Educação Ambiental como disciplina - uma opção e/ou uma contradição? (uma "discussão" necessária e imprescindível)
Apesar de ir contra tudo o que já li, já pesquisei, e já aprendi sobre EA, quando leio os argumentos que favorecem e fundamentam a Educação Ambiental (EA) como disciplina, concordo com quase todos, plenamente, e o principal deles é o de que, de outra forma a EA não estaria com a sua matrícula garantida nos colégios, aliás, creio que seja este um dos grandes problemas da EA ingressar na escola: a burocracia fragmentária da grade curricular. Rubem Alves, certa vez, questionou uma platéia de professores do por quê ninguém deles se rebelava ao ver que a Educação está atrás das "grades curriculares". Inspirei-me com esta indagação dele.
Antes de a EA se estabelecer, é o sistema de ensino que precisa ser modificado. É preciso uma mobilização para a INCLUSÃO da EA na escola, mas para isto faz-se necessária outra grande mobilização para derrubar paredes disciplinares, paredes de pré-conceitos, paredes de práticas educacionais arcaicas. Gente, a escola não muda! Por quê?!
A escola só se moderniza mesmo com equipamentos eletrônicos. Daqui a pouco os alunos e as alunas estarão dando cursos de informática para seus professores, suas professoras, que muitas vezes são ridicularizadas pela falta de acesso a recursos tecnológicos, pois fazem parte de uma classe de excluídos, a da exclusão digital...
Mas, enquanto tudo isto não muda, vamos ler uma historinha?
Quando Educação Ambiental chegou na Escola como Disciplina (Parte l)
Berenice Gehlen Adams
Lá se foi a Educação Ambiental como Disciplina, pra escola. Sua mochila era tão grande, mas tão grande, que ela quase nem agüentava o seu peso. Ela precisava carregar tanta coisa!
Ao chegar, apresentou-se para a Dona Grade Curricular, uma senhora grande, olhar sisudo, caminhar pesado e lento, que logo lhe abre um sorriso e os braços para acolhê-la:
- Venha, vou lhe apresentar para suas colegas! Guarde sua mochila ali - apontou pra um cantinho que certamente a mochila nem caberia - e vamos para a outra sala onde as outras Disciplinas estão tomando café.
A EA largou seu precioso peso no chão, no cantinho, e seguiu com a Dona Grade Curricular. Ao entrar, a EA tomou um enorme susto. Era tanta disciplina que ela não imaginava que cabia em uma escola tão minúscula. Como ela era uma disciplina nova, as outras disciplinas velhas e multiseculares lhe olharam com um certo ar de desprezo (Sim, pois a escola não é somente rude com seus aluninhos diferentes, ela é rude também com todas novas idéias, e uma disciplina nova, então!).
- Atenção, vocês, esta é a nova Disciplina, a Educação Ambiental! Vamos cumprimentá-la!
As primeiras que se manifestaram foram a disciplina de Ciências e a disciplina de Artes. Logo em seguida, a disciplina de Educação Física deu um salto e cumprimentou a EA. As outras deram um breve "Olá!" e silenciaram, para depois cochicharem e bebericarem mais café de letrinhas e palavras.
A Geografia e a História falaram entre si, olhando de canto para a novinha disciplina verdinha:
- Olha só, era o que faltava, mais uma para dividir com a gente este espaço que já está pequeno demais. Que coisa!- disse a Geografia.
- E chega aí, toda acanhada! Huf, garanto que vai querer tomar conta. Temos que ter cuidado com ela, pode ser perigosa pro nosso sistema!
Assim, a sala das Disciplinas fica tomada de um burburinho, com murmúrios e cochichos pra todos os lados. A Dona Grade Curricular finge que não vê, toma a EA pela mão e convida-a para ver toda a Escola:
- Vamos, EA, venha conhecer nossa Escola!
Mesmo circulando por aquele espaço que é pra ser cheio de curiosidade e vida, a EA não conseguia parar de pensar naquela sala, cheia de Disciplinas que não lhe pareceram nada amistosas. Pensava tanto que nem conseguia prestar direito atenção ao que Dona Grade Curricular lhe dizia. Até que chegaram a uma porta que dava pra uma sala minúscula:
- É aqui, Educação Ambiental. Esta será a sua sala! Fique a vontade que volto logo.
