InformaLista
O Informativo da lista “Educação
Ambiental”
Alguns textos apresentados na Lista de Discussão do Projeto Apoema - Educação Ambiental (Antigo Projeto Vida – Educação Ambiental)
Os textos não passaram por revisão ortográfica, portanto, podem haver erros.
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ATIVIDADES DE SENSIBILIZAÇÃO EM EDUCAÇÃO AMBIENTAL |
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1. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA Considerando que o ser
humano é um ser de ação e relação e não pode ser percebido fora
de suas relações com os outros e com o mundo, ele é capaz de
transformar-se e de transformar a sua realidade. Dentro desta visão,
a característica metodológica inerente aos processos pedagógicas
para a abordagem da Educação Ambiental está baseada principalmente
na participação. Participar se aprende exercendo o direito da
cidadania, e o exercício desse direito se dá nas mais variadas
formas e níveis. A participação não se dá de forma espontânea,
mas a partir do aprendizado, principalmente resgatando-se valores
humanos como solidariedade, ética, respeito pela vida,
responsabilidade, honestidade, amizade, altruísmo, democracia, entre
outros. 2. METODOLOGIA Para que uma Atividade de Sensibilização seja aplicada da melhor maneira possível, de forma a atingir plenamente os objetivos a que se propõe, sugere-se a seguinte metodologia: 2.1. DIAGNÓSTICO Considera-se um indivíduo
sensibilizado quando se emociona pelo objeto e, através das informações
recebidas, redireciona (repensa) suas atitudes e ações de forma a
manter o equilíbrio sincrônico do meio em que vive. Para tanto, é
importante ressaltar que sensibilizar é cativar os participantes para
que suas mentes se tornem receptivas às informações a serem
transmitidas posteriormente, sendo esta a primeira etapa a ser
diagnosticada em um processo de sensibilização. 2.2. SELEÇÃO DE ATIVÍDADES DE SENSIBILIZAÇÃO A partir do diagnóstico, da tema a ser abordado e do objetivo do orientador e do grupo, deverão ser selecionadas técnicas e métodos adequadas para desenvolvimento junto aos participantes. 2.3. OPERACIONALIZAÇÃO DAS ATIVIDADES Consiste na aplicação das técnicas ou métodos selecionados, com a finalidade de sensibilizar os participantes, promovendo a sua integração e reflexão sobre o tema proposto na atividade. 2.4 REFLEXÃO A experiência vivida na Atividade de Sensibilização possibilita a reflexão sobre os temas e fatores abordados. Nesse momento os participantes poderão expor a sua vivência, relatando o que sentiram durante a atividade. A sensibilidade permite perceber o valor de gestos e atitudes, e isso normalmente permite que se usufrua de um notável bem-estar que será melhor compreendido através da experiência em si. 2.5 AVALIAÇÃO A partir da reflexão, o orientador observará se os relatos dos participantes estão de acordo com os objetivos propostos pela Atividade de Sensibilização, o que lhe permitirá verificar se os mesmos foram ou não atingidos. 3. CONSIDERAÇÕES
Visando, então, a Sensibilização é que se propõe o presente trabalho. 4. EXEMPLOS DE ATIVIDADES DE SENSIBILIZAÇÃO Descreve-se a seguir algumas dinâmicas realizadas pelo Grupo de Estudos de Educação Ambiental, cuja metodologia das reuniões inclui a aplicação de uma Atividade de Sensibilização no início de cada encontro. 4.1. CAMINHADA PERCEPTVA
4.2 TOCAR, SENTIR, REPRESENTAR
4.3. RECONHECENDO SUA FOLHA
Todos os elementos
existentes no meio ambiente são importantes e merecedores de
respeito. Embora muitos elementos possam parecer insignificantes, cada
um deles possui a sua função dentro do sistema e é de fundamental
importância para a manutenção do equilíbrio.
4.4. A TEIA DA VIDA
O material necessário
para a vida - água, oxigênio, carbono, nitrogênio, etc. - passa
através de ciclos biogeoquímicos que mantêm a sua pureza e a sua
disponibilidade para os seres vivos. Esses ciclos, formam um complexo
mecanismo de controle que mantém as condições essenciais à
auto-sustentação dos seres vivos. Esses mecanismos de controle são
mediados pela vida em si, ou seja, os organismos vivos, através das
suas funções, atuam de certa forma na manutenção daquelas condições.
4.5 CIRCULO DO EQUILÍBRIO
O mundo é organizado
em sistemas que são formadas por três componentes: elementos,
interconexões e funções. Os sistemas são mais do que a soma de
suas partes. São dominados pelas suas inter-relações e seus propósitos,
e organizados segundo uma hierarquia. Qualquer alteração, provocada
por causas naturais ou não, afeta o equilibro do sistema. Esse
sistema, então, procurará um novo equilibro, que poderá ou não ter
a mesma forma.
