Alimentação, saúde e meio ambiente, uma conexão necessária – Por Bere Adams

Em outro artigo comentei sobre o quanto uma alimentação adequada contribui para uma melhor qualidade de vida e que, apesar de atualmente estarmos vivendo mais, nunca antes a população mundial teve tantos distúrbios de saúde como hoje, o que compromete a qualidade de vida.

E o que uma boa alimentação e saúde têm a ver com Educação Ambiental? Tudo, afinal, se a fonte primária da vida é a alimentação, e algumas das principais causas da degradação ambiental estão relacionadas às formas de cultivo e produção de alimentos, mudar a forma como nos alimentamos é primordial para a reversão dos problemas relacionados ao meio ambiente e para vivermos com saúde e melhor qualidade de vida.

Em um artigo da nutricionista Nadia Cozzi, intitulado “Alimentação saudável e sustentável – A relação entre a alimentação e o meio ambiente” ela descreve que para ela é muito clara a relação entre alimentação saudável e meio ambiente, já que a produção agrícola interfere na saúde dos seres humanos, do solo, dos rios, dos animais, do planeta enfim. Ela destaca que desde 1972, a produção crescente de alimentos é o principal fator de pressão sobre os recursos da terra. Para ela o fracasso das políticas e práticas agrícolas inadequadas contribui para uma maior pressão sobre a terra. Ela cita como exemplo o uso excessivo de fertilizantes e outros produtos químicos que contribuem para a degradação do solo e a poluição da água, e salienta que entre 1972 e 1988, o uso global de fertilizantes aumentou para uma média anual de 3,5%, ou mais de 4 milhões de toneladas por ano. Cozzi aponta, ainda, que os pesticidas continuam a ser usados de forma indiscriminada (às vezes ilegalmente) em alguns lugares e descartados com negligência.  

Há algum tempo eu comprei um livro cujo título é: “Você é o que você come”. Iniciei a leitura, mas, antes que eu avançasse pelos primeiros capítulos, acabei emprestando-o a não lembro quem, e nunca mais o vi. Uma pena, já que este assunto tem me interessado muito ultimamente, pois finalmente estou aprendendo a me alimentar melhor, através da orientação do especialista ayurveda Ademir Fulber, que desenvolve vários projetos, entre eles o Projeto Atitutti onde disponibiliza materiais e vídeos com muita orientação para quem quer aprender a se alimentar e viver melhor e feliz. Ele desenvolve este projeto com a parceria de Edson Guedes e recomendo (Link no final).

A mudança que percebo na dinâmica do meu organismo, desde os primeiros dias desta mudança, é impressionante, e comprova todas as orientações que venho recebendo e aplicando.  A mudança positiva me encoraja a melhorar, cada vez mais, os meus hábitos alimentares e concluo que a maioria das pessoas alimenta-se mal por falta de orientação, ou melhor, por falta de uma educação alimentar adequada.

Apesar de se tratar de um assunto bastante amplo e importante para ser abordado com profundidade neste pequeno artigo, vou destacar alguns pontos relevantes que, por si só, já sinalizam onde estamos errando em nossos hábitos alimentares.

Segundo o Guia de Alimentação Ayurveda, de autoria da terapeuta ayurveda Daniele Barbosa, que está disponível para download pela Internet, há algumas regras básicas para uma alimentação correta. São elas:

1ª- Só comer com fome

2ª - Não comer antes de digerir a refeição anterior

3ª - Comer em lugar calmo

4ª- Não comer vendo televisão

5ª- Mastigar adequadamente

6ª - Não comer ansioso, irritado ou sob forte emoção

7ª- Agradecer, fazer uma prece ou nutrir sentimento de gratidão pelo alimento que será ingerido

Estas sete regras evidenciam que uma alimentação adequada envolve outras atitudes que, por vezes, passam desapercebidas.

Vejamos a primeira: Só comer com fome. Quantas vezes por dia ingerimos alimentos, ou comida, apenas por estarem à nossa disposição, sem que estejamos realmente com fome? Além disso, há uma variedade imensa de produtos alimentícios prontos, tão práticos, empacotados nas mais variadas e atraentes embalagens. Isso sem falar da qualidade destes alimentos.

Por consequência, se quebramos esta primeira regra, automaticamente também quebramos a segunda, que é: Não comer antes de digerir a refeição anterior, porque não temos, sequer, consciência se já digerimos o que comemos anteriormente e nos alimentamos novamente, ainda sem fome.

