamos em cuidar da Terra? De que adianta todo avanço da ciência e da tecnologia se pouco contribuem para o bem estar do planeta? De que adianta tantas invenções que contribuem para o aumento do lixo que produzimos? De que adianta tanta praticidade na vida se o preço é a destruição de ecossistemas.

A natureza é tão bela e poderosa que não precisa do homem para viver, ao passo que o homem não vive sem a natureza. Então, para que continuar a desrespeitá-la se ela é responsável por estarmos vivos?


Textos extraídos da internet

Brasil: 500 anos

de destruição

 

Este texto é de responsabilidade do Sr. Celso Heredia.

Foi publicado no Jornal Serra da Cantareira e disponibilizado no Website de Mairiporã. http://www.mairipora.com.br

 

Às vésperas do ano 2000 ainda presenciamos a ignorância e o instinto primitivo de destruição que sobrevivem impunemente no desrespeito às leis dos homens e da natureza

A Serra da Cantareira, cinturão verde de São Paulo, é também Reserva da Biosfera e foi tombada pela UNESCO como Patrimônio da Humanidade. Situada na Serra da Mantiqueira, é hoje um pouco do que ainda resta do manto verde das florestas tropicais que cobriam o Brasil na época do seu descobrimento. São praticamente quinhentos anos de destruição, saques e depredação do meio ambiente, gestos criminosos que até hoje, às vésperas do ano 2000,continuamna impunidade. Não está na hora de um consenso geral das autoridades para que urgentemente. se tome providências legais e efetivas no sentido de preservar as poucas áreas verdes que ainda restam, já que é cada vez maior a consciência da vital importância do ecossistema para a sobrevivência do planeta e consequentemente dos seres que nele habitam?

Descaso e ignorância

É gritante o descaso das autoridades para com o meio ambiente. E mais gritante ainda tem sido o desrespeito dos próprios cidadãos, que continuam destruindo as matas com cortes indiscriminados de árvores, com queimadas irresponsáveis que destroem não só a flora como também a fauna, já tão escassa. No lugar delas o que vem? Seca nos campos, poluição nas cidades, nas águas e no ar. A lembrança do que houve em Roraima, é recente, um crime que, sem dúvida, apesar das aparências, continuará impune pela lei dos homens. Não pelas da natureza. Muito desses incautos destruidores, que só vêem o próprio umbigo, incapazes de olhar à volta e de pensar no futuro em outros termos que não seja o financeiro, destroem grandes áreas implantando loteamentos de forma ilegal, que prejudicam mananciais e, a médio prazo, acabam gerando prejuízos incalculáveis ao ecossistema, Mas continuam na impunidade que parece ser de praxe no país.

Lixo e Omissão

Tão ignorantes quantos os desmatadores são aqueles que despejam toneladas de lixo nos rios e nas margens das estradas que atravessam as matas, transformando a bela paisagem natural em um caminho sujo, que entristece os olhos e o coração dos mais conscientes. Além disso, revelam a própria falta de educação e pobreza de espírito.
A Serra da Cantareira, vem sofrendo de modo devastador os efeitos desse comportamento depredatório. Basta olhar à nossa volta. Comece a observar as montanhas de lixo atirado nas margens das estradas de acesso à região, como a Santa Inês, a Sezefredo Fagundes, a Av. Serra da Cantareira, Fernão Dias. Até cadáveres têm sido encontrados por ali. Isso sem falar nos montes de lixo também jogados dentro das matas, invisíveis a quem passa ao largo.
E o que faz o poder público além de receber salários polpudos, desfrutar de mordomias e cobrar altos impostos? Vista grossa, senão conivência. Justamente aqueles que são pagos para zelarem pelo patrimônio de todos. Quanto à palavra "preservação", não consta de seus dicionários, ao menos em relação ao que não diz respeito aos "patrimônios particulares". Eles deveriam trabalhar pela conservação, com programas educativos e atitudes práticas. Mas não o fazem. Assim, os mais abnegados de algumas comunidades estão começando a tomar atitudes, organizando mutirões de limpeza, campanhas ambientais e, com recursos próprios, resolvem temporariamente o problema. Um semana depois, porém, lá está novamente um monte de lixo. Você não se sente responsável por isso? Até quando?

