InformaLista

O Informativo da lista “Educação Ambiental”

No. 09 – 28 de janeiro de 2001

  Terceira Parte

Alguns textos apresentados na Lista de Discussão do Projeto Apoema - Educação Ambiental (Antigo Projeto Vida – Educação Ambiental)

Os textos não passaram por revisão ortográfica, portanto, podem haver erros.


ATIVIDADES DE SENSIBILIZAÇÃO EM EDUCAÇÃO AMBIENTAL

 

1. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

Considerando que o ser humano é um ser de ação e relação e não pode ser percebido fora de suas relações com os outros e com o mundo, ele é capaz de transformar-se e de transformar a sua realidade. Dentro desta visão, a característica metodológica inerente aos processos pedagógicas para a abordagem da Educação Ambiental está baseada principalmente na participação. Participar se aprende exercendo o direito da cidadania, e o exercício desse direito se dá nas mais variadas formas e níveis. A participação não se dá de forma espontânea, mas a partir do aprendizado, principalmente resgatando-se valores humanos como solidariedade, ética, respeito pela vida, responsabilidade, honestidade, amizade, altruísmo, democracia, entre outros.
A tarefa da redescoberta dos valores e da busca de novos valores que tornem a sociedade humana mais justa é de todos. Assim sendo, um dos principais objetivos da Educação Ambiental consiste em permitir que o ser humano compreenda a natureza complexa do meio ambiente resultante de suas interações, levando-o a promover uma ação reflexiva e prudente dos recursos naturais, satisfazendo as necessidades da humanidade. A Educado Ambiental deve, assim, favorecer uma participação responsável nas decisões de melhoria da qualidade do meio natural, social e cultural.
As atividades de Educação Ambiental, como instrumentos a serem utilizados para a concretização desses objetivos, devem possibilitar aos participantes oportunidades para desenvolver uma sensibilização a respeito dos seus problemas ambientais, além de propiciar uma reflexão a respeito destes problemas e a busca por formas alternativas de soluções.
As atividades de sensibilização são um caminho para tomar as pessoas conscientes de quão importantes são as suas atitudes e de como elas refletem o que se atrai e se cria no dia-a-dia de suas vidas. Se cada indivíduo estiver conscientizados sobre qual atitude tomar diante de certas situações, estará usando plenamente o seu potencial criativo e respondendo com inteligência e amor aos desafios e propostas que se apresentem.
Estas atividades se propõem a ser um elo de união consciente entre o ser humano e o ambiente onde vive, seja ele composto de elementos naturais ou de objetos criados pelo homem com a ajuda da natureza e seus construtores, e de todas as pessoas e seres que compartilham de um mesmo planeta-casa.
A intensidade do aprendizado não se dá só através de experiências externas, mas principalmente através da intensidade da emoção vivida durante uma experiência. o ser humano não aprende somente pela razão (fatores externos), ele aprende junto/através da emoção (fatores internos). Sendo assim, o papel de uma atividade de Sensibilização é despertar a emoção para um melhor aproveitamento da informação que está sendo transmitida, e poderá ser trabalhada em qualquer área e nos mais diferentes níveis, sendo um processo não terapêutico e sim educativo.

2. METODOLOGIA

Para que uma Atividade de Sensibilização seja aplicada da melhor maneira possível, de forma a atingir plenamente os objetivos a que se propõe, sugere-se a seguinte metodologia:

2.1. DIAGNÓSTICO

Considera-se um indivíduo sensibilizado quando se emociona pelo objeto e, através das informações recebidas, redireciona (repensa) suas atitudes e ações de forma a manter o equilíbrio sincrônico do meio em que vive. Para tanto, é importante ressaltar que sensibilizar é cativar os participantes para que suas mentes se tornem receptivas às informações a serem transmitidas posteriormente, sendo esta a primeira etapa a ser diagnosticada em um processo de sensibilização.
É preciso entender que as Atividades de Sensibilização são de suma importância, salientando-se que tais atividades são ferramentas e que favorecem a participação e ação dos envolvidos, devendo ser utilizadas, porém, respeitando-se uma série de elementos: afinidade de interesses; organização, objetivos, tipo e tamanho do grupo; espaço e tempo disponíveis; momento; recursos, entre outros. Deverão também ser diagnosticados as fatores psicossociais, éticos, culturais, históricos e políticos do grupo com o qual se está trabalhando.
Também poderão ser utilizadas atividades para inspirar atitudes conscientes e sintonizar pessoas que trabalham em grupo, que possuem experiências e pontos de vista diferentes, mas compartilham de um mesmo propósito e processo de desenvolvimento.

2.2. SELEÇÃO DE ATIVÍDADES DE SENSIBILIZAÇÃO

A partir do diagnóstico, da tema a ser abordado e do objetivo do orientador e do grupo, deverão ser selecionadas técnicas e métodos adequadas para desenvolvimento junto aos participantes.

2.3. OPERACIONALIZAÇÃO DAS ATIVIDADES

Consiste na aplicação das técnicas ou métodos selecionados, com a finalidade de sensibilizar os participantes, promovendo a sua integração e reflexão sobre o tema proposto na atividade.

2.4 REFLEXÃO

A experiência vivida na Atividade de Sensibilização possibilita a reflexão sobre os temas e fatores abordados. Nesse momento os participantes poderão expor a sua vivência, relatando o que sentiram durante a atividade. A sensibilidade permite perceber o valor de gestos e atitudes, e isso normalmente permite que se usufrua de um notável bem-estar que será melhor compreendido através da experiência em si.

2.5 AVALIAÇÃO

A partir da reflexão, o orientador observará se os relatos dos participantes estão de acordo com os objetivos propostos pela Atividade de Sensibilização, o que lhe permitirá verificar se os mesmos foram ou não atingidos.

3. CONSIDERAÇÕES

  • Pessoas não sensibilizadas são, de certo modo. "indiferentes" à realidade que as cerca, que esqueceram o corpo, a mente e o espirito, que esqueceram que fazem parte de uma unidade, que fazem parte ca natureza na Terra.

  • Pessoas sensibilizadas são capazes de criar e recriar, de ir além, de se aplicar. Você se aplica quando melhora como ser humano, quando se torna mais hábil, quando tem visão de conjunto.

Visando, então, a Sensibilização é que se propõe o presente trabalho.

4. EXEMPLOS DE ATIVIDADES DE SENSIBILIZAÇÃO

Descreve-se a seguir algumas dinâmicas realizadas pelo Grupo de Estudos de Educação Ambiental, cuja metodologia das reuniões inclui a aplicação de uma Atividade de Sensibilização no início de cada encontro.