A terceira regra: Comer em lugar calmo é um desafio para todos nós, que vivemos em ambientes tumultuados. Na maioria dos ambientes destinados a alimentação há uma televisão, portanto, o aparelho torna-se um “personagem” muito presente nas horas das refeições, quer seja em lares, em refeitórios ou restaurantes e bares, o que viola a quarta regra: Não comer vendo televisão.

Quanto à regra: Mastigar adequadamente, poucas são as pessoas que observam este aspecto importante, pois a maioria de nós sempre come apressadamente e mastigar mais do que de costume parece ser “perda de tempo”. Trata-se de uma ação nada valorizada, apesar de ter fundamental importância para uma boa digestão.

Uma vida atribulada gera situações de ansiedade e angústia. A tensão faz parte do dia a dia das pessoas, em todo o mundo, porém, nos momentos das refeições é preciso que estejamos bem e relaxados para que nosso organismo possa melhor digerir o que comemos, é o que diz a sexta regra: Não comer ansioso, irritado ou sob forte emoção.

O nosso alimento é a nossa fonte de energia e pela sua importância para a manutenção da vida é muito saudável que sejamos gratos a ele e, por isto, a sétima regra é: Agradecer, fazer uma prece ou nutrir sentimento de gratidão pelo alimento que será ingerido. A gratidão também engloba o valor dado a cada refeição, quando muitas pessoas no mundo sofrem com fome, e nesse caso, ter alimentos é uma bênção, independente de crenças ou religiões.

Apenas estas sete regras nos sinalizam algumas mudanças que podemos adotar para que o ato de se alimentar ultrapasse a visão superficial que temos sobre a alimentação, e que, além de melhorar a qualidade de vida, a partir de um maior equilíbrio dos nossos organismos promovidos por uma alimentação consciente e saudável, colaboramos para a preservação ambiental.

Conforme afirma Nadia Cozzi, o ato de se alimentar é diário, pelo menos 3 vezes ao dia e conclui, portanto, que a nossa interferência na saúde do planeta ocorre diariamente, várias vezes. Ela faz o seguinte apelo: “[...] é chegada a hora de sairmos da zona de conforto e assumirmos que nossa própria sustentabilidade está em jogo. Atitudes tão simples como selecionar e preparar os alimentos contribui de forma efetiva para a preservação do Mundo. Nossas escolhas fazem toda a diferença”.

Fica, portanto, mais do que claro que uma alimentação adequada vai muito além daquilo o que colocamos em nossos pratos. E esse assunto precisa ser inserido de forma mais enfática nos processos educacionais, e não pára por aqui. Até o próximo artigo!

 

Referências

COZZI, Nadia. Alimentação saudável e sustentável – A relação entre a alimentação e o meio ambiente. Disponível em:  http://www.coletivoverde.com.br/alimentacao-sustentavel/. Acesso em: 23/04/2017.

BARBOSA, Daniele. Guia de Alimentação Ayurveda, de autoria da terapeuta ayurveda. Disponível em: http://portalestarbem.com.br/wp-content/uploads/2016/04/programa-e-guia-de-alimentacao-ayurvedica.pdf . Acesso em: 23/04/2017

FULBER, Ademir; GUEDES, Edson. Projeto Atitutti. Disponível em: http://projetoatitutti.com.br/ . Acesso em: 25/04/2017.

 

 Data da publicação: 26/04/2017


 

Pensamos, logo...

– Por Bere Adams

 

O raciocínio, - recurso tão magnífico por tornar capaz toda a evolução civilizatória - ao mesmo tempo em que permite criar, sonhar, desenvolver, inventar, também permite destruir e aniquilar. Não é por acaso que numa sociedade de racionais exista miséria, descaso, abandono, violência, guerras, destruição...

Portanto, se por um lado o pensar nos permite construir as mais incríveis estruturas como os engenhosos recursos tecnológicos, por outro, nos permite desmantelar, destruir, arruinar ecossistemas inteiros, comprometendo a biodiversidade do Planeta, bem como promover malefícios diversos que comprometem, também, a vida de muita gente.

O ambiente urbano onde a maioria de nós vivemos, relaciona-se a um estilo de vida que deseja, acima de tudo, confortos e comodidades, porém, é barulhento, agitado, tumultuado, poluído, constituído por uma visão capitalista, que comporta dominantes e dominados. Assim, naturalmente a natureza é percebida, simplesmente, como um baú recheado de recursos naturais a serem utilizados, sem levar em conta o equilíbrio ecológico para a manutenção da vida do Planeta.

