Colunista Ivone Boechat

Ivone Boechat é Consultora Técnico-Pedagógica e a mais nova parceira do Projeto Apoema - Educação Ambiental. Periodicamente estará enriquecendo este espaço com textos e poemas que possibilitam a sensibilização e a reflexão sobre importantes aspectos vivenciados no cotidiano.

Formação: Curso de Produção e Criação em Rádio, Cinema e Televisão-Faculdade da Cidade, RJ. Bacharel em Direito pela Universidade Cândido Mendes – RJ. Graduada em Pedagogia pela Universidade Augusto Mota – RJ. Pós-Graduada em Educação pela UERJ (Universidade do Estado do Rio de Janeiro) Pós-Graduada em Metodologia do Ensino Superior pela Universidade Augusto Motta - Rio de Janeiro. Livre docente em Psicanálise-  WIU-USA. Mestre em Educação – Wisconsin International University-USA PhD – Psicologia da Educação - Wisconsin International University – USA.

Livvros publicados: 1- A família no Século XXI - 3ª.edição. 2-Amanhecer (Poesias) – 3ª edição. 3- Amor – A força mágica da Educação (et alii). 4- Competência Emocional – 3ª edição. 5- Educar para a felicidade – 3ª edição. 6- Escola Comunitária – 4ª edição. 7- Escola, doce Escola – 6ª edição. 8- Estratégias para encantar educadores na arte de aprender. 9- Nós da educação - (2ª.edição). 10- Nós da maturidade. 11- Nós mulheres. 12- O Desafio da Educação para um Novo Tempo – 2ª edição. 13- O futuro chegou – 2ª edição. 14- Por uma Escola Humana – 4ª edição. 15- Projeto Político Pedagógico da Escola Comunitária, (et alii). 16- Reflexões sobre a nova LDB, (et alii). 17- Uma Escola que Ensina a Amar – 5ª edição.

POEMAS E TEXTOS DA AUTORA:


Uma linda mensagem de Natal - Ivone Boechat. Para acessar, bata na porta e entre:


Lenda de Natal

Conta-se que os animais descobriram que Jesus ia nascer. Ficaram preocupadíssimos e foram procurar o leão, rei da floresta, para as providências necessárias. Afinal, a notícia não era um fato comum e alguma coisa precisava ser feita.


Foi marcada uma reunião e todos os animais foram convidados. Movimentação total! O rei leão, muito compenetrado da responsabilidade, explicou, detalhadamente, os motivos da assembléia:


- Vocês já sabem que Jesus vai chegar? Gostaria de apelar para que colaborassem com uma oferta para a grandiosa festa de sua chegada. É uma visita muito importante. Temos o dever de tratá-la com todas as honras. Aqui na floresta, gostamos de receber o Bem de braços abertos!


Cada convidado levantava-se e oferecia um presente. O boi se desculpou de ser tão pobre, mas colocou a estrebaria à disposição de Nosso Senhor; o carneiro ofereceu a lã; a galinha os ovos; o jumentinho se dispôs a levá-lo por onde precisasse e, assim, cada qual deu o melhor que possuía.


Quando a reunião já estava terminando, o macaco, que é muito observador, gritou que havia um homem assistindo à reunião, lá de trás. O rei, ponderadamente, pediu calma e consultou aos demais participantes sobre a atitude que deveria ser tomada:


- Este homem não havia sido convidado, mas não está incomodando a ninguém. O que fazer? Dar-lhe a palavra também?


Resolveram que sim, ele falaria ao final. Foi encerrada a sessão de oferendas e dada a oportunidade ao representante da humanidade. Muito desajeitado, ele veio à frente e, após mil desculpas, disse
:


- Acho que vocês já deram tudo, nem sei mais o que oferecer. Estou contente, porque a reunião está muito bonita, muito alegre. A gente constata o imenso amor pela capacidade de doação aqui demonstrada. Nós, homens, ainda não tomamos nenhuma providência para a chegada de Jesus, pelo contrário, o ambiente não está muito bom. Talvez, ao nascer, Ele tenha que ficar escondido, porque poderão matá-lo.