4.1. CAMINHADA PERCEPTVA

  • Objetivos
    Aguçar os sentidos e a percepção dos participantes através do contato direto e exploração dos elementos na natureza.

  • Método

  1. O orientador convida a grupo a formar duplas, escolhendo entre si o guia e o guiado.
  2. Cada dupla recebe uma venda e o guia a coloca no parceiro.
  3. As duplas saem para uma caminhada perceptiva no ambiente, onde o guiado deve explorar com os sentidos (sem a visão) os componentes da natureza.
  4. As duplas retornam após aproximadamente 10 minutos e o guiado tira a venda para, então, fazer um desenho ou escrever o que sentiu e percebeu durante a experiência.
  5. As duplas podem, em seguida, trocar os papéis (guia torna-se guiado e vice-versa) e repetir o trabalho.
  6. Ao final, em circulo, cada participante poderá relatar a sua experiência.
  • Fundamentação:
    Todos os elementos existentes no meio ambiente são importantes e merecedores de respeito.
    Cada um deles possui a sua função dentro do sistema e é de fundamental importância para a manutenção do equilibro.
    Nos ecossistemas, os organismos e o ambiente interagem promovendo trocas de materiais e energia das cadeias alimentares e ciclos biogeoquimicos.
    Qualquer interferência em qualquer um desses elementos positiva ou negativa, poderá ser sentida por todos os outros.

  • Participantes:
    20 a 30 pessoas, de adolescentes a adultos.

  • Materiais necessários:
    Lenços para os olhos, papel, giz de cera.

  • Tempo de duração:
    Aproximadamente 30 minutos.

 4.2 TOCAR, SENTIR, REPRESENTAR

  • Objetivos:
  1. Sensibilizar os participantes a respeito da importância de todos os elementos existentes em um ecossistema, aguçando os sentidos do tato, olfato e audição.
  2. Refletir sobre a diferença entre o tocar, o sentir e a realidade.
  • Método:
  1. Solicitar aos participantes, posicionados em circulo, para fecharem os olhos.
  2. O orientador coloca uma música calma ao fundo, e dispõe na frente de cada participante um elemento componente da natureza (ex.: pedras, folhas, galhos, etc.).
  3. Os participantes, então, exploram ao máximo o objeto, utilizando o tato, olfato e audição.
  4. Em seguida, o orientador recolhe os elementos e pede para que cada participante represente, através de desenhos, o objeto que teve nas mãos ou o que imaginou que fosse.
  5. Feito o desenho, devolve-se o objeto para cada participante, para efeitos de comparação.
  6. O orientador, então, discute com as pessoas as suas impressões e o seu nível de percepção.
  • Fundamentado:
    Para entendermos verdadeiramente a natureza e as inter-relações existentes entre os seus diversos elementos, é necessário desenvolver a nossa capacidade perceptiva, que nos permite enxergar além do que os olhos vêem.

  • Participantes:
    20 pessoas, com idade a partir de 07 anos.

  • Materiais necessários:
    Objetos naturais, papel, lápis de cor ou giz de cera, aparelho de som.

4.3. RECONHECENDO SUA FOLHA

  • Objetivo
    Demonstrar a importância de todos os elementos componentes do meio ambiente.

  • Método:

  1. Posicionados em circulo, cada participante recebe uma folha de uma mesma árvore.
  2. O orientador solicita às pessoas que observem bem a sua folha (manchas, coloração, sinais individual), passando, assim, a conhecê-la muito bem.
  3. Em seguida, cada participante deve mostrar a sua folha à pessoa que se encontra ao seu lado, ressaltando as características especificas que encontrou.
  4. O orientador recolhe, então, todas as folhas, colocando-as em um saco plástico e embaralhando-as muito bem.
  5. As folhas, em seguida, são esparramadas pelo chão, pedindo-se que cada participante encontre a sua.

  • Fundamentado:

Todos os elementos existentes no meio ambiente são importantes e merecedores de respeito. Embora muitos elementos possam parecer insignificantes, cada um deles possui a sua função dentro do sistema e é de fundamental importância para a manutenção do equilíbrio.
Nesta atividade, demonstra-se que, embora muita parecida com as outras da mesma árvore e fazendo parte de um único objeto, cada folha tem características próprias que a fazem única.
Além disso, cada uma delas possui a sua função, contribuindo com a sua parcela de fotossíntese para manter a vida da árvore.

  • Participantes:
    5 a 40 pessoas, a partir de 9 anos de idade.

  • Materiais necessários:
    1 saco plástico e folhas de uma árvore.

4.4. A TEIA DA VIDA

  • Objetivo:

  1. Apresentação do Grupo.
  2. Trabalhar o conceito de meio ambiente.
  3. Demonstrar a inter-relação e interdependência existente entre os diversos elementos do sistema.
  • Método:

  1. Os participantes formam, em pé ou sentados, um circulo.
  2. O orientador, de posse de um rolo de barbante, segura a ponta e joga o rolo a um outro participante qualquer.
  3. O participante que receber o rolo de barbante deve se apresentar ao grupo dizendo o seu nome, a sua profissão, o setor onde trabalha, e responder a pergunta "o que é para você meio ambiente?".
  4. Em seguida, segura uma parte do barbante e joga o rolo para outro participante qualquer que devem também realizar a sua apresentação.
  5. O rolo de barbante passará, então, por todos os participantes aleatoriamente, formando uma teia.
  6. Pede-se, então, que uma das pessoas puxe o barbante e que todos sintam a pressão no seu ponto.
  • Fundamentação:

O material necessário para a vida - água, oxigênio, carbono, nitrogênio, etc. - passa através de ciclos biogeoquímicos que mantêm a sua pureza e a sua disponibilidade para os seres vivos. Esses ciclos, formam um complexo mecanismo de controle que mantém as condições essenciais à auto-sustentação dos seres vivos. Esses mecanismos de controle são mediados pela vida em si, ou seja, os organismos vivos, através das suas funções, atuam de certa forma na manutenção daquelas condições.
Nos ecossistemas, os organismos e o ambiente interagem promovendo trocas de materiais e energia através das cadeias alimentares e ciclos biogeoquímicos. Qualquer interferência em qualquer um desses elementos, positiva ou negativa, poderá ser sentida por todos os outros.
A teia da vida demonstra exatamente as relações existentes entre todos os elementos dos sistemas, e que qualquer alteração em qualquer elemento poderá interferir em todas essas relações.
Em função da pergunta respondida durante a apresentação dos participantes, o conceito de meio ambiente pode também ser trabalhado.