Formamos uma sociedade excludente. Para a cronista Livia Zoé, “A exclusão é histórica na sociedade brasileira. Passados quinhentos anos ainda engatinhamos como forma social dentro de estruturas arcaicas que sobrevivem como vampiros simbióticos, estagnando estupidamente todas as possibilidades de renovação do contexto social”.

Vivemos em uma sociedade dividida em camadas como uma enorme torta de gente. Uma sociedade de desigualdades, de injustiças, onde a vida de humanos e outros seres vivos fica dependendo da própria sorte.

Neste modelo de vida no qual estamos inseridos e pouquíssimos escapam, diariamente somos expostos a riscos. Há gravíssimos problemas a serem solucionados. Uma pesquisa recente realizada com jovens da Geração Y de diversos países, no Fórum Econômico Mundial, aponta que na visão deles os principais problemas que a humanidade enfrenta são: mudanças climáticas, conflitos, pobreza, corrupção, segurança, bem-estar, educação, instabilidade política, alimentação e água, saúde, falta de empregos, desigualdade de gênero, falta de privacidade, falta de infra-estrutura. Todos sofremos com estes problemas que nada mais são do que consequência deste sistema que vem ruindo sem que ao menos percebamos isto com clareza.

Quanto mais dominamos, mais dominados vamos ficando. Somos dominados pela tecnologia, pelo carro, pelo comércio, pelo celular, pelo micro-computador, pela Internet, por coisas luminosas e quadradas ou retangulares, como se fôssemos “encaixotados”... Somos dominados por nós mesmos, aprisionados em grades que nós mesmos pensamos, logo, construímos.

 

Publicado em 18/04/2017


 

Facilidades perigosas e mudanças de atitudes

- Por Bere Adams

 

É de impressionar a diversidade de mercadorias que foram criadas para, ilusoriamente, facilitar a nossa vida, e que estão à nossa disposição, distribuídas metodicamente em prateleiras de supermercados e nos mais variados pontos de comércio que nos circundam. Destaco o sentido ilusório, pois a maioria destas mercadorias existe para alimentar o sistema capitalista que, literalmente, atropela e compromete toda qualidade de vida do Planeta.

Pensando sobre isto é inevitável não lembrar de como eram as coisas até há pouco tempo. Na alimentação não existiam as "facilidades" de, por exemplo, alimentos industrializados e tele-entregas – não só de alimentos, mas também de diferentes tipos de mercadorias. No vestuário, não havia roupas prontas de confecções industrializadas.

Com o passar do tempo, as invencionices vão aumentando rapidamente e a elas vamos nos acostumando, ao ponto de nos tornarmos completamente dependentes delas.

Apesar de a humanidade ter aumentado, nos últimos anos, a longevidade, a qualidade de vida deixa a desejar quando constatamos serem raras as pessoas adultas ou de idade mais avançada que não necessitam de medicações diárias para controlar os malefícios que os maus hábitos (muitos deles oferecidos por estas tais facilidades), promovem como: pressão alta, diabetes, colesterol alto, insônia, depressão, entre outros descontroles da saúde humana atual. É o que aponta uma pesquisa do Instituto de Métrica e Avaliação em Saúde e Universidade de Washington, (USA), que avaliou a população de 180 países. A pesquisa conclui: “A longevidade da população mundial aumentou, mas ela está vivendo cada vez mais doente”. E não é por acaso que os quadros de depressão aumentam em todo o mundo. Segundo a Organização Mundial da Saúde, são mais de 350 milhões de pessoas afetadas.

Então, do que adianta uma maior longevidade, se finalizamos a nossa jornada aqui na Terra sem qualidade de vida? Já não está mais do que na hora de uma ampla e geral mudança em nossas atitudes, a começar por não cairmos na tentação destas ditas facilidades, que colocam a qualidade de vida em risco?

Atualmente muitas pessoas se questionam sobre como efetivar as mudanças necessárias para uma melhor qualidade de vida, porém, algumas esperam por receitas prontas, como bem ilustra os questionamentos desta frase de Caio Fernando de Abreu: “Você tem alguma receita pra gente mudar de vida? E pra tomar decisões? E para mudar de personalidade? E para flagrar-se? E para pagar o karma em suaves prestações? E pra desorientação aguda, você tem? Se tiver, me passa que eu preciso”.