- Oh! Murmuraram os animais.


- Vocês podem ir embora, tranqüilos. Não creio que tenha sobrado nada para nós oferecermos a Nosso Senhor. No dia certo, então,  providenciaremos a cruz.


A reunião foi encerrada e seus organizadores foram embora, sem entender nada sobre o "presente" que o homem ofereceu.


Ivone Boechat

DEZ / 07


 

A revolução das flores

 

Num vale florido, o perfume envolvia as abelhas que trabalhavam,

com muito entusiasmo, compondo um belo cenário com borboletas e beija-flores felizes.

Corria por ali a notícia que homens armados contra a Natureza estavam chegando.

Ali, nesse paraíso, as flores estavam tristes e foram procurar as árvores

mais velhas. Convocaram a espada-de-sãojorge, comigo-ninguém-pode,

 os espinhos da coroa-de-cristo e partiram determinadas.

Debaixo de uma frondosa árvore, pediram um conselho: o que fazer para

convencer ao homem que gosta de destruir a vida, para que se arrependa

e comece a reconstruir e a preservar... Aquela senhora árvore

centenária, indignada, desabafou:

-A nossa expectativa de vida pode chegar a centenas de anos de vida útil,

sem esclerose, osteoporose, lordose... que tanto afligem os humanos.

O maior perigo é a serra elétrica, o machado, o fogo.

A rosa concordou e acrescentou:

- O maior perigo de todos é o homem sem educação.

Então as flores deram-se as mãos e decidiram propor que todo homem

destruidor e vil fosse educado, desde menino, para plantar

 o amor-perfeito em volta das casas, das escolas, das empresas,

das igrejas, porque quanto mais cedo a criança aprender a amar

 o planeta Terra, maior é a chance de começar a prevenir e a preservar a Natureza.

Aí, animação geral! Veio o copo-de-leite e se ofereceu,

sem contaminação, puro e fresquinho para ajudar a oxigenar

 os vales. Boca-de-lobo prometeu mais ação, ao invés

 de criticar por criticar. Hortência preferiu plantar-se

melhor para não ficar por aí, sem se cuidar, desbotada

 e feia. A dama-da-noite, tão sumida, ultimamente,

 disse que a noite é uma criança e quer voltar a perfumar o espaço dela.

A noite foi chegando e as flores se recolheram com a promessa

 de juntar-se aos homens não só nas horas tristes e dolorosas.

 Elas querem voltar com todo o esplendor e formosura,

espalhando graça e perfume para receberem com

o cálice transbordante de néctar os beija-flores.

 

Ivone Boechat

NOV/07


 
 
Oração do pinheirinho
 
Você quer enfeitar
um pinheirinho neste Natal?
Então me enfeite
onde eu estiver,
que tal ?
Plante um pinheiro na sua porta, dois, três,
deixe-os morar ali,  de vez,
no lugar mais bonito, mais confortável,
sem lhes fazer nenhum mal.
O maior orgulho do pinheiro
é que o mundo inteiro
o escolheu
pra representar a
vitória do Bem.
Neste Natal deixa-me
viver,
a natureza agradece,
ela vai reconhecer ,
 Nosso Senhor vai atender a  minha  prece.
Amém.

 

Ivone Boechat

NOV/07


 

 

Monólogo da árvore

 

 

Fui gerada no útero de uma pequenina semente,

vim ao mundo com a missão de preservar a vida coletiva!

Minha família é muito grande: os seres que

habitam o Planeta.

Como todo ser vivo, respiro, sinto e percebo os fluidos ao meu redor.

Preciso de oxigênio e de muito amor para oferecer à Natureza

abrigo e conforto.

O meu crescimento vai depender do tamanho do

espaço em que me plantarem.