  • Participantes:
    20 a 30 pessoas, com idade a partir de 10 anos

  • Materiais necessários:
    Um rolo grande de barbante.

4.5 CIRCULO DO EQUILÍBRIO

  • Objetivo:
    Demonstrar aos participantes o equilíbrio existente entre lados os elementos que compõem o ambiente.

  • Método:
  1. O orientador pergunta inicialmente aos participantes quais são os elementos essenciais para a manutenção da vida na Terra.
  2. Os participantes, então, formam um círculo, e cada um passa a representar os elementos citados anteriormente (Ex: ar, água, energia).
  3. As pessoas, em seguida, em círculo, tomam posição uma atrás da outra, e sentam apoiando-se nos joelhos do indivíduo que encontra-se às suas costas.
  4. O orientador, então, conta aos participantes que, em função de uma catástrofe ambiental ocorrida naquele ecossistema, toda a água existente ali foi poluída, ou seja, não existe mais água potável disponível. Todas as pessoas que estão representando o elemento água, assim, devem sair do círculo, o que o faz desestruturar-se complemente.
  • Fundamentação:

O mundo é organizado em sistemas que são formadas por três componentes: elementos, interconexões e funções. Os sistemas são mais do que a soma de suas partes. São dominados pelas suas inter-relações e seus propósitos, e organizados segundo uma hierarquia. Qualquer alteração, provocada por causas naturais ou não, afeta o equilibro do sistema. Esse sistema, então, procurará um novo equilibro, que poderá ou não ter a mesma forma.
O círculo formado pelas pessoas participantes da atividade será comparado a um sistema composto por elementos, interconexões e funções em estado de equilibro, com a alteração provocada pelo facilitador, a desestruturação do círculo será comparada à quebra do equilibro do sistema.

  • Participantes:
    25 a 50 pessoas, compreendidas na faixa etária de 8 a 80 anos ou mais.

  • Materiais necessários:
    Nenhum

4.6 O VALOR DA ÁGUA

  • Objetivos:

  1. Sensibilizar os participantes a respeito da importância e do valor da água.
  2. Despertar a percepção das pessoas para a necessidade de pensar e agir coletivamente.
  • Método:

  1. Os participantes formam, em pé, um circulo.
  2. O orientador, então, conta que:

"... em um reino muito distante, havia uma jovem e linda princesa que havia se apaixonado e queria se casar com um plebeu que, embora pobre, em muito bom e corajoso. O pai da princesa, que, por sinal em o Rei, em muito sábio e bom para o seu povo, mas não queria que ela se casasse com aquele rapaz, porque, como todo pai, achava que sabia o que em melhor para a sua filha. Como a princesa insistisse muito, o rei resolveu dar uma chance ao jovem casal: para provar ser merecedor da princesa, o plebeu teria que cumprir uma missão.
Aquele reino, embora fosse muito rico, estava começando a enfrentar um problema sério: os rios estavam ficando contaminadas e a água pura já começava a se tornar um artigo raro. O rei, então, determinou que se o plebeu encontrasse uma fonte de água pura para abastecer o reino, ele poderia se casar com a princesa. Mas ele teria 24 horas para trazer ao menos um copo dessa água para o rei experimentar.
Assim, o plebeu saiu pelo reino procurando. Aconteceu que, por azar, no meio de sua procura, o plebeu foi assaltado e os bandidos levaram a mochila onde ele levava uma garrafa para levar a amostra de água que o Rei deveria experimentar. Como não havia tempo para o plebeu voltar à sede do reino buscar outra garrafa, ele resolveu continuar assim mesmo.
Tanto o plebeu procurou que, finalmente, conseguiu encontrar uma fonte de água pura que poderia abastecer todo o reino. Mas, como fazer para levar a amostra para o Rei experimentar e provar que ele poderia se casar com a princesa?..."

   3. Neste ponto da estória, a orientador transfere o problema para cada um dos participantes, colocando nas mãos de cada pessoa um pouco de água, e lembrando que essa água que eles têm nas mãos é a última chance que a plebeu tem de se casar com a princesa e, ao mesmo tempo, salvar o reino da falta de água. Ou seja, eles não podem perdê-la e devem defendê-la com todas as suas forças.

  • Fundamentação:

A água é um bem precioso, indispensável para a vida no planeta. Pode ser encontrada na natureza nos estados sólido (geleiras), liquido (nos mares e lagos) e gasoso (vapor), cobrindo cerca de 70% da superfície da Terra. Entretanto desse total, apenas 3% são de água doce, incluindo-se ai as geleiras, que estão indisponíveis para consumo. Como um exemplo comparativo, se toda a água existente na Terra coubesse em uma garrafa de refrigerante de 2 litros, o que poderia ser aproveitado para consumo humano seria metade do volume da tampa da garrafa. Assim. a água não pode mais ser tratada como um recurso inesgotável. Ela vem se tornando, ao longo do tempo, um bem raro e caro, cujo desperdício e mau uso pode trazer graves conseqüências para o futuro.

- uma torneira aberta deixa correr pelo ralo 12 a 20 litros de água por minuto.

- se a torneira é deixada aberta enquanto se escova os dentes, 38 litros de água escoam pelo ralo. Se a torneira for aberta só para enxaguar a boca e lavar a escova, serão usados apenas 2 litros de água.

Nesta atividade, percebe-se que a água necessariamente, sempre irá escapar por entre os dedos das pessoas. A única maneira de impedir ou, pelo menos, retardar a perda da água é através da cooperação entre os participantes. Se cada pessoa colocar as suas mãos abaixo das mãos de outra pessoa, tentando segurar a água que escorre do colega acima, a perda coletiva será menor e sempre deverá permanecer um pouco de água no grupo. Isso demonstra claramente os benefícios da atuação coletiva na busca de um objetivo.

* Trabalho do grupo de estudos de Educação Ambiental da Universidade Livre do Meio Ambiente

 http://www.wln.com.br/~helena/ativ_sensib_edu_amb.htm


Lições de Rubem Alves... (Valter José de Almeida)

A pouco tempo descobri Rubem Alves na minha vida. Fiquei fã de carteirinha....... Ele me foi apresentado em um ciclo de estudos em educação ambiental que fiz em Piracicaba. Fizemos um reflexão sobre de um texto ( O olhar adulto – A festa de Maria), que abordava a "cegueira" dos adultos em relação ao nosso dia-a-dia, onde muitos momentos mágicos são simplesmente ignorados.