Não existem receitas prontas ou universais para mudanças, mas existem muitas pessoas que optaram pela mudança, melhoraram suas vidas e hoje se dedicam a projetos motivando as pessoas a realizarem as necessárias mudanças de atitudes.  Um deles, que posso citar e indicar por conhecer pessoas envolvidas, é o Projeto Atittuti.  O projeto se desenvolve através de vídeos que compartilham reflexões, bate-papos, comentários e questionamentos, que nos incentivam a promover mudanças que muito vão contribuir para uma vida mais consciente e equilibrada.  O projeto está há disposição em várias plataformas, e pode ser acessado, também, pela rede social Face Book.

 

“Somos o que fazemos, mas somos, principalmente, o que fazemos para mudar o que somos”.(Eduardo Galeano)

Link para o Projeto Atitutti: https://www.facebook.com/atitutti/?pnref=story

                                                                           Data da publicação: 10/04/2017


 

Uma educação pela vida

- Por Bere Adams

Todos já sabemos que precisamos mudar o nosso estilo de vida para que possamos viver com mais qualidade. E esse estilo representa uma concepção errônea de vida, que é ensinada e aprendida, principalmente, nos espaços educacionais.

Muitos especialistas da educação de todo o mundo já dizem, há tempos, que o sistema de educação que é fragmentado e focado no conhecimento não consegue formar um sujeito crítico e cidadão, aliás, Rubem Alves criticava severamente o conceito “formar”. Dizia ele que “formar é colocar na fôrma, fechar. Um ser humano ‘formado’ é um ser humano fechado”.

Porém, poucas são as mudanças que ocorrem nos ambientes educacionais. Nestes, dá-se, ainda, mais ênfase para o conhecimento cognitivo focado, também, na competitividade: devemos estudar mais para sermos melhores!

Mas, onde ficam os ensinamentos necessários para o desenvolvimento da autonomia, da persistência, dos valores, da organização, da cooperação, tão necessários para quando os alunos saem das dependências educacionais e seguem para as suas mais variadas realidades?

A autonomia é fundamental para o despertar de sujeitos pró-ativos. A persistência é importante para a manutenção dos tropeços da vida. Os valores servem como bússola, indicando diferentes direções a serem seguidas diante alguns dilemas. A organização também promove a pró-atividade e facilita muito na realização de toda e qualquer tarefa. E a cooperação? Como vamos transformar a nossa sociedade em uma sociedade justa e equitativa se a competição está presente em todas as áreas e níveis da educação? Temos doutores que colecionam teses pelo simples prazer de competir.

Edgar Morin, importante pesquisador frances em seu livro: “Ensinar a Viver Manifesto para mudar a educação” clama para que a escola se livre da lógica do mercado da qual é prisioneira.

Enquanto a educação não mudar, nos depararemos - a cada dia mais - com confrontos, ao invés de encontros. E nesta competição, todos saímos perdendo...



 
 Data da publicação: 03/04/2017


 

A biodiversidade perto de você

– Por Bere Adams

 

Não tem forma melhor de perceber a beleza e a complexidade da vida do que observar e sentir a natureza, da qual somos parte integrante. Embora a nossa Pátria Brasil esteja carente de boas colocações nos mais variados rankings relacionados à qualidade de vida, dentre os demais países do mundo, nós, brasileiros, somos privilegiados, uma vez que temos a maior biodiversidade de flora e fauna do Planeta Terra.

Mas, infelizmente, a vida cotidiana com compromissos inadiáveis impede que a maioria das pessoas dedique tempo para observar a natureza – independente se em espaços urbanos ou rurais e naturais.

Porém, bastam apenas alguns minutos de observação por dia para nos tornarmos mais integrados, conectados à vida e a toda essa maravilhosa biodiversidade do nosso País.

O nosso distanciamento impede que nos sensibilizemos para as importantes questões ambientais que comprometem a qualidade de vida em todo o Planeta, enquanto a aproximação nos evidencia que no ciclo da vida tudo está entrelaçado e que temos grande influência no meio, afinal, somos parte dele e não seus donos.

O nosso distanciamento ou a nossa aproximação com o meio que nos envolve pode ser mensurado diante a resposta para esta questão: “Você conhece a biodiversidade da sua cidade?” Ou seja, para alcançarmos este conhecimento vai depender de como nos relacionamos com a vida que acontece a nossa volta e o quanto nos interessamos em conhecê-la. Nós conhecemos, mesmo, o ambiente onde vivemos? Acredito que a resposta da maioria de nós seja “Não”, ou “Muito pouco”, e poucas serão as pessoas que responderão com propriedade que conhecem a biodiversidade que nos rodeia. Isso me deu a ideia de fazer uma pesquisa on-line, cujos resultados compartilharei em um próximo artigo.