Busco desesperada pela luz do sol,

me entorto, me estico, se precisar,

passo por cima de tudo para sobreviver.

Quantas vezes, você me corta,

porque estou feia, gorda, incomodando...

Tudo é desculpa para me derrubar...

As árvores são discriminadas! Aquelas floridas,

perfumadas, altaneiras são mais cortejadas,

como na sociedade dos homens!

Lembre-se de que os passarinhos cantam, seduzem

e fazem seus ninhos, em qualquer árvore.

Ajude a lutar por mim.

Cada árvore que se corta, é um atentado à própria vida.

 

Ivone Boechat

OUT/07


 

 

A sustentabilidade humana

 

 

O homem busca, em desespero, mas antes tarde do que nunca, a preservação do que sobrou neste Planeta. Não é impossível, até porque atitudes simples têm o poder de mudar o rumo de coisas importantes. Mas eis o impasse: por que não se começa a educar para o equilíbrio da ecologia humana? Quanto custa o esforço por um abraço, um sorriso, uma demonstração de afeto?

 

A Escola gasta quase todo o tempo destinado a ela resolvendo equações de primeiro e segundo graus e a criança vive refém de deveres de casa. Não há tempo nem espaço brincar. Dirão muitos que a concorrência exige tudo isso na corrida desenfreada ao mercado de trabalho: passar nos concursos, nos vestibulares e arranjar emprego, só quem sabe mais equação e rebincoca da parafuseta.

 

Certa vez perguntaram a uma famosa atriz, centenária, o que a levou ao sucesso nos palcos do teatro e ela nem pestanejou: a fome. Estudar não lhe fez falta? Perguntou o repórter, e ela disse que não, porque a professora só ensinava algarismos romanos até 100.

 

A educação tem os recursos pedagógicos para transformar a humanidade. Quem falhou? Ao invés de se ensinar só doutrinas, porque não se ensinam valores? Fé, amor, paz, união, misericórdia, fraternidade, solidariedade? Ensinar ao homem a ser bom é um grande desafio. Todas as guerras do Planeta têm origem nas doutrinas.

 

Quando o homem reflorestar as idéias, podar os galhos secos da ira, regar suas raízes no manancial da fé, vai colher os frutos de um mundo oxigenado de amor. O homem equilibrado vai equilibrar o Planeta!

 

Ivone Boechat

 

OUT/07


 

O testamento

 

Era uma vez um homem rico e poderoso, dono de muitas terras, que tinha três filhos. Ao alcançar a maturidade, aquele senhor viu que seus  herdeiros não gostavam de trabalhar, eram gastadores, irresponsáveis. O pai vivia preocupado. Qual seria o futuro de pessoas ricas que não sabem preservar o que possuem, administrar a fortuna e nem plantar? Por mais que ele ensinasse, insistisse, não percebia o interesse de nenhum dos três jovens.

 

Certa noite convocou os três filhos e abriu o testamento que deixaria, ao morrer. Leu em voz alta:  vou deixar um tesouro  para vocês que está enterrado num lugar misterioso e difícil de encontrar, debaixo das terras desta colossal propriedade.

 

O pai morreu! De posse da herança, os três começaram a cavar noite e dia, procurando o tesouro. E cada buraco que abriam semeavam para aproveitar o esforço. Dentro de pouco tempo multiplicaram a plantação e a colheita foi fantástica. E assim, à procura do tesouro deixado pelo pai, foram plantando, plantando e ficando cada vez mais ricos e poderosos.

 

Ao envelhecer, os herdeiros olharam um para o outro e concluíram: o tesouro deixado por nosso pai foi o trabalho.

 

Moral da história: todos nós temos um tesouro debaixo das terras brasileiras e ainda não aprendemos a descobrir o Brasil?

 

Ivone Boechat

 

OUT/07


Socorro!