Para quem ainda não conhece Rubens Alves, ele é um mineiro, bacharel em Teologia. e psicanalista. É professor da Unicamp e mora em Campinas e dedica boa parte do tempo à escritura de crônicas e artigos. É autor de vários livros, dentre os quais se destacam: O retorno e terno, O quarto mistério, Sobre o tempo e a eternidade, A festa de Maria, Cenas da vida, E aí? Cartas aos adolescentes e a seus pais, A alegria de ensinar, Conversas com quem gosta de ensinar, Estórias de quem gosta de ensinar e Navegando. Também escreve livros infantis: A menina e o pássaro encantado, A pipa e a flor e O passarinho engaiolado.

Li recentemente "A alegria de ensinar",Ars Poetica Editora . Como educador não poderia de deixar de divulgar algumas frases desse livro, que me fez repensar a educação que aprendi e que ensino. Vale a pena conferir!!!

"Ensinar é um exercício de imortalidade. De alguma forma continuamos a viver naqueles cujos os olhos aprenderam ver o mundo pela magia da nossa palavra. O professor, assim, não morre jamais......."

" Alegria está no jardim que se planta, na criança que ensina, no livrinho que se escreve."

"Os métodos clássicos de tortura escolar como a palmatória e a vara já foram abolidos. Mas poderá haver sofrimento maior para uma criança ou um adolescente que ser forçado a mover-se num floresta de informações que ele não consegue compreender, e que nenhuma relação parece ter com sua vida?"

"Onde está a sabedoria que perdemos do conhecimento?"

"Lembrem-se de que vocês são pastores da alegria, e que a sua responsabilidade primeira é definida por um rosto que lhes faz um pedido: por favor, me ajude a ser feliz......."

"Quanto maior o conhecimento, menor a sabedoria."

" O corpo não suporta carregar o peso de um conhecimento morto que ele não consegue integrar com a vida."

"O saber sedimentado nos poupa dos riscos da aventura de pensar"

‘Haverá um dia em que os alunos serão avaliados também pela ousadia de seus vôos."

" A aprendizagem é assim: para se aprender de um lado há que esquecer do outro. Toda aprendizagem produz o esquecimento."

"A sabedoria mora no esquecimento."

"As crianças são seres oníricos, seus pensamentos têm asas. Querem brincar. Como as vacas de olhos mansos, são belas, mas inúteis. E a sociedade não tolera inutilidade. Tudo tem de ser transformado em lucro. Como as vacas, elas têm de passar pelo moedor do carne, assim como os seus corpos e pensamentos passam pelas redes curriculares. Todas são transformadas num pasta homogênea. Estão preparadas para se tornarem socialmente úteis."

"Não é de se admirar que as pessoas passem as suas vidas com a estranha sensação de que não era bem aquilo que desejavam. Elas foram transformadas em algumas coisas diferentes dos seus sonhos, e esta traição as condenou à infelicidade."

"O objetivo da vida é ser criança."

"É preciso esquecer o aprendido que nos fez adultos para se ver o mundo com outros olhos".

"Pensar é voar. Voar com o pensamento é sonhar."

"O pensamento é o trabalho que faz viver em nós aquilo que não existe."

"O professor é aquele que ensina a criança fazer flutuar suas bolinhas de vidro dentro das bolhas de sabão."

"Hoje, nas relações de trocas entre os países, o bem mais caro, o bem mais cuidadosamente guardado, o bem que não se vende, são as idéias. É com as idéias que o mundo é feito."

"O pensamento é como a águia que só alça vôo nos espaços vazios do desconhecido. Pensar é voar sobre o que não se sabe."

" A tarefa primordial do professor: seduzir o aluno para que ele deseje e, desejando, aprenda."

"O seu saber é um pássaro engaiolado, que pula de poleiro a poleiro, e que você leva para onde quer. Mas dos sonhos saem pássaros selvagens, que nenhuma educação pode domesticar".

"Todo conhecimento começa com o sonho. O conhecimento nada mais é que a aventura pelo mar desconhecido, em busca da terra sonhada. Mas sonhar é coisa que não se ensina. Brota das pronfundezas do corpo, como a água brota das profundezas da terra."

"Todo ato de criação é magia."

"As escolas: imensas oficinas, ferramentas de todos os tipos, capazes dos maiores milagres. Mas de nada valem para aqueles que não sabem sonhar."

"Os educadores, antes de serem especialistas em ferramentas do saber, deveriam ser especialistas em amor: intérpretes dos sonhos."


Para se pensar o desenvolvimento sustentável

Por Edmerson dos Santos Reis

 Desde a culminação da revolução industrial até os dias atuais, o modelo de desenvolvimento implantado pelas nações sempre foi idealizado sem se levar em conta o respeito à natureza, à qualidade de vida da humanidade e do impacto causado por este sobre a realidade e as condições sociais das populações envolvidas, levando o nosso planeta a atual situação de degradação e devastação ambiental, pobreza e miséria, espalhando assim um imenso caos, principalmente nos países subdesenvolvidos, que ao longo da história foram explorados por tecnologias ambientalmente poluentes e desastrosas, pensadas e testadas pelos países exploradores nessas nações pobres, que diante das suas restrições, foram utilizadas como "cobaias" durante todo este século que agora se encerra.

Ao se pensar em um modelo de desenvolvimento que não repita os males e práticas ainda existentes e que possa amenizar os danos causados ao planeta terra no decorrer da história, temos que colocar acima de tudo e principalmente, o Ser Humano, o Ambiente e a Sociedade, pois só assim poderemos atingir os outros aspectos que permeiam todos estes (o social, ambiental, econômico, político, institucional, tecnológico e o cultural), utilizando-os como referenciais e pontos de partida, já que são as ferramentas e elementos necessários que devem ser considerados na construção de qualquer modelo de desenvolvimento sustentável que sirva para todas as gerações, não deixando que apenas as gerações atuais usufruam dos seus frutos, mas que estes também sejam garantidos aos que ainda estão por vir, possibilitando a continuidade dos recursos naturais disponíveis e consequentemente da vida em nosso planeta.

A relação Ser Humano x Ambiente deve ser realizada de maneira a ter-se sempre como meta os limites de cada um e as possibilidades de sustentabilidade entre ambos, não apenas se restringindo ao momento, às necessidades urgentes, ao local, etc., mas ao futuro, e à escassez dos recursos, principalmente os esgotáveis e vendo o meio como um grande sistema que não se esgota apenas em si mesmo, no local, mas que reflete num todo que é o nosso planeta.