A EA entrou, avistou uma sala cheia de classes e cadeiras. Um quadro verde que ia de uma ponta a outra, da parede. A Sala era escura, pequena, e ela ficou imaginando o que poderia fazer ali. Aceitou aquele desafio sabendo que precisaria de muita criatividade, imaginação e precisaria, acima de tudo, de muita paciência e persistência do professor ou da professora que lhe assumiria.
...
"Quem teve a idéia de cortar o tempo em fatias, a que se deu o nome de ano, foi um indivíduo genial. Industrializou a esperança, fazendo-a funcionar no limite da exaustão. Doze meses dão para qualquer ser humano se cansar e entregar os pontos. Aí entra o milagre da renovação e tudo começa outra vez, com outro número e outra vontade de acreditar que daqui pra diante vai ser diferente" (Carlos Drummond de Andrade).
"Para Sara, Raquel, Lia e para todas as crianças"
Carlos Drummond de Andrade
Eu queria uma escola que cultivasse
a curiosidade de aprender
que é em vocês natural.
Eu queria uma escola que educasse
seu corpo e seus movimentos:
que possibilitasse seu crescimento
físico e sadio. Normal
Eu queria uma escola que lhes
ensinasse tudo sobre a natureza,
o ar, a matéria, as plantas, os animais,
seu próprio corpo. Deus.
Mas que ensinasse primeiro pela
observação, pela descoberta,
pela experimentação.
E que dessas coisas lhes ensinasse
não só o conhecer, como também
a aceitar, a amar e preservar.
Eu queria uma escola que lhes
ensinasse tudo sobre a nossa história
e a nossa terra de uma maneira
viva e atraente.
Eu queria uma escola que lhes
ensinasse a usarem bem a nossa língua,
a pensarem e a se expressarem
com clareza.
Eu queria uma escola que lhes
ensinassem a pensar, a raciocinar,
a procurar soluções.
Eu queria uma escola que desde cedo
usasse materiais concretos para que vocês pudessem ir formando corretamente os conceitos matemáticos, os conceitos de números, as operações... pedrinhas... só porcariinhas!... fazendo vocês aprenderem brincando...
Oh! meu Deus! Deus que livre vocês de uma escola
em que tenham que copiar pontos.
Deus que livre vocês de decorar sem entender, nomes, datas, fatos...
Deus que livre vocês de aceitarem
conhecimentos "prontos",
mediocremente embalados
nos livros didáticos descartáveis.
Deus que livre vocês de ficarem
passivos, ouvindo e repetindo,
repetindo, repetindo...
Eu também queria uma escola
que ensinasse a conviver, a
cooperar, a respeitar, a esperar, a saber viver
em comunidade, em união.
Que vocês aprendessem
a transformar e criar.
Que lhes desse múltiplos meios de
vocês expressarem cada
sentimento,
cada drama, cada emoção.
Ah! E antes que eu me esqueça:
Deus que livre vocês
de um professor incompetente.
Convite para lançamento on-line da 19ª. Edição da revista eletrônica
Educação Ambiental em Ação
É com imensa alegria que convidamos vocês para mais um lançamento da Educação Ambiental em Ação, que é feita trimestralmente, desde 2001, com muito carinho, para todos que tenham interesse pela Educação Ambiental e pela melhoria da qualidade de vida no planeta.
“Andei por esta terra
durante trinta anos e,
por gratidão,
quero deixar alguma lembrança”
(Vincente Van Gogh).
Com este pensamento cada um da equipe buscou contribuir para deixar uma semente de transformação, e assim como Mário Quintana, pensamos que:
"O segredo é não correr atrás das borboletas...
É cuidar do jardim
para que elas venham até você"
(Mário Quintana).
Nosso jardim é a revista, e nossas borboletas são vocês.
É provável que na próxima edição estejamos plantados em um outro canteiro, com um domínio próprio para a revista, que é a nossa meta principal para o prosseguimento deste trabalho, por isto, pedimos que todos fiquem atentos caso mudemos de endereço.
Esperamos a visita de vocês desejando a todos um
Natal Feliz,
consciente,
e um Novo Ano
bem diferente!
Berenice Gehlen Adams e Equipe da Educação Ambiental em Ação