Nossas escolhas – Por *Bere Adams

 

           São inúmeras as mentiras que se tornam verdades, que circulam pelas redes sociais, mas, infelizmente, muitas informações estarrecedoras, que eu preferiria que fossem inverdades, são reais. O grande desafio é identificá-las - apurar a veracidade. A estas me refiro agora, às informações assustadoras, que comprovadamente são verdade, mas passam bem longe da preocupação da maioria das pessoas. Diante delas muitos de nós dizemos, através das nossas ações: “Eu não ligo!”.

Eu não ligo para aquilo que me ofereço de alimento, nem para a minha saúde, quando os meus hábitos alimentares são saciados pelas poderosas indústrias alimentícias, apesar de saber dos malefícios que estes produtos provocam. Eu não ligo para o trabalho escravo, incluindo o de crianças, quando uso vestuário de marcas renomadas que lucram com a exploração humana e tornam vidas desumanas. Eu não ligo para um dos maiores problemas ambientais, que é o desmatamento, quando a base da minha alimentação faz aumentá-lo ainda mais. Eu não ligo para o lixo que produzo, quando não opto por produtos com cunho ecológico que promovem sustentabilidade. Eu não ligo para o desaparecimento do orangotango das florestas tropicais do Bornéu e da Sumatra, quando faço uso de um produto feito a base de óleo de palma, fornecido pela planta que com ele compete, covardemente, pelo uso do meio ambiente.   Eu não ligo para a vida, quando pouco me importa como são feitas as coisas, de onde elas vêm, que resíduos geram, importando apenas se o preço é bom e se as ofertas são generosas para o meu bolso. Eu não ligo que a cada minuto morrem cinco crianças de fome, quando desperdiço alimento deixando comida no prato.

E na medida em que eu não ligo, vou me desligando do todo, transformando-me em um minúsculo e isolado ser, feito um verme a corroer a terra.  Mas, quando eu ligo e nós ligamos para todas estas e outras situações equivocadas da humanidade, e nos envolvemos com elas, cuidamos delas, tudo muda, por que passamos a compreender que precisamos estar ligados e cuidar daquilo que realmente importa para a manutenção da vida. A vida pode ser uma máquina complexa da qual somos apenas peças; pode ser um teatro de bonecos onde somos marionetes, ou, então, ela pode ser uma bênção. Vai depender do quanto nos envolvemos e nos preocupamos com ela.

 

Diretora da Apoema Cultura Ambiental; Coordenadora do Projeto Apoema www.apoema.com.br e editora responsável da revista Educação Ambiental em Ação www.revistaea.org

 

 Data da publicação: 20/03/2017