A luta pela construção de uma mentalidade voltada para o respeito a natureza e a garantia da qualidade de vida não deve encerra-se apenas nos movimentos e organizações ecológicas e ambientalistas, mas exige-se um pacto mais que urgente e necessário com a sociedade moderna da nossa atualidade, uma vez que o mundo social, com todas as suas instituições e consequentemente atribuições concretizam em si um papel por demais importante e que de fato deve ser cumprido, que é o de formar uma mentalidade hoje, aqui e agora comprometida com os caminhos do futuro (os homens mulheres, crianças, jovens e adultos) que com exemplos claros e práticos, através da família, da escola, dos grupos formais e informais a que têm acesso na sociedade atual, comecem desde já a construírem as bases da sociedade sustentável do futuro.

Considerar num projeto de desenvolvimento os aspectos político, econômico, institucional, tecnológico e cultural que permeiam a sociedade, é compreender a ligação existente entre cada deles e que só poderemos traçar, esboçar e colocar em prática uma sociedade com olhares para a atualidade e voltada para o futuro, quando de fato entendermos o emaranhado que se constituem as diversas realidades sociais e culturais existentes em nosso país.

Observando o sistema educacional brasileiro, o quanto os "pacotes" não condizem com o real, principalmente agora com os PCN (Parâmetros Curriculares Nacionais) elaborados em gabinetes por mentes tidas como iluminadas e distribuídos (quando os são, pois em muitos casos estão jogados nos depósitos empoeirados das secretarias municipais de educação, servido de alimento para as traças) para o batalhão de professores muitas vezes despreparados que nem sequer chegam a ler e quando isso acontece, em alguns casos se perdem no confronto entre o teórico e o prático, já que diante das dúvidas na aplicação da receita a equipe que a elaborou não está presente para discutir ou elucidar as interrogações, pois continuam nos seus gabinetes, esperando que da força de vontade e do dinamismo dos soldados deste exército educacional surja a novidade do deu ou está dando certo, uma vez que não existe por parte do governo um compromisso com o acompanhamento destes docentes, no sentido inclusive de desenvolver uma política de valorização profissional e salarial bem como de convencimento de que a luta e o direito a uma vida e um ambiente saudável deve ser um direito de todos; além de que, da maneira como os PCN's são apresentados, para uma país rico em diversidades e pluricultural os mesmos trazem uma visão uniforme da realidade, não privilegiando só para ilustrar, a diversidade sistêmica que é mundo rural.

Se a escola se constitue numa instituição por demais importante e que não pode se negar diante da construção de um projeto de sociedade sustentável já que está intrinsecamente ligada aos mais diversos contrastes existentes nesta, até por ser fruto dela, deve se comprometer com a formação dos seus alunos dentro de uma lógica de sistema enquanto complexidade como diz Edgar Morin2 "...esta ordem se alimenta da desordem para a sua própria organização, sem nunca esgotá-la totalmente, é, isso mesmo o sinal, o índice, da complexidade...". Portanto, compreender a nossa realidade local, o nosso mundo como um grande universo complexo e cheio de inter-relações é também um dos caminhos para entendermos o papel a ser desempenhado pela educação dentro de um modelo de desenvolvimento nestes moldes.

Assim como a educação, sabemos que a economia, a saúde, as relações sociais, o papel das instituições diversas e as tecnologias utilizadas em um país nascem das decisões políticas que norteiam os destinos de uma nação, sendo então mais que necessário, uma mudança de mentalidade dos que compõem esta parte da sociedade para que só então se possa desenvolver uma nova cultura , a cultura da ecologia humana., das relações humanas, do ambiente preservado, da educação ambiental, das cidades limpas, do saneamento ecológico, da preservação e uso racional dos recursos naturais, do controle de emissão de gases poluentes, do tratamento dos esgotos das fábricas e dos hospitais, da convivência harmônica do homem com a natureza, da criação de tecnologias não agressivas ao meio ambiente, da mudança de hábitos ecologicamente errados usados pela população, da possibilidade de se desenvolver uma boa qualidade de vida para todos, explorando ecologicamente as nossas potencialidades locais, criando e aproveitando as oportunidades que nos são dadas, defendendo-nos das ameaças, evitando os abusos do capital, exercendo a plenitude da cidadania, e enfim desfrutando dos bens nascidos do esforço e vontade de se construir o novo que vem a ser o desenvolvimento sustentável viável.

http://members.tripod.com/pedagogia/desenv_sust.htm


Educação Ambiental nas escolas

I
sabel Alves Pereira da Cunha
Professora efectiva da Escola Secundária José Falcão em Coimbra
Presidente da Direcção Nacional da Associação Portuguesa de Professores de Biologia e Geologia

Acordei a pensar no pedido que me fizeram de escrever um artigo sobre Educação Ambiental. Mas o que é a Educação Ambiental? Vejo-a como o fornecimento dos meios mais adequados para fomentar a adaptação e integração no seu meio ambiente, conhecendo o lugar que ocupa, as suas limitações, responsabilidades, direitos e deveres face à natureza.

Apeteceu-me um café. Como estava junto a um centro comercial, dirigi-me a uma pastelaria, abri a porta e recuei com a nuvem de fumo de tabaco que veio de lá de dentro. Fui a outro e a mais outro até que, no terceiro o ambiente estava respirável. Entrei e sentei--me olhando em volta. Entrou um casal já de idade com uma criancinha pela mão, que tinha escrita a palavra neto em cada gesto de preocupação e ternura com que era rodeada, Junto deles um cavalheiro acendeu um cigarro e incensou-os com gostosas baforadas.

Bom, mas é sobre educação ambiental que me pediram para falar!...

Ambiente!...Que ambiente? Qual o meio ambiente que nos rodeia?

Travei um diálogo interior:
— Será que já nem as crianças têm o direito de exigir que se respeite o ar que respiram?
— Ora! E quem mandou os avós levarem-na para um café? Ficassem em casa.
É isso!— As nossas crianças e os nossos jovens cada vez mais incentivados a ficar entre quatro paredes. Metem-se em creches e jardins de Infância e pronto! Aí estão elas devidamente enquadradas. E mais felizes?
E em casa? Qual é o ambiente nos dias em que não há aulas?
— Vai ver televisão! Não queres? Então vai jogar para o computador. Para que é que comprei a consola de jogos? Também não queres? Então vai ouvir música ou lê, mas deixa-me.
— O quê? Queres sair? Para onde? Com quem? Andar de bicicleta? Nem penses!... E os carros?