Um rei ganancioso ordenou que toda a agricultura do seu reino fosse desativada para que a mão-de-obra se concentrasse na exploração de ouro e de pedras preciosas. Ninguém mais poderia plantar nada. Os súditos deveriam se preocupar somente com o ouro, porém, a rainha, mulher sensível e muito sensata, ficou apavorada com essa decisão e começou a pensar noite e dia numa solução para tão grande problema.

Um dia, a rainha teve uma idéia. Mandou que os servos preparassem um banquete com pudins, manjares e delícias prediletas do rei, em ouro e pedras preciosas. Sem que o marido soubesse, distribuiu os convites aos seus melhores amigos, às pessoas mais ilustres.

Era o dia tão esperado e os convidados começavam a chegar. A mesa estava lindíssima, ninguém jamais vira nada igual, só que a rainha deu ordens para que se atrasasse o máximo o serviço: o jantar deveria sair bem tarde.

A hora ia passando e as pessoas estavam inquietas. O rei reclamava do atraso e confessava sua fome à esposa. E nada de jantar. Finalmente, foi dada a ordem para que se ocupassem os lugares à mesa. Só que na hora de arrumarem os pratos, a rainha pediu a palavra e lamentou:

- Senhores, neste reino a ordem é para que ninguém plante mais nada, nosso jantar desta noite será o cardápio do futuro. É lindo, reluzente, mas ninguém pode tocar, mas é bom que se acostumem, desde agora, a comer ouro e pedras preciosas.

O rei levantou-se indignado, morto de fome e naquela noite mesmo, revogou o decreto que proibira a agricultura.

Que lição aprendemos? O Brasil com milhões de metros quadrados de terra fértil não tem política de prioridade para a agricultura e hoje quem se desfruta de um pequeno quintal, ao invés de plantar, pelo menos, uma pequena horta, resolveu espalhar cimento, por comodidade.

Onde estão as hortas escolares que tanto poderiam ajudar na suplementação da merenda escolar? Alguém se lembra de educar para a adoção de uma dieta correta?  Estamos nos alimentando de maneira totalmente errada. As receitas dos programas de tv são para a minoria copiar e até parece que se come caviar por aqui. Quase ninguém ensina sobre o valor do inhame, da abóbora, da couve, da batata-doce. Pelo contrário, discriminam-se os alimentos que poderiam ser cultivados num pequenino quintal...

Atenção, professor, ajude a valorizar aquilo que ainda se pode ter na mesa dos brasileiros.

Ivone Boechat

OUT/07



Prece da criança


Senhor,
estou muito assustado,
estão nos fazendo medo,
fico até cansado de pensar
um jeito de proibir os adultos
de matar os passarinhos,
de acabar com os rios,
de poluir os mares.
Tudo que o Senhor fez é tão bonito,
até me irrito,
quando vejo guerras dominando alguns lugares.
Quero sonhar
com uma escola feliz,
com professores sorrindo,
e uma nota que dê para passar...
É isto que sempre quis...
Ah! Quero minha família unida,
segurança para brincar na praça,
a imensa graça, de dormir,
sabendo que se há alguém na rua
vai poder voltar.
Amém.


Ivone Boechat

OUT/07



Ecologia humana

Reflorestar idéias,
reciclar comportamentos,
irrigar emoções,
adubar o terreno dos perdões...
Podar os galhos ressecados
de qualquer temor
dos vencidos...
aplainar o olhar social,
buscando os excluídos,
onde for,
iluminar , oxigenar e plantar,
plantar sementes
selecionadas de amor.


Ivone Boechat

SET/07



Árvore da vida

No alvorecer da estrada da vida,
Há uma luz no seu interior
que indica amor, conquista!
Não desista
da lida de colher os frutos à vista.
Este paraíso
fica escondido na árvore de sua vida...
São projetos que não se esvaem,
“dão os frutos na estação própria
e cujos frutos não caem.”
Colhe cada fruto, maduro,
amassado, amargo, doce,
passado, ele cura qualquer luto,
sara espinhos e maldade
pra semente brotar de novo
na eternidade.