No Portal do Futuro

O Brasil vai completar 500 anos de uma espoliação em todos os níveis iniciada logo após seu descobrimento. Uma data que se completa no ano 2000, às vésperas da nova era, cujas mudanças radicais já dão sinal de ocorrência. A Terra toda está reagindo, basta ver os vulcões, o El Niño e suas conseqüências temíveis. Mas ainda está nos dando uma chance. Enquanto isso, o Brasil, tão grande, que tem atraído os olhos do mundo como o país do futuro, continua sofrendo pela violência de seus habitantes. O futuro está aí, bem na nossa porta. Só depende de nós não sermos atropelados pelos nossos atos.

 

DESMATAMENTO E QUEIMADAS

JORGE GLAUCO

O ato de desmatar e queimar, no passado, pode ter sido uma necessidade, porque os pioneiros, os desbravadores, os colonizadores desta terra, tinham necessidade de espaço e boas terras para plantar e viver. O único conhecimento - tecnologia-agrícola disponível na época era o existente na Europa, desmatar, queimar, arar, plantar, cuidar e colher. Hoje as coisas mudaram muito, a tecnologia disponível permite outro tipo de tratamento a ser dado aos recursos naturais. Além disso, boa parte da população do mundo está conscientizada que não é mais possível degradar impunemente a natureza e o meio ambiente. Hoje, isto é um crime ecológico e ambiental.

Desmata-se atualmente para aproveitar as madeiras de boa qualidade, até vendê-las a preços baixos para o exterior, como fazem os índios do sul do Pará, que têm uma verdadeira indústria de "aproveitamento" do mogno - madeira especialíssima; têm, carros, caminhões pesados, rádio para se comunicarem entre si e, até mesmo avião. Todos desmatam, ninguém replanta e, dessa forma as matas e suas espécies nobres desaparecem. De tanto derrubar o pau-brasil, e não replantá-lo, hoje a espécie é considerada rara, em extinção.

Desmata-se para construir loteamentos, condomínios, habitações de uma maneira geral. Ocupado o espaço pelas casas, as árvores derrubadas não são replantadas. Nos condomínios e prédios de luxo, no máximo, plantam um pouquinho de grama, coqueirinhos ornamentais, algumas flores e pronto. As espécies derrubadas, afastadas para dar lugar as habitações, desaparecem.

Aqui não tratamos apenas de espécies de madeira nobre e de grande valor. Tratamos de todas as espécies, porque as de maior valor precisam das outras de menor valor para viver. Na verdade, as espécies precisam uma das outras, assim como o pé de cacau precisa da cabruca ou da eritrina e da bananeira.

Desmata-se por vários outros motivos, para fazer papel, papelão e, até mesmo, para fazer carvão vegetal, que é utilizado em algumas indústrias, e as espécies derrubadas não são repostas. Encontramos, muitas vezes, florestas artificiais, também, conhecidas como florestas industriais, que são plantações homogêneas, de uma única espécie, normalmente de eucalipto ou de pinho. Estas sim, são replantadas para manterem o suprimento de matéria-prima para indústrias de papelão, celulose e em alguns casos, para produção de carvão vegetal. São florestas onde não há vida animal, chamadas também de florestas silenciosas, onde não se ouve o canto dos pássaros, por absoluta falta deles, nem mesmo uma simples e solitária minhoca, é encontrada no solo desse tipo de floresta.

Mas não é dessa floresta que nós nos referimos. Tratamos aqui das matas e florestas nativas, próprias de cada região. As conseqüências desse desmatamento são muito graves, principalmente para os cursos d'água - rios, riachos etc. A falta da vegetação, não somente de árvores, falamos da vegetação como um todo, falamos da cobertura natural do solo, que vai desde a grama, do capim, dos arbustos, até às árvores de grande porte.