Não há dúvida. O meio ambiente da maioria das nossas crianças está confinado a quatro paredes. Afinal, a maioria dos portugueses vive em zonas urbanas. Urbanismo! Ora aí está algo que pode ajudar a melhorar o nosso ambiente. Mas, olhando à nossa volta vemos os prédios a “nascerem” encostados uns aos outros, sem um espaço envolvente adequado onde as crianças possam brincar em segurança, perto de casa, e as pessoas de idade possam passear e reunir com os amigos. Os nossos adolescentes, nos tempos livres, vão para os cafés, para os bares, para as discotecas, bebendo, fumando os cigarros uns dos outros e conversando ou então armam-se de paciência e atravessam a cidade até um dos pouquíssimos polos desportivos para, mediante pagamento, praticarem uma qualquer modalidade que lhes dê prazer.

Bem, mas nas escolas pode e deve estar a diferença. Podemos e devemos fazer educação ambiental, ensinando os nossos jovens a conhecerem, compreenderem, amarem e identificarem-se como parte da Natureza. A componente afectiva é importante e duradoura. Contudo, só se ama o que se conhece e compreende.

A educação ambiental pode ser feita de forma passiva, com a ajuda de livros, fotografias, cinema, vídeo. E essa forma de Educação ambiental será eficaz?

Surge-me a recordação daquele pequeno do 7.ºano de escolaridade que afirmava ter visto líquenes, mesmo quando confrontado com a fotografia do livro mostrando ramos de uma árvore cobertos deles. Saí com a turma de escola e, a três metros do portão, pedi ao pequeno que olhasse para uma das oliveiras que por ali havia:
— Nunca tinhas reparado nestes líquenes? Ao que ele respondeu:
— O quê? Mas é isto?
Não tinha conseguido ligar a imagem ao real.

A educação ambiental também pode ser feita de um modo activo, com a realização de actividades no terreno. Haverá então necessidades de lupas, binóculos, guias de campo, etc. As actividade relacionadas com aves são as que se têm revelado mais fáceis de executar.

Será verdade que, nalgumas zonas, se incentivou tanto a protecção às cegonhas que elas se reproduziram com tanto êxito que se vêem agora grupos a viver junto a lixeiras à cata de alimento para conseguirem sobreviver?

Não é fácil intervir com êxito na natureza: É necessário saber. Por isso, ninguém põe em causa que a educação ambiental é absolutamente necessária. Através dela é possível fazer o diagnóstico de situações concretas que podem pôr em risco a nossa sobrevivência ou, pelo menos, a nossa Saúde, identificar problemas reais e, então, utilizando os conhecimentos que a Ciência põe à nossa disposição, procurar soluções.

Ora, no ensino, os professores são veículos de transmissão de valores. Contudo só podemos transmitir a outrém, com eficácia, aquilo que sabemos, em que acreditamos e vivemos. Nesta medida, o professor deve reflectir sobre as suas práticas educativas e interrogar-se sobre os valores, atitudes e comportamentos que explícita ou implicitamente transmite. Assim, a concepção que o professor tem do ensino, da educação, da natureza, da pessoa humana e das relações desta com a natureza estão presentes na sua prática docente.

Lá vão as minhas recordações para a coleguinha de 9 anos do meu filho mais novo que, já lá vão tantos anos, apareceu em nossa casa e ficou fascinada com uns patinhos recém-nascidos, autênticas bolinhas amarelas e fôfas. A criança quis pegar num mas teve receio.
— Arranham? — perguntou.
Entre a vontade de lhes pegar e o receio de mexer em algo que não conhecia, tremia de ansiedade... mas não foi capaz de lhes tocar.
E aquele pequeno que exclama numa aula:
—Muito gostava de ver a árvore que dá as rosas. deve ser tão bonita!...
Isto em Coimbra, a cidade das rosas!...
E aquele outro que dizia:
— Feijões, vegetais? Está a brincar não está? Então eles não são feitos nas fábricas como a massa?

Quando se pensa na relação homem-natureza através dos tempos, vemos que se passou de um primitivo estado de humanidade face à natureza, onde o homem se integrava mas que não compreendia e receava, para um outro em que adquirimos conhecimentos que nos permitem actuar, alterar, transformar e manipular a natureza. Daí foi um passo até se encarar a Ciência como um poder. Conhecer a natureza para a dominar e pôr ao nosso serviço. Esquecemo-nos por vezes que somos parte integrante da natureza, que foi nela que irrompeu a Vida e que dela depende a nossa sobrevivência. Sem os Homens, a Vida continua! Queremos garantir a nossa sobrevivência não queremos que o progresso e o desenvolvimento ponham em causa a nossa existência, mas não nos podemos esquecer que ao longo da história da Terra muitas espécies desapareceram e muitas mais vão desaparecer. Se calhar, ninguém se importava muito que as moscas e mosquitos fossem banidos deste planeta. Mas as andorinhas importavam-se. Esperamos que não chegue o dia em que tenhamos de concluir que a vida na Terra ficava muito melhor se nós desaparecessemos como espécie!...