Ivone Boechat

SET/07


Self-service de valores

A vida é uma grandiosa festa, um verdadeiro banquete de valores e dádivas, onde os convidados podem se servir à vontade. O primeiro passo é educar para selecionar bem os verdadeiros pratos, aqueles que lhe darão saúde física e espiritual.
Sucesso: Vá devagar. O excesso pode estofar o peito!
Felicidade: Faz a reposição hormonal do bem estar.
Casamento: Mastigar bem é recomendável para evitar a indigestão.
Convivência: Tem muita pimenta. É saboroso. Cuidado com os excessos.
Amor: Alimento integral. Sirva-se à vontade. Leve as sementes para casa.
Carinho: Não coma em prato fundo. Quando transborda incomoda aos outros.
Alegria: Ofereça sempre um pouco ao seu vizinho.
Solidariedade: É massa. Coma na hora, se guardar endurece.
Compaixão: É um vegetal, fortifica e dele se aproveita tudo.
Amizade: Salpique bastante afeto, tempere com muita compreensão. Fria, perde o sabor.
Riqueza: Encha o prato, coma devagar. Nunca deixe de repartir com o próximo.
Sonho: É excitante. Excelente para perfumar a realidade.
Paz: É um suco que se deve compartilhar, diariamente. Use o adoçante natural do querer.
Fé: Não pode faltar! Faça sua encomenda diretamente à central divina.
Gratidão: Nunca ponha para congelar. É um prato que se come na hora, quente.
Esperança: Nunca perde o prazo de validade. Coma à vontade.
Oração: Não é comestível. Perfuma com sua essência a comunhão com Deus.

Ivone Boechat

SET/07


Era uma vez...Espaço


Era uma vez um menino muito grande e bonito chamado Espaço.

O tempo foi passando, mas Espaço não cresceu; diminuiu. Começou a conviver, sem querer, com sua amiga Sobrevivência e, de repente, as pessoas se amontoaram e quase o sufocaram.

De uma coisa vocês não sabiam, Espaço está chocado, porque o inimigo Poluição invadiu o território, tomou conta dos seus ares e foi um fracasso. Espaço está contaminado.

Noutro dia mesmo, Espaço já ia brigando com seu melhor amigo, Segurança. Em todos os lugares em que ele se mexia, surgia Medo, parceiro de Insegurança, para o perturbar. Espaço teve que se armar. Mas será que resolveu o problema? Ele está apavorado com tantos inimigos...

Paz, irmã de Espaço, que agora mora longe, telefonou para a prima Natureza e pediu ajuda. Afinal de contas, os passarinhos, as árvores, o perfume das flores, o seresteiro, o tocador de realejo, o poeta, as crianças, estão reclamando de espaço, todo dia, com razão. Eles querem se instalar, definitivamente. Estão sendo jogados de um lado para o outro.

Espaço desculpou-se com Natureza e disse que o culpado não é só ele. As pessoas vivem correndo atrás de Sobrevivência e se esquecem de que existe oportunidade em outros lugares.

Agora, a solução está entregue a Dr.ª Gente, capaz de estudar com calma os prós e contras da reclamação de Espaço. O corre-corre, os enfartes, o empurra-empurra dentro do caldeirão cultural, a neurose de tempo, as angústias de ter, serão solucionados, porque estas são a sua especialidade. Se isto não acontecer, muito em breve, Espaço vai ficar vazio, as pessoas se desintegrarão nos braços da inimiga Morte. Seria muito triste. Espaço gostaria de crescer, abrigar a todos que o procurassem, para que sua irmã, Paz, não fosse morar tão longe.