O desmatamento causa o assoreamento dos rios. Assorear significa, neste caso, aterrar os rios. Quando chove, o solo precisa de algum tempo para absorver e guardar a água. A cobertura vegetal é que proporciona este tempo, e as águas que não são absorvidas, as águas que não se infiltram no solo, caminham lentamente para os cursos d'água. Quando a cobertura vegetal é retirada, as águas correm com muita rapidez para seu destino, sem tempo para serem absorvidas, formando uma enxurrada, levando na torrente a terra e o "húmus", diretamente para os rios. Desta forma são perdidas toneladas de solo, que se depositam no fundo dos rios, tornando-os assoreados, aterrados. Os rios ficam mais rasos, dificultando a navegação e, como ficam mais rasos, comportam menos água e como as águas chegam a ele com maior rapidez e volume, acontecem as enchentes, por vezes arrazadoras.

Além disso, os solos ficam cada vez mais pobres, sem "húmus", tendendo a infertibilidade, necessitando cada vez mais de adubos químicos que serão levados para o rio na próxima chuva, contaminando-o e matando os peixes que são necessários também para a alimentação do homem.

Por outro lado, os desmatamento causam problemas sérios, também, quanto a diversidade da vida, conhecida por biodiversidade, além de problemas para a fauna, com a perda de seu habitat.

As queimadas destroem a cobertura vegetal, calcinam - cozinham - o solo tornando-o cada vez mais infértil. Aliás, este processo de desmatamento e queimada, que caracteriza a abertura de um novo espaço para plantar, já era praticado pelos índios quando os colonizadores aqui chegaram.

Este processo de plantio, chamado de agricultura de coivara, processo rudimentar de utilização do solo, por esgota-lo com rapidez, exigia que os plantadores se deslocassem para uma novo espaço e assim, sucessivamente deixando a marca de destruição. A fumaça além de denunciar a ação incorreta, polui a atmosfera trazendo por esta via, novos e desagradáveis fatores de poluição ambiental.

É pois necessário difundir o conhecimento a respeito dos incovenientes dos desmatamentos e das queimadas, considerando que o desvalor dos recursos naturais e as agressões a natureza são atitudes e ações, já arraigadas na cultura brasileira, que são praticadas irresponsavelmente, sem maldade, por falta de esclarecimento e, às vezes, por necessidade.

É necessário, ao transmitir o conhecimento, apresentar alternativas de procedimentos e estas alternativas são encontradas nas práticas conservacionistas.

 

LIXO

JORGE GLAUCO

O ser humano é um grande produtor de lixo. A sociedade moderna produz toneladas de lixo. As indústrias produzem lixo de toda tipo, até mesmo o lixo tóxico. Um grande problema para os administradores das cidades, particularmente, das grandes cidades, é o que fazer com o lixo.

Os problemas do esgotamento sanitário, do transporte e disposição final do lixo e da qualidade da água estão intimamente ligadas com a saúde da população. Não se pode procurar resolver, ou pelo menos melhorar, as condições de saúde do cidadão ou dos habitantes de uma cidade, sem que se equacione, em primeiro lugar, os problemas de infra-estrutura sanitária, ou seja, que se equacione os problemas da captação e tratamento da água, do transporte e disposição final do lixo e do esgotamento sanitário.

Agora, trataremos, apenas, do lixo. Temos o lixo domiciliar, o industrial e o hospitalar.

O lixo chamado domiciliar, inclui o dos bares, lanchonetes, restaurantes etc., das repartições públicas, das lojas, dos supermecados e feiras, do comércio de uma maneira geral e, naturalmente o de nossas casas.

O lixo e os resíduos industriais são os produzidos pelas indústrias e têm características peculiares, a depender das matérias-primas utilizadas. Pode ser perigoso, pode ser até mesmo tóxico e, por isto mesmo, não pode ter sua disposição final no mesmo local do lixo domiciliar.

O lixo hospitalar, por sua peculiaridade, pelas múltiplas possibilidades de transmitir doenças dos hospitais, além de ser transportado em veículos especiais, também, como o lixo industrial, deve ser disposto em local apropriado.

O lixo, como se vê, tem uma íntima ligação com a qualidade ambiental. O tratamento inadequado destes vários tipos de lixo pode comprometer o meio ambiente e se tornar um foco de doenças de todo tipo.