4.6 O VALOR DA ÁGUA
"... em um reino
muito distante, havia uma jovem e linda princesa que havia se
apaixonado e queria se casar com um plebeu que, embora pobre, em muito
bom e corajoso. O pai da princesa, que, por sinal em o Rei, em muito sábio
e bom para o seu povo, mas não queria que ela se casasse com aquele
rapaz, porque, como todo pai, achava que sabia o que em melhor para a
sua filha. Como a princesa insistisse muito, o rei resolveu dar uma
chance ao jovem casal: para provar ser merecedor da princesa, o plebeu
teria que cumprir uma missão. 3. Neste ponto da estória, a orientador transfere o problema para cada um dos participantes, colocando nas mãos de cada pessoa um pouco de água, e lembrando que essa água que eles têm nas mãos é a última chance que a plebeu tem de se casar com a princesa e, ao mesmo tempo, salvar o reino da falta de água. Ou seja, eles não podem perdê-la e devem defendê-la com todas as suas forças.
A água é um bem precioso, indispensável para a vida no planeta. Pode ser encontrada na natureza nos estados sólido (geleiras), liquido (nos mares e lagos) e gasoso (vapor), cobrindo cerca de 70% da superfície da Terra. Entretanto desse total, apenas 3% são de água doce, incluindo-se ai as geleiras, que estão indisponíveis para consumo. Como um exemplo comparativo, se toda a água existente na Terra coubesse em uma garrafa de refrigerante de 2 litros, o que poderia ser aproveitado para consumo humano seria metade do volume da tampa da garrafa. Assim. a água não pode mais ser tratada como um recurso inesgotável. Ela vem se tornando, ao longo do tempo, um bem raro e caro, cujo desperdício e mau uso pode trazer graves conseqüências para o futuro. - uma torneira aberta deixa correr pelo ralo 12 a 20 litros de água por minuto. - se a torneira é deixada aberta enquanto se escova os dentes, 38 litros de água escoam pelo ralo. Se a torneira for aberta só para enxaguar a boca e lavar a escova, serão usados apenas 2 litros de água. Nesta atividade, percebe-se que a água necessariamente, sempre irá escapar por entre os dedos das pessoas. A única maneira de impedir ou, pelo menos, retardar a perda da água é através da cooperação entre os participantes. Se cada pessoa colocar as suas mãos abaixo das mãos de outra pessoa, tentando segurar a água que escorre do colega acima, a perda coletiva será menor e sempre deverá permanecer um pouco de água no grupo. Isso demonstra claramente os benefícios da atuação coletiva na busca de um objetivo. * Trabalho do grupo de estudos de Educação Ambiental da Universidade Livre do Meio Ambiente |
Lições de Rubem Alves... (Valter José de Almeida)
A pouco tempo descobri Rubem Alves na minha vida. Fiquei fã de carteirinha....... Ele me foi apresentado em um ciclo de estudos em educação ambiental que fiz em Piracicaba. Fizemos um reflexão sobre de um texto ( O olhar adulto – A festa de Maria), que abordava a "cegueira" dos adultos em relação ao nosso dia-a-dia, onde muitos momentos mágicos são simplesmente ignorados.
Para quem ainda não conhece Rubens Alves, ele é um mineiro, bacharel em Teologia. e psicanalista. É professor da Unicamp e mora em Campinas e dedica boa parte do tempo à escritura de crônicas e artigos. É autor de vários livros, dentre os quais se destacam: O retorno e terno, O quarto mistério, Sobre o tempo e a eternidade, A festa de Maria, Cenas da vida, E aí? Cartas aos adolescentes e a seus pais, A alegria de ensinar, Conversas com quem gosta de ensinar, Estórias de quem gosta de ensinar e Navegando. Também escreve livros infantis: A menina e o pássaro encantado, A pipa e a flor e O passarinho engaiolado.
Li recentemente "A alegria de ensinar",Ars Poetica Editora . Como educador não poderia de deixar de divulgar algumas frases desse livro, que me fez repensar a educação que aprendi e que ensino. Vale a pena conferir!!!
"Ensinar é um exercício de imortalidade. De alguma forma continuamos a viver naqueles cujos os olhos aprenderam ver o mundo pela magia da nossa palavra. O professor, assim, não morre jamais......."
" Alegria está no jardim que se planta, na criança que ensina, no livrinho que se escreve."
"Os métodos clássicos de tortura escolar como a palmatória e a vara já foram abolidos. Mas poderá haver sofrimento maior para uma criança ou um adolescente que ser forçado a mover-se num floresta de informações que ele não consegue compreender, e que nenhuma relação parece ter com sua vida?"
"Onde está a sabedoria que perdemos do conhecimento?"
"Lembrem-se de que vocês são pastores da alegria, e que a sua responsabilidade primeira é definida por um rosto que lhes faz um pedido: por favor, me ajude a ser feliz......."
"Quanto maior o conhecimento, menor a sabedoria."
" O corpo não suporta carregar o peso de um conhecimento morto que ele não consegue integrar com a vida."