Ivone Boechat

SET/07


E-mail da autora: i.boechat@terra.com.br

Sites da autora:

http://www.paralerepensar.com.br/ivoneboechat.htm

http://geocities.yahoo.com.br/i_boechat/


 


Poemas e textos  indicados por Ivone:


As Velhas Árvores

Olha estas velhas árvores, — mais belas
Do que as árvores mais moças, mais amigas,
Tanto mais belas quanto mais antigas,
Vencedoras da idade e das procelas . . .
O homem, a fera e o inseto à sombra delas
Vivem livres de fomes e fadigas;
E em seus galhos abrigam-se as cantigas
E alegria das aves tagarelas . . .
Não choremos jamais a mocidade!
Envelheçamos rindo! envelheçamos
Como as árvores fortes envelhecem,
Na glória da alegria e da bondade
Agasalhando os pássaros nos ramos,
Dando sombra e consolo aos que padecem!

 Olavo Bilac

O CONSELHO DAS ÁRVORES

Sofro, luz dos meus olhos, quando dizes
Que a vida não te alenta nem conforta.
Olha o exemplo das árvores felizes
Dentro da solidão da noite morta.

Que lhes importa a dor, que lhes importa
O drama que há no fundo das raízes?
Não sentem quando o vento os ramos corta
E as folhas leva em várias diretrizes?

Que lhes importa a maldição do outono
E os dedos envolventes da garoa,
Se dão sombra às taperas no abandono?!...

Levanta os braços para o firmamento
E canta a vida porque a vida é boa
Mesmo esmagada pelo sofrimento.

Olegário Mariano

Oração para salvar o Planeta

 

Ó Deus,

 

Nós te damos graças por este universo, nosso lar; pela sua vastidão e riqueza, pela exuberância da vida que o enche e da qual somos parte.

 

Nós te louvamos pela abóbada celeste e pelos ventos, grávidos de bênçãos, pelas nuvens que navegam e as constelações, lá no alto.

 

Nós te louvamos pelos oceanos, pelas correntes frescas, pelas montanhas que não se acabam, pelas árvores, pelo capim sob os nossos pés.

 

Nós te louvamos pelos nossos sentidos: poder ver o esplendor da manhã, ouvir as canções dos namorados, sentir o hálito bom das flores da primavera.

 

Dá-nos, rogamos-te, um coração aberto a toda esta alegria e a toda esta beleza, e livra as nossas almas da cegueira que vem da preocupação com as coisas da vida e das sombras das paixões, a ponto de passar sem ver e sem ouvir até mesmo quando a sarça, ao lado do caminho, se incendeia com a glória de Deus.

 

Alarga em nós o senso de comunhão com todas as coisas vivas, nossas irmãs, a quem deste esta terra por lar, juntamente conosco.

 

Lembramo-nos, com vergonha, de que no passado nos aproveitamos do nosso maior domínio e dele fizemos uso com crueldade sem limites, tanto assim que a voz da terra, que deveria ter subido a ti numa canção, tornou-se um gemido de dor.

 

Que aprendamos que as coisas vivas não vivem só para nós; que elas vivem por si mesmas e para ti, que elas amam a doçura da vida tanto quanto nós, e te servem, no seu lugar, melhor que nós no nosso.

 

Quando chegar o nosso fim, e não pudermos fazer uso deste mundo, e tivermos de dar nosso lugar a outros, que não deixemos coisa alguma destruída pela nossa ambição ou deformada pela nossa ignorância.

 

Mas que passemos adiante nossa herança comum mais bela e mais doce, sem que lhe tenha sido tirado nada da sua fertilidade e alegria, e assim nossos corpos possam retornar em paz para o ventre da grande mãe que os nutriu e os nossos espíritos possam gozar da vida perfeita em ti.

 

Amém!

 

Walter Rauschenbush

NOV/07

E-mail da autora: i.boechat@terra.com.br

Sites da autora:

http://www.paralerepensar.com.br/ivoneboechat.htm

http://geocities.yahoo.com.br/i_boechat/


 

Projeto Apoema - Educação Ambiental

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