E as minhas recordações voam para o último Domingo em que com um filho, uma nora, dois netos e um cão fomos de carro até um povoado e dali partimos num passeio a pé por um bosque de eucaliptos (se não fosse de eucaliptos era de pinheiros, pois que outros bosques, fora algumas honrosas excepções, se encontram na nossa terra?). Tinha chovido há pouco tempo. Estava tudo molhado. De botas e bem agasalhados, metemos pelos caminhos abertos para corta-fogos. Poucas centenas de metros andando, deparámos com grandes cogumelos brancos, do tamanho de pratos, nascidos na beira do caminho. Lindos! Perfeitos!
— Uma aldeia de Schtrumpfs! — exclamou o mais novito.
Rimos e aproveitamos para explicar os cuidados a ter com estes seres por alguns serem venenosos. Observámo-los, fotografámos e seguimos em frente. Mais adiante, outro tufo de cogumelos no meio do caminho, mais pequenos mas cor-de-laranja. Um maior e outros em volta ainda envolvidos num véu. Lindos!
À nossa frente, grande cauda peluda levantada ao vento como uma bandeira, corria o cão para a frente e para trás extravagando a sua alegria. Os pequenos riam e corriam com ele.
Mais à frente uma encosta coberta de musgo. Tiraram um (só um) viram como era fácil a coifa e o opérculo e observaram as suas minúsculas “raízes” e “folhas”. Queriam uma lupa para verem melhor (para a próxima ninguém se esquece). Acharam graça aos termos filóides e rizóides e lá seguiram cantarolando a repetir essas palavras.
Outra encosta, agora forrada de selaginelas.
— Olha bem para elas! disse à neta mais velha. Apesar de tão pequenas, são bem mais complicadas do que os musgos. Um dia hás-de estudá-las.
A tarde declinava. Voltámos para trás. Apareceu alguma neblina. O Sol, quase no ocaso, inundava tudo de uma côr vermelha. Foi assim que vimos um caminho já sombrio terminar numa clareira de neblina vermelha. Parámos todos! Parecia irreal. Avançámos devagar e, na encosta iluminada pelo Sol, uma planta que de longe não conseguíamos identificar, tinha em cada folha uma gota que reflectia a luz vermelha do Sol. Eram os enfeites de Natal mais brilhantes e belos que já víramos. Mexendo ligeiramente a cabeça, os reflexos vermelhos dançavam com o movimento. Avançámos. Era uma encosta coberta de silvas. Rimos e regressámos cansados a casa.

É, sem dúvida, importante adquirirmos os conhecimentos que a ciência nos proporciona para podermos compreender, preocupar-nos e sermos intervenientes responsáveis, mas é preciso também viver, sentir e amar a natureza. Jovens criados entre quatro paredes, que da natureza só conhecem o que os filmes e vídeos lhes mostram, dificilmente podem ser sensibilizados para a problemática da educação ambiental.

http://www.sprc.pt/edambi.htm


O que é educação ambiental?  

 


Autor: Márcia Helena Quinteiro Leda - Engenheira Agrônoma Fonte: Educação ambiental - Marcos Reigota

O conceito de Educação Ambiental está diretamente relacionado ao de meio ambiente. Portanto, atentemos para o que seja Meio Ambiente:
É o lugar onde se vive, onde acontecem as relações dinâmicas entre os seres vivos e os aspectos naturais. Educação ambiental então, são as relações que se dão entre o homem e a natureza, sejam elas sociais, econômicas ou culturais.
A educação ambiental se torna um exercício para a cidadania.
Ela tem como objetivo a conscientização das pessoas em relação ao mundo em que vivem para que possam Ter cada vez mais qualidade de vida sem desrespeitar o meio ambiente natural que a cercam. Essa conscientização se dá a partir do conhecimento do seus recursos, os aspectos da fauna e da flora gerais e, específicos de cada região; e, os problemas ambientais causados pela exploração do homem, assim como Os aspectos culturais que vão se modificando com o passar do tempo e da mudança dos recursos naturais, como a extinção de algumas espécies por exemplo.
O maior objetivo é tentar criar uma nova mentalidade com relação a como usufruir dos recursos oferecidos pela natureza, criando assim um novo modelo de comportamento.
Esse novo paradigma deve estar relacionado com a postura das pessoas perante o lixo, as devastações florestais, as caçadas, etc.
A educação ambiental como o próprio nome diz leva as pessoas a terem mais competência e capacidades para avaliarem como suas atividades podem estar afetando o ambiente e as ajuda a buscarem soluções e novos caminhos e maneiras para beneficiar toda a comunidade.
Ela focaliza a todos: idosos, crianças, trabalhadores, etc. O trabalho com as crianças é muito importante, pois, elas não têm pré-conceitos sobre muitas coisas e por isso as informações são mais fáceis de serem recebidas e passam a fazer parte da formação dessas pessoas, das quais dependerá o planeta em muito pouco tempo.
Para atingir as crianças são oferecidas várias metodologias, como atividades lúdicas e artísticas, , participação em trilhas interpretativas, etc.
A educação ambiental é um exercício para a participação comunitária e não individualista.

 

http://www.filhosonline.com.br/educacao4.asp


Indico um site Português com ótimos artigos. Vale a pena!

http://www.ipamb.pt/cadernos.html


O Que é Educação Ambiental

Desde o primeiro momento em que os seres humanos começaram a interagir com o mundo ao seu redor e a ensinarem seus filhos a fazerem o mesmo, estava havendo educação e educação ambiental. Os povos nativos, por exemplo, desenvolveram uma percepção sofisticada dos sistemas naturais que os rodeiam e um profundo respeito por eles, passando esse conhecimento e respeito de geração em geração. Com o passar do tempo, mudaram as razões subjacentes e os modos de fazer isso.

Inicialmente, a relação com o meio ambiente estava ligada tão visceralmente à questão da sobrevivência que nenhuma outra razão era mais necessária. Tratava-se de uma relação que dizia respeito de como viver num mundo cuja natureza era externa e mais poderosa do que os homens, que os afetava mais do que era afetada por eles. Todos precisavam saber quais frutos serviam para comer, onde encontrar água durante a seca, como evitar onças, que plantas serviam como bons materiais de construção, faziam um bom fogo ou um bom remédio.

O conhecimento ambiental era também necessário para a proteção contra os ataques da natureza e para o aproveitamento das suas riquezas. Porém, a interação entre os homens e o ambiente ultrapassou a questão da simples sobrevivência. A natureza mostrou-se também fonte de alegria, beleza, identidade e status pessoal, de inspiração para a música, arte, religião e significado, enfim, valores internos e, perenes pelos quais se quer lutar:

Com a urbanização e evolução da civilização humana, a percepção da ambiente mudou drasticamente. A natureza começou a ocupar uma posição de subserviência em relação à humanidade. Passou a ser conhecida para que fosse dominada e explorada. A parte da natureza considerada inútil era estudada basicamente para satisfazer a curiosidade das pessoas a respeito do seu mundo. o estudo do meio ambiente tornou-se, ou uma ciência prática de extração de recursos, ou " um estudo do mundo natural" - catálogo e descrições das maravilhas naturais. Nos dois casos, a natureza era considerada como algo separado e inferior à sociedade humana.

No entanto, até mesmo essa motivação manipulativa tem seu lado transcendente. O crescente conhecimento científico revelou cada vez mais maravilhas - o código genético contido nas moléculas do DNA no núcleo da célula, a interdependência equilibrada de toda as espécies numa floresta tropical, a expansão do universo e a aparente singularidade, fragilidade e isolamento do nosso planeta, tão bem estruturado e capaz de produzir a vida. A admiração também foi transmitida a cada nova geração.