Muitas organizações ambientais desenvolvem trabalhos para levar o conhecimento da biodiversidade local as suas comunidades. Exemplo disto é a publicação “Almanaque da Fauna e Flora do Wallahai”, lançado em 2015 pelo Projeto VerdeSinos em parceria com a prefeitura de Novo Hamburgo/RS . Trata-se de um guia sobre flora e fauna presentes no Vale dos Sinos. O guia pode ser acessado em: http://migre.me/wk5lJ

A partir do momento em que começamos a observar a natureza, certamente teremos inúmeras surpresas, como a de ver uma flor que nunca havíamos visto antes, ou escutar um canto de pássaro diferente... Saberemos também que raramente um pássaro usa o mesmo ninho, e que algumas aranhas conseguem andar sobre a água... E isto é só o começo!

Boas descobertas e se tiver vontade, compartilhe-as comigo enviando mensagem para bereadams@gmail.com

 

"Penso que a natureza sonha. Montanhas, florestas, mares, rios, lagos, nuvens, cachoeiras, animais, flores - todos sonham um mesmo sonho. Sonham em que um dia chegará o dia em que os seres humanos desaparecerão da face da terra. Pois os dinossauros não desapareceram? Quando isso acontecer, será a felicidade! A natureza estará, finalmente, livre dos demônios que a destroem. A natureza, então, tranquilamente, sem pressa, se curará das feridas que nós lhe causamos." (Rubem Alves)

“Ambiente limpo não é o que mais se limpa e sim o que menos se suja”. (Chico Xavier)

  Data da publicação: 27/03/2017


 

Nossas escolhas

– Por *Bere Adams

           São inúmeras as mentiras que se tornam verdades, que circulam pelas redes sociais, mas, infelizmente, muitas informações estarrecedoras, que eu preferiria que fossem inverdades, são reais. O grande desafio é identificá-las - apurar a veracidade. A estas me refiro agora, às informações assustadoras, que comprovadamente são verdade, mas passam bem longe da preocupação da maioria das pessoas. Diante delas muitos de nós dizemos, através das nossas ações: “Eu não ligo!”.

Eu não ligo para aquilo que me ofereço de alimento, nem para a minha saúde, quando os meus hábitos alimentares são saciados pelas poderosas indústrias alimentícias, apesar de saber dos malefícios que estes produtos provocam. Eu não ligo para o trabalho escravo, incluindo o de crianças, quando uso vestuário de marcas renomadas que lucram com a exploração humana e tornam vidas desumanas. Eu não ligo para um dos maiores problemas ambientais, que é o desmatamento, quando a base da minha alimentação faz aumentá-lo ainda mais. Eu não ligo para o lixo que produzo, quando não opto por produtos com cunho ecológico que promovem sustentabilidade. Eu não ligo para o desaparecimento do orangotango das florestas tropicais do Bornéu e da Sumatra, quando faço uso de um produto feito a base de óleo de palma, fornecido pela planta que com ele compete, covardemente, pelo uso do meio ambiente.   Eu não ligo para a vida, quando pouco me importa como são feitas as coisas, de onde elas vêm, que resíduos geram, importando apenas se o preço é bom e se as ofertas são generosas para o meu bolso. Eu não ligo que a cada minuto morrem cinco crianças de fome, quando desperdiço alimento deixando comida no prato.

E na medida em que eu não ligo, vou me desligando do todo, transformando-me em um minúsculo e isolado ser, feito um verme a corroer a terra.  Mas, quando eu ligo e nós ligamos para todas estas e outras situações equivocadas da humanidade, e nos envolvemos com elas, cuidamos delas, tudo muda, por que passamos a compreender que precisamos estar ligados e cuidar daquilo que realmente importa para a manutenção da vida. A vida pode ser uma máquina complexa da qual somos apenas peças; pode ser um teatro de bonecos onde somos marionetes, ou, então, ela pode ser uma bênção. Vai depender do quanto nos envolvemos e nos preocupamos com ela.

 Data da publicação: 20/03/2017


 

Berenice Gehlen Adams é Diretora da Apoema Cultura Ambiental; Coordenadora do Projeto Apoema www.apoema.com.br e editora responsável da revista Educação Ambiental em Ação www.revistaea.org