O lixo é um produto descartável de uma transformação, mas não é ainda um produto final. Ele ainda pode passar por um processo de seleção e transformação, pode ser reciclado e reaproveitado. Podemos dizer, com certeza, que existe um lixo que não é lixo, ele é muito rico e, em nossa sociedade de desperdício, é muito mais rico do que se pensa.

Antes de exemplificarmos este tipo, temos que ressaltar, com muita ênfase, que ele deve ser colocado em lugar certo e muito bem escolhido. É comum, nas pequenas cidades, jogar o lixo nos cursos d'água e nas beiras de estrada tudo que pensamos que não presta, até mesmo animais mortos são jogados no rio ou deixada à margem das estradas. Isto é um tremendo erro.

O local para a disposição final do lixo, como dissemos, deve ser muito bem escolhido, - tecnicamente escolhido. É preciso um estudo envolvendo diversas áreas de conhecimento para verificar, por exemplo, quanto a impermeabilidade do solo, se está bem distante dos cursos d'água, se está bem distante do ponto de captação de água, vilas, povoados etc. São critérios que necessitam ser obedecidos com muito rigor.

O solo precisa ser impermeável, para que o "chorume", líqüido que sai do lixo quando tem início sua decomposição, não se infiltre no solo e venha a contaminar as águas subterrâneas, os rios, as represas etc.

Normalmente em nossas casas jogamos no lixo resíduos de comida, cascas de legumes, verduras estragadas, garrafas, vidros, embalagens de plástico, latas e tudo mais que é velho e considerado imprestável, como panelas, peças de madeira e muitas outras coisas mais. As lojas, repartições públicas, escritórios etc., também jogam no lixo, papel, papelão, caixas de papelão, papel picado, jornais, revistas, embalagem das mais variadas, sacos plásticos etc. Pois bem, pensamos que estamos dando a esses objetos um destino final e, estamos dando mesmo, pois na grande maioria das cidades brasileiras não há coleta seletiva do lixo.

Este lixo, aparentemente lixo, que na verdade não é lixo, pode ser coletado seletivamente e todo ele ser reaproveitado. O lixo orgânico, como os restos de comida, cascas de legumes, vegetais, folhas etc., se embaladas e coletadas separadamente, pode ser transformado em adubo orgânico e ser utilizado nas plantações. As garrafas, as embalagens de plástico, as latas, o papel, o papelão se, também, embalados e coletados separadamente podem ser reciclados, e reaproveitados.

Assim, por exemplo, as embalagens de plástico, praticamente indestrutíveis pelo tempo, podem, por processos físico-químicos e a elevada temperatura, serem transformadas em lingotes de plástico, extremamente rígidos, de durabilidade indeterminada, não enferrujam, não apodrecem. Estes lingotes, podem ser cortados como os troncos de árvores e serem aproveitados como tábuas, moirões de cerca, podem ser utilizados substituindo a madeira na construção civil etc.

As embalagens de vidro, também, por processos físico-químicos e a elevadas temperaturas podem ser reaproveitadas, como vidros, com as mesmas ou outras finalidades. Assim se passa, com as embalagens de alumínio, como as latinhas de cerveja e refrigerantes, que podem, após reciclagem, serem transformadas em panelas de alumínio, por exemplo. O mesmo acontece com o papel, papelão e tecidos.

No caso do reaproveitamento do plástico, do papel e do papelão, imaginem quantas árvores seriam poupadas. Assim se passa com todo tipo de material que pensamos ter alcançado, seu fim de vida, e que na verdade apenas cumpriu um estágio de sua utilização.

Quanto ao lixo hospitalar e industrial, são necessários cuidados muito maiores, tanto na separação, na coleta como na escolha do local para sua disposição final.

De qualquer forma e situação, mesmo quando colocado em local adequado, o lixo não pode ficar exposto ao tempo, a céu aberto. Existem técnicas especialíssimas para o trabalho e tratamento dos depósitos de lixo, que quando operados corretamente são chamados de aterros sanitários e conhecidos como lixões quando o lixo é depositado em qualquer lugar e sem nenhm cuidado.

