Destaques de junho de 2009 do Projeto Apoema - Educação Ambiental
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Educadores, sim, ambientais, sim, mágicos,
não!
Berenice Gehlen Adams
A Educação Ambiental se trata de um processo de educação permanente, que
deve ser inserido em todos os contextos da atuação humana, alcançando desde
as crianças até os mais velhos, mas como este processo educativo pode ser
inserido com sucesso, e sem contradições, na sociedade do consumo?
Se por um lado a Educação Ambiental busca conscientizar e sensibilizar a
sociedade para o consumo sustentável, por outro lado sabe-se que se o consumo
diminui, o sistema econômico entra em crise.
Se por um lado a Educação Ambiental promove atividades que incentivam a
reciclagem através de diferentes atividades didático-pedagógicas, por outro
lado está-se incentivando o consumo, pois para reciclar é preciso ter
materiais para serem reciclados. Certa vez uma menina do interior passou a
comprar diariamente garrafas de refrigerante, e ao questioná-la sobre o
"novo" hábito, ela me disse que sua escola estava fazendo uma gincana
de quem arrecadasse mais garrafas PET, ou seja, sem perceber, atividades
educacionais, com as melhores das intenções, acabam por incentivar o inverso.
Se por um lado a Educação Ambiental busca sensibilizar a população para o
respeito ao meio ambiente, por outro lado vemos estampado em jornais e
informativos diversos, absurdos cometidos por nossos representantes, no governo,
que burlam - ou ignoram - leis e derrubam em segundos, anos a anos de lutas para
a criação de leis que minimizariam impactos ambientais. Sorrateiramente
derrubam uma floresta de suor e até "sangue", pois sabemos que
ambientalistas são alvos constantes de ameaças. Na coluna de Míriam Leitão
do jornal "O Globo" do dia 5 de junho, ela diz que num "momento
em que a ficha começa a cair no mundo, no Brasil ainda se pensa que é possível
pôr abaixo a maior floresta tropical do planeta, como se ela fosse um
estorvo.". Aí me pergunto também, por que deve existir um "partido verde"
quando todos os partidos deveriam "ser verdes", pelo que se entende de
Educação Ambiental?
Então, diante destas e de tantas outras contradições, cobranças, indignações
de quem espera que a Educação Ambiental seja mágica e solucione todos os
problemas da Terra, como os educadores se sentem? Qual é a perspectiva deste
educador ao tentar trabalhar a Educação Ambiental do jeito que sabe, pois
muitos - para não dizer a maioria - não tiveram ninguém que se preocupasse em
prepará-los, capacitá-los, efetivamente? Qual é a perspectiva deste
educador quando suas tentativas são alvo de críticas e bombardeios conceituais
acadêmicos muitas vezes indecifráveis para o vocabulário usual de nossos
professores?
Já repararam como tudo de errado que ocorre na sociedade - e agora no meio
ambiente - recai sobre os ombros da educação, dos educadores?
Sim! Somos alvos fáceis demais, pois somos frágeis, porque lidamos com
sentimentos, pois cada aluno revela-se como um " raio 'x' " da
sociedade brasileira. Lidamos com baixos salários - principalmente os
educadores das séries iniciais (uma vergonha) - , com a violência, com a fome,
com a miséria, com o desacato, com o desrespeito, com a carência afetiva das
"pobres crianças ricas", com a carência física das crianças pobres.
Lidamos com a fase inicial da vida dos seres humanos, e por isso somos julgados, e o que é pior, somos "condenados", somos culpados pela falta de educação de um povo, e agora, pela crise ambiental da TERRA.
Haja força e persistência para suportar tanto peso.
Bere Adams - Para o Projeto Apoema - Educação Ambiental, junho de 2009