Projeto Apoema - Educação Ambiental 

(Antigo Projeto Vida - Educação Ambiental)

 

M E I O - A M B I E N T E

Textos e Conferências

 

Planeta em agonia

REVISTA ISTO É Nº 1579 – 5 de janeiro de 2000

Desertificação, poluição, aumento da temperatura, furacões. Os efeitos do descaso

com a natureza tendem a se agravar.

CRISTIANE CORREA

 

 

Quando o assunto é meio ambiente, os prognósticos para os próximos 100 anos são alarmantes. Não se trata apenas de exagero dos ambientalistas. A preocupação com o desenvolvimento sustentado ganhou espaço em universidades, governos e grandes empresas. Finalmente percebeu-se que, se há um limite para o crescimento das atividades do homem na Terra, essa linha divisória é justamente o modo como o ser humano interage com a natureza. Haverá água para todos? Comida? Qual será o efeito do superaquecimento global? Devem ser estabelecidas barreiras comerciais ou penalidades para países que agridem o meio ambiente? As perguntas proliferam e as respostas são nebulosas. "A verdade é que ninguém sabe exatamente o que pode acontecer, mas se cruzarmos os braços e esperarmos para ver será tarde demais", avisa o professor John Holdren, da Universidade de Berkeley.

 

Desde os anos 50 a economia mundial praticamente quintuplicou seu tamanho. Quase metade dos seis bilhões de habitantes do planeta hoje vive em cidades e o mundo moderno, que trouxe a tecnologia, definiu novos padrões de comportamento. Essas transformações foram ainda mais intensas nos paí-ses ricos e carregaram a tiracolo o impacto ambiental. Desmatamento, alto consumo de energia e poluição são os mais visíveis. Nos países subdesenvolvidos, a situação não é melhor. A pobreza é um poderoso inimigo que põe em risco os recursos naturais renováveis, como solo e água. Some-se a isso o crescimento da população, que deverá atingir nove bilhões de habitantes até o ano 2050. O cientista Holdren não tem dúvidas de que esse cenário vai criar situações bastante adversas. "Até 2010 ou 2015 o clima terá mudado tanto que a maioria das regiões do planeta já terá sido afetada." O leque de consequências será variado: de tempestades e furacões mais constantes e intensos à diminuição do potencial da agricultura e da pesca, incluindo a disseminação de doenças tropicais. Holdren cita ainda o exemplo do índice de calor (combinação de umidade e temperatura) de Washington, que deverá aumentar consideravelmente. Nos últimos 30 anos esse índice foi de 29,4oC. A expectativa, no entanto, é de que alcance 35oC em 2010 e 40,5oC em 2025.

Mas se ninguém ficará livre dos perigos, o que poderá acontecer no Brasil? Segundo o biólogo João Batista Drummond Câmara, gerente de resíduos do Ibama e Coordenador do Global Environment Outlook Report Relatório da UNEP (United Nations Environment Programme), os principais problemas ambientais que o País vai enfrentar são os seguintes:

1. Perda de biodiversidade, principalmente pelo desmatamento contínuo em praticamente todos os ecossistemas.

2. Contaminação do solo e água pelo uso indiscriminado de agrotóxicos.

3. Assoreamento de cursos d’água pela agricultura inadequada e inundações severas em cidades e áreas rurais.

4. Redução de disponibilidade de água potável.

5. Aumento local da temperatura. O Brasil, assim como os demais países que possuem urbanização intensa na região costeira, sofrerá com a elevação da temperatura estimada entre 1oC e 3,5oC até o ano 2100, devido ao conhecido efeito estufa.

6. Contaminação do ar e aumento de perdas econômicas resultantes de queimadas e incêndios florestais em larga escala, causando problemas de saúde pública (respiratórios e alérgicos), interrupção freqüente de fornecimento de energia elétrica e outros problemas comuns durante os períodos de queimadas, principalmente no cerrado e na região da Amazônia.

7. Desertificação intensa em áreas de solo frágil que estão sendo destruídos pela expansão da soja, especialmente na Bahia, no Piauí e no Tocantins.