Os procedimentos de coleta e disposição final do lixo de forma adequada além de serem imprescindíveis na proteção do meio ambiente e na manutenção de uma boa qualidade ambiental, têm reflexos positivos na saúde da população, além de gerar expressiva economia de recursos naturais finitos, gerar novas tecnologias e novos empregos.

 

OS MARES E OCEANOS

JORGE GLAUCO

 

É comum considerarmos as grandes massas líqüidas, oceanos e mares, que ocupam dois terços do globo terrestre, como vias de comunicação, e indevidamente como um grande, um enorme, um gigantesco depósito universal de lixo de toda ordem, inclusive de lixo nuclear. Os mares também são considerados pelo seu potencial turístico e de lazer de suas praias.

São ainda, considerados como fornecedores de alimentos, já conhecidos e utilizados como os peixes, crustáceos e algas que suprem as necessidades proteicas de boa parte da população mundial, empregando mão-de-obra especializada e suprindo promissora e florescente indústria de alimentos.

Porém os oceanos e mares devem ser conhecidos, considerados e protegidos por serem, também, grande fonte produtora de oxigênio, elemento indispensável para a vida do homem, da fauna e flora terrestre e da própria fauna e flora marinha.

O processo de produção do oxigênio no oceano funciona interligado a questão da diferença de aquecimento, pelo sol, entre as massas líquidas e continentais. Pela manhã a brisa que sopra do continente para o interior (vento Terral que tão bem sabem aproveitar os pescadores e os surfistas mais experientes) leva o gás carbônico (CO²) para os oceanos. Lá o carbono (C) do gás carbônico é assimilado pelas algas e animais (fitoplancton e zooplancton) entrando na cadeia alimentar, até chegar a formar as conchas, carapaças de moluscos, etc.... Com isto o ar se purifica, o oxigênio fica bom para se respirar. Do CO² fica só o O² (oxigênio) já que o carbono (C) fica com os seres aquáticos. Ao final da tarde o oxigênio puro chega ao continente pelos ventos que sopram do mar para o continente, o vento que traz os pescadores.

Além disso, é do conhecimento de poucos, os oceanos encerram um potencial muito grande em recursos minerais, energia e alimentos, ainda não explorados embora já conhecidos pelo Ser Humano. Aliás dos recursos minerais do fundo do mar, o mais conhecido e explorado, é o petróleo.

Muitos outros recursos minerais já conhecidos e utilizados e retirados da parte emersa, jazem no fundo do mar a espera de tecnologia, oportunidade e processo mais econômico para sua prospecção, exploração e transporte. Lá se encontram o minério de ferro, o manganês, o nióbio, o zinco e o estanho, dentre vários e muitos outros.

O fundo dos oceanos, apresenta uma topografia semelhante a das partes emersas. Existem elevações, cadeias de montanha, planaltos, planícies e depressões. Até mesmo vulcões, são encontrados no fundo do mar.

A cobertura vegetal desse relevo marinho é bastante relevante, exuberante e ainda pouco poluída. As pesquisas dessa cobertura estão em estágio bastante avançado e as perspectivas de seu aproveitamento econômico são bastante promissoras.

As possibilidades de alimentos, além das já conhecidas são bastante promissoras, ainda em fase de pesquisa, é como se fora uma espécie de reserva de recursos alimentares que poderá ser utilizada quando os alimentos produzidos em terra não forem suficientes para alimentar a sempre crescente população do planeta. Em virtude dessas possibilidades as grandes potências mundiais disputam a primazia para a exploração oceânica e investem grandes somas de recursos em pesquisa marinha.

Com visão do futuro, disputa-se e discute-se a soberania sobre o mar territorial de duzentas milhas da costa, tese arguída e sustentada pelo Brasil nos organismos internacionais. O Brasil pediu o direito de 200 milhas à comunidade internacional mas realizou muito pouco das pesquisas que deveria. Agora corre o risco de perder este direito.

Ademais temos que considerar as possibilidades energéticas, da força das ondas e das marés. Na França já existe um funcionamento uma usina maré motriz, que aproveita o fluxo e o refluxo (a diferença de nível, entre a maré alta e maré baixa), para gerar energia.