A educação formal institucionalizou-se através das escolas. Que configurando-se como educação ambiental, passou a figurar em muitos tópicos de programas e em muitas disciplinas, mas firmou suas bases especialmente nas ciências. Havia uma esperança não expressa de que todas as ciências, quando se interligassem, iriam compor um quadro completo de como o planeta funciona e de como os seres humanos podem interagir com ele de maneira proveitosa.

Porém, como o volume de informações a ser aprendida em cada ciência crescesse e as pessoas se especializassem cada vez mais, ninguém pôde reunir todas as disciplinas para uma visão total do planeta, muito menos para compreensão de sua interação com os sistemas culturais e econômicos da humanidade. Além do mais, no fim dos anos sessenta e início dos anos setenta muitos problemas ambientais reais e urgentes tornaram-se avassaladoramente gritantes. Desertos foram se espalhando, a poluição do ar ameaçava a saúde dos moradores das cidades, lagos secavam, os solos erodiam.

Muitos desses problemas transcendiam as fronteiras nacionais; eram o resultado do desarranjo de processos ambientais regionais ou mesmo globais, devido a enormes impactos causados pela sociedade humana. Esses problemas não se encaixaram em projetos educativos ou disciplinas científicas isoladas; eles ilustraram o fato de que a vida humana depende de processos naturais complexos, interconectados, de larga escala, que não podem absorver uma quantidade ilimitada de abusos.

Assim, para que esses processos se desenvolvam bem, precisamos começar a entendê-los melhor e a redirecionar as atividades humanas levando-os em conta. A natureza passou a ser vista como algo afetado, em geral de maneira desastrosa, pela sociedade humana que, por sua vez, tornou-se a agressora do ambiente - sua vítima. Aí, o conhecimento tornou-se necessário para proteger a natureza e corrigir os erros ecológicos.

Todas essas razões históricas para a educação ambiental ainda são válidas. As pessoas continuam precisando compreender as funções ambientais básicas, a fim de produzirem alimentos, encontrarem água e adaptarem-se ao clima. Precisam compreender a ciência e a tecnologia para modelarem e perpetuarem as positivas conquistas do mundo moderno. E precisam gerenciar a saúde do ambiente e protegê-lo contra ataques insensatos. Porém, uma razão mais completa e construtiva para a educação ambiental está surgindo da combinação de todas as outras razões. A educação ambiental é necessária para o gerenciamento criterioso deste binômio totalmente interdependente: economia/ambiente.

Sociedade e natureza, de fato, interagem afetando-se mútua e eqüitativamente, porém, ambas vitalmente importantes; crescem ou desaparecem juntas. Os seres humanos não são vítimas, nem senhores da natureza, mas guardiões de algo que não deve ser explorado irracionalmente, nem permanecer totalmente intocado. Compreender isso é necessário para promover as ações, invenções e organizações sociais que respeitem a viabilidade, estabilidade e produtividade, tanto da sociedade humana como dos sistemas naturais nos seus milhares de interações. A Carta de Belgrado, escrita em 1975 por vinte especialistas em educação ambiental de todo o mundo, declara que a meta da educação ambiental é:

Desenvolver um cidadão consciente do ambiente total ( preocupado com os problemas associados a esse ambiente e que tenha o conhecimento, as atitudes motivações, envolvimento e habilidades para trabalhar individual e coletivamente em busca de soluções para resolver os problemas atuais e prevenir os futuros. Esse objetivo já é em si um motivo suficiente para qualquer nação promover a educação ambiental. Qual o país que não precisa de um cidadão como esse? Mas existem ainda outras boas razões, em muitos níveis, para que um país promova seriamente a Educação Ambiental a saber:

Aprender, partindo dos exemplos de outros, a evitar seus erros e imitar seus sucessos;

Prever e evitar desastres ambientais, especialmente aqueles irreversíveis;

Fazer render ao máximo os recursos naturais com que o país foi dotado: administrar esses dons de modo eficiente, produtivo e sustentável:

Ser capaz de implementar políticas como o reflorestamento, a reciclagem ou o planejamento familiar, que requerem a cooperação de todas as pessoas:

Economizar dinheiro, evitando os danos ambientais no lugar de ter de repará-los posteriormente;

Desenvolver a opinião pública no sentido de evitar o pânico e o exagero, porém respeitando a verdadeira urgência das questões;

Permitir que as pessoas se tornem cidadãos informados e produtivos do mundo moderno;

Assegurar um ambiente enriquecedor que dê segurança e alegria às pessoas, ao qual elas se sintam econômica, emocional e espiritualmente conectadas.

Texto Extraído do documento: "Conceitos para Fazer Educação Ambiental"
Secretaria de Estado do Meio Ambiente de São Paulo

http://www.bio2000.hpg.com.br/oqueeea.htm

 

 

Espírito da Natureza

 

"Acariciando o tronco daquela árvore,

companheira de anos, por mim semeada

e cultivada, falei:

Não quis me apegar à você.

Nem quero que se apegue agora à mim.

Por isso não me chego muito,

para que não soframos

quando um de nós partir.

 

Surpreendentemente ela me pergunta:

Isto é uma despedida?

Eu respondi: não...

não é uma despedida. Apenas uma proteção

para evitar futuros sofrimentos.

 

Deixas, então, de me amar para não sofrer

e não vês que perdes momentos preciosos?...

Este amor que deixas de doar te separa da divindade.

Tornas-te desconectada da essência mãe.

Reflita!

 

Eu, estou suprida pela mãe natureza.

Ela me ensina a amar a todos,

não somente à ti.

E se um dia partires, não estarei só.

Estarás comigo,

em alguma partícula do Universo.

 

Poderás descer à mim

em gotas de chuva ou através da luz do sol,

nas cores que puderes estar...

E eu não sofrerei

porque te encontrarei sempre.

Para mim te tornaste eterna.

 

A natureza me ensinou a amar a tudo e a todos

E eu amo as nuvens, o sol, as estrelas, os pássaros

Então se um dia, alguém estiver ausente,

não estarei só.

 

Dá-me teu amor,

sem receios de um dia eu também te faltar

Encontrarás sempre no Universo,

uma continuação minha.

 

Nós, as árvores, escutamos

quando a natureza nos fala.

Os seres mais evoluídos perderam um

tanto da esssência divina que lhes falava.

Nós somente existimos, sentimos, doamos e agradecemos."

 

Enviada por Silvia Maria Daros


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Projeto Apoema - Educação Ambiental

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