8. Aumento da contaminação ambiental de áreas urbanas, por deposição inadequada de resíduos sólidos (domésticos, industriais e hospitalares) e devido aos poucos investimentos públicos e privados em programas de reciclagem em relação à produção total de resíduo no País.

A situação é tão preocupante que as grandes empresas se renderam aos apelos ambientais e começaram a se movimentar. Ninguém quer ter a sua imagem associada à degredação da natureza. Um recente consórcio formado por gigantes como Volvo, Monsanto, Unilever, Electrolux e Deutsche Bank retrata a batalha que atualmente se trava na busca de estratégias sustentáveis. Segundo pesquisas dessas companhias, é opinião corrente entre líderes industriais e a comunidade financeira que o meio ambiente será a principal preocupação mundial num prazo não maior que 15 ou 20 anos. Assim, quem está engajado em projetos de crescimento sustentável para o futuro pode sentir no bolso o que isso representa hoje: uma sensível valorização de suas ações. Outro ponto é a receptividade do mercado. Aos poucos os consumidores começam a procurar os chamados "produtos verdes", que provocam menor impacto ambiental, mesmo que isso implique em preços mais altos (entre 5% e 15%). Um exemplo é o que acontece na maior área de negócios da Electrolux, a Linha Branca/Europa. Os produtos "verdes" responderam por 10% das vendas da empresa em 1997, naquele segmento. Leif Johansson – presidente da Volvo e do consórcio, explica que a conscientização dos consumidores pode ser percebida principalmente em regiões como Escandinávia, Alemanha, Suíça e costa leste dos Estados Unidos, mas a tendência é se espalhar cada vez mais. "Em países como a Itália, por exemplo, em que a população não era nada ‘verde’, agora há muito mais preocupação", garante.

 

CONFERÊNCIA INTERNACIONAL SOBRE MEIO AMBIENTE E SOCIEDADE: EDUCAÇÃO E CONSCIÊNCIA PÚBLICA PARA A SUSTENTABILIDADE

 

8 A 12 de dezembro de 1997 – Thessaloniki/Grécia

OBJETIVO E JUSTIFICATIVA

Apresentar o Documento Brasileiro "Brasilia Declaration on Environmental Education" na Conferência Internacional sobre Meio Ambiente e Sociedade: Educação e Consciência Pública para a Sustentabilidade, em Thessaloniki, Grécia, no período de 8 a 12 de dezembro de 1997.

A Conferência, organizada pela UNESCO, teve os seguintes objetivos: reconhecer o papel crítico da educação e da consciência pública para o alcance da sustentabilidade; considerar a importante contribuição da educação ambiental; fornecer elementos para o futuro desenvolvimento do programa de trabalho da Comissão de Desenvolvimento Sustentável da ONU; e mobilizar ações nos níveis internacional, nacional e local.

O Documento Brasileiro "Declaração de Brasília para a Educação Ambiental", apresentado neste importante evento é resultado de todo um processo de discussões iniciado em outubro de 1996 no âmbito do MMA, em resposta a antigos anseios das instituições governamentais e não-governamentais e em atendimento às linhas de ação do Programa Nacional de Educação Ambiental-PRONEA.

A estratégia para a construção desse Documento Nacional, culminou com a realização pelo MMA da I Conferência Nacional de Educação Ambiental – I CNEA, no período de 7 a 10 de outubro de 1997. A organização da I CNEA, coordenada pelo MMA, foi constituída por uma Comissão Organizadora, subdividida em duas comissões, Comissão Técnica e Comissão Executiva, formadas pelos parceiros na organização do evento: MEC, MINC, MCT, IBAMA, CODEVASF, DNOCS, JBRJ, GDF, UnB, UNESCO e PNUMA, com a co-participação do IV Fórum de Educação Ambiental/Rede Brasileira de Educação Ambiental, que realizaram 21 (vinte e uma) reuniões preparatórias para a Conferência Nacional, buscando consolidar as propostas, definir os temas e objetivos e orientar o processo de construção coletiva da I CNEA.

A Comissão Organizadora da I CNEA definiu pela realização de um levantamento nacional das ações em educação ambiental no país, a fim de subsidiar as discussões dos Grupos de Trabalho Regionais, formados durante o evento.