Na costa brasileira, existem pontos propícios para este tipo de empreendimento, como no Maranhão, nas proximidades do porto de Itaquí, onde a diferença de nível entre a maré alta e baixa chega a onze metros. Este aproveitamento exige, ainda muita pesquisa e muitos recursos para que se torne economicamente viável.

Podemos então considerar os oceanos e os mares como sendo o ambiente que dispõe de reservas, não tocadas, de alimentos e recursos minerais que poderão atender, em parte, as necessidades da humanidade.

Podem essas grandes massas líqüidas continuarem servindo como o mais barato meio de comunicação e transporte entre os continentes.

Podem, ainda, se utilizados racionalmente seus recursos, continuarem fornecendo, como fazem há séculos, peixes e crustáceos e continuarem sendo a grande fonte geradora de oxigênio.

Da boa e racional utilização desses recursos e do comportamento social e coletivo de nossa geração, também, depende a possibilidade de continuarmos usufruindo, nesta latitude tropical, das praias e todo seu cenário deslumbrante, legado de natureza para nosso lazer.

Dois grandes perigos ameaçam o meio marinho, ambos ligados a atuação predatória do Ser Humano contra a natureza, em sua ânsia de ganhar tudo, no mais curto espaço de tempo. O primeiro deles é o comportamento do ser humano, utilizando sem reservas e precauções os recursos naturais, lançando no ar gazes tóxicos, fumaça e principalmente o CO2 . Estes gazes, inclusive os oriundos das queimadas, provocam o efeito estufa, elevando a temperatura na face da terra a níveis insustentáveis, causando dentre outros inconvenientes, o degelo do Polo Sul e do Polo Norte. Este fato ocorrendo causará o aumento incontrolável do volume dos mares e oceanos, produzindo uma catástrofe ainda não dimensionada, porém previsível. Cidades inteiras desaparecerão

O segundo perigo é representado pela continuada utilização dessas massas líqüidas como depósito de lixo do universo, causando a contaminação das águas salgadas, o que, sem dúvida acarretaria um outro tipo de problema para a sobrevivência da humanidade. Devemos lembrar que toda poluição jogada nos rios em última instância vão parar no oceano. Além dos lançamentos diretos via emissários submarinos (TIBRÁS, PÓLO PETROQUÍMICO, SALVADOR - leva esgoto). O lixo nuclear (atômico) que é muito perigoso e ninguém sabe o que fazer, jogam nas partes profundas do mar. Por este tipo de ação do Ser Humano é que em Salvador todas as praias estão poluídas e muitas impróprias para o banho de mar (Pituba, Rio Vermelho, Terceira Ponte, Ribeira, Itapagipe, etc...)

Além destes dois grandes problemas existe também a pesca predatória. A pesca predatória é aquela que compromete a sobrevivência de todos os seres do mar. A rede de malha fina pega indistintamente peixes grandes e pequenos, peixes que muitas vezes não servem para vender e que depois de mortos são jogados fora. Mais cruel ainda é a pesca com bomba. A bomba mata todos os seres aquáticos, dos menores aos maiores, que estiverem próximos. São peixes que muitas vezes não servem para vender pois estão destroçados. Os pescadores que praticam este tipo de pesca declararam guerra ao mar, na verdade eles estão destruindo seu próprio meio de vida. Não devemos comprar peixes capturados por este tipo de prática.

Decorre daí, uma vez mais, a necessidade de, enquanto esta geração dispõe de tempo, conscientizar as pessoas quanto a utilização sustentada dos recursos naturais. Utiliza-los de maneira consciente e equilibrada, cuidando para que não seja rompido o frágil equilíbrio dos elementos naturais, o quais, sem a interferência predadora do homem, vivem em perfeita harmonia e interação.

É conveniente lembrar, que conservar a natureza não é deixa-la intocada, não é deixar de utilizar os recursos propiciados por ela; trata-se de utilizar os recursos naturais com racionalidade, competência e comedimento, repondo e/ou recompondo o que for possível, pensando sempre que temos o dever de legar às gerações futuras, meios para que possam atender às suas necessidades, como nós atendemos as nossas.

Textos extraídos da internet.


Projeto Apoema - Educação Ambiental

www.apoema.com.br