Paralelamente, o processo de organização e preparação da I CNEA gerou uma profícua discussão sobre educação ambiental nos estados brasileiros, propiciando encontros entre instituições governamentais e não-governamentais que desenvolvem ações na área.

A partir de um diagnóstico, analisado coletivamente, do que se faz em educação ambiental no Brasil, elaborou-se um marco de referências teórico-práticas buscando a modernização educativa. Debateu-se a construção crítica para a compreensão de circunstâncias que favoreçam as ações da educação ambiental no Brasil, respeitando a pluralidade e a diversidade cultural do nosso país.

O objetivo geral da I CNEA foi o de criar um espaço para reflexão sobre as práticas da educação ambiental no Brasil, avaliando suas tendências e identificando as perspectivas e estratégias futuras; discussões integradas no Documento Final, resultado de um trabalho participativo. Este Documento consolida as sugestões de diretrizes políticas para a educação ambiental no Brasil e tem por fim a sua apresentação na Conferência Internacional sobre Meio Ambiente e Sociedade: Educação e Consciência Pública para a Sustentabilidade, em Thessaloniki, Grécia.

RESULTADOS

Apresentação do Documento Brasileiro

O Documento Brasileiro foi apresentado e exemplares especialmente publicados para este fim foram distribuídos à Comissão Organizadora e às instituições internacionais presentes no evento. Destaque especial ao trabalho desenvolvido pelo Brasil foi recebido dos Coordenadores da UNESCO e do PNUMA membros da coordenação do evento que compunham a mesa coordenadora do fórum do dia.

Algumas Recomendações da Conferência Internacional sobre Meio Ambiente e Sociedade: Educação e Consciência Pública para a Sustentabilidade

Governos e Líderes mundiais congratulam os compromissos realizados durante a série de Conferências das Nações Unidas que dão à educação o significado necessário para cumprir o objetivo de atingir um futuro sustentável.

Planos de ação para educação formal para meio ambiente e sustentabilidade com objetivos concretos e estratégias para educação formal e não formal devem ser elaborados em níveis nacional e local. A educação deve ser parte integrante das iniciativas das Agendas 21 Locais.

As instituições financeiras governamentais internacionais, regionais e nacionais, assim como o setor produtivo, devem ser encorajados a mobilizar recursos adicionais para aumentar os investimentos em educação e compromissos públicos. O estabelecimento de um fundo especial para educação para desenvolvimento sustentável deve ser considerado como uma forma específica para acrescentar suporte e visibilidade.

Dar suportes institucionais e financeiros adequados às ONG’s com o objetivo de aumentar a mobilização das pessoas em favor do meio ambiente e da sustentabilidade, integrando comunidades em níveis nacionais, regionais e internacionais.

Uma ênfase especial dever ser dada para o fortalecimento e uma eventual reorientação de programas de treinamentos de professores e identificação e compartilhamento de práticas inovadoras. O suporte deve ser dado à pesquisa em metodologias de ensino interdisciplinar.

O Sistema das Nações Unidas, incluindo UNESCO e UNEP, em cooperação com as ONG’s, continua a dar prioridade à educação, compromisso público e treinamento, em particular em níveis locais e nacionais.

Estabelecido o Prêmio Internacional de Thessaloniki dentro das aspirações da UNESCO para ser entregue de dois em dois anos para projetos exemplares de educação para meio ambiente e sustentabilidade.

Realização de uma conferência internacional em 2007, depois de 10 anos, com o objetivo de avaliar o progresso do processo educacional sugerido.

O resultado dessa Conferência Internacional será encaminhado pelo Governo da Grécia para a Reunião de abril de 1998 da Comissão de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas.

Para maiores informações:

UNESCO-EPD, 7 Place de Fontenoy, 75352 Paris 07 SP;
Tel +33 1 45680868
Fax +33 1 45685635
Email
epd@unesco.org.

 

CONFERÊNCIA INTERGOVERNAMENTAL
SOBRE EDUCAÇÃO AMBIENTAL
AOS PAÍSES MEMBROS

Tbilisi, CEI, de 14 a 26 de outubro de 1977

 Textos e relatórios obtidos em sites da internet.


Projeto Apoema - Educação Ambiental

www.apoema.com.br