"O saber sedimentado nos poupa dos riscos da aventura de pensar"
‘Haverá um dia em que os alunos serão avaliados também pela ousadia de seus vôos."
" A aprendizagem é assim: para se aprender de um lado há que esquecer do outro. Toda aprendizagem produz o esquecimento."
"A sabedoria mora no esquecimento."
"As crianças são seres oníricos, seus pensamentos têm asas. Querem brincar. Como as vacas de olhos mansos, são belas, mas inúteis. E a sociedade não tolera inutilidade. Tudo tem de ser transformado em lucro. Como as vacas, elas têm de passar pelo moedor do carne, assim como os seus corpos e pensamentos passam pelas redes curriculares. Todas são transformadas num pasta homogênea. Estão preparadas para se tornarem socialmente úteis."
"Não é de se admirar que as pessoas passem as suas vidas com a estranha sensação de que não era bem aquilo que desejavam. Elas foram transformadas em algumas coisas diferentes dos seus sonhos, e esta traição as condenou à infelicidade."
"O objetivo da vida é ser criança."
"É preciso esquecer o aprendido que nos fez adultos para se ver o mundo com outros olhos".
"Pensar é voar. Voar com o pensamento é sonhar."
"O pensamento é o trabalho que faz viver em nós aquilo que não existe."
"O professor é aquele que ensina a criança fazer flutuar suas bolinhas de vidro dentro das bolhas de sabão."
"Hoje, nas relações de trocas entre os países, o bem mais caro, o bem mais cuidadosamente guardado, o bem que não se vende, são as idéias. É com as idéias que o mundo é feito."
"O pensamento é como a águia que só alça vôo nos espaços vazios do desconhecido. Pensar é voar sobre o que não se sabe."
" A tarefa primordial do professor: seduzir o aluno para que ele deseje e, desejando, aprenda."
"O seu saber é um pássaro engaiolado, que pula de poleiro a poleiro, e que você leva para onde quer. Mas dos sonhos saem pássaros selvagens, que nenhuma educação pode domesticar".
"Todo conhecimento começa com o sonho. O conhecimento nada mais é que a aventura pelo mar desconhecido, em busca da terra sonhada. Mas sonhar é coisa que não se ensina. Brota das pronfundezas do corpo, como a água brota das profundezas da terra."
"Todo ato de criação é magia."
"As escolas: imensas oficinas, ferramentas de todos os tipos, capazes dos maiores milagres. Mas de nada valem para aqueles que não sabem sonhar."
"Os educadores, antes de serem especialistas em ferramentas do saber, deveriam ser especialistas em amor: intérpretes dos sonhos."
Para se pensar o desenvolvimento sustentável
Por Edmerson dos Santos Reis
Desde a culminação da revolução industrial até os dias atuais, o modelo de desenvolvimento implantado pelas nações sempre foi idealizado sem se levar em conta o respeito à natureza, à qualidade de vida da humanidade e do impacto causado por este sobre a realidade e as condições sociais das populações envolvidas, levando o nosso planeta a atual situação de degradação e devastação ambiental, pobreza e miséria, espalhando assim um imenso caos, principalmente nos países subdesenvolvidos, que ao longo da história foram explorados por tecnologias ambientalmente poluentes e desastrosas, pensadas e testadas pelos países exploradores nessas nações pobres, que diante das suas restrições, foram utilizadas como "cobaias" durante todo este século que agora se encerra.Ao se pensar em um modelo de desenvolvimento que não repita os males e práticas ainda existentes e que possa amenizar os danos causados ao planeta terra no decorrer da história, temos que colocar acima de tudo e principalmente, o Ser Humano, o Ambiente e a Sociedade, pois só assim poderemos atingir os outros aspectos que permeiam todos estes (o social, ambiental, econômico, político, institucional, tecnológico e o cultural), utilizando-os como referenciais e pontos de partida, já que são as ferramentas e elementos necessários que devem ser considerados na construção de qualquer modelo de desenvolvimento sustentável que sirva para todas as gerações, não deixando que apenas as gerações atuais usufruam dos seus frutos, mas que estes também sejam garantidos aos que ainda estão por vir, possibilitando a continuidade dos recursos naturais disponíveis e consequentemente da vida em nosso planeta.
A relação Ser Humano x Ambiente deve ser realizada de maneira a ter-se sempre como meta os limites de cada um e as possibilidades de sustentabilidade entre ambos, não apenas se restringindo ao momento, às necessidades urgentes, ao local, etc., mas ao futuro, e à escassez dos recursos, principalmente os esgotáveis e vendo o meio como um grande sistema que não se esgota apenas em si mesmo, no local, mas que reflete num todo que é o nosso planeta.
A luta pela construção de uma mentalidade voltada para o respeito a natureza e a garantia da qualidade de vida não deve encerra-se apenas nos movimentos e organizações ecológicas e ambientalistas, mas exige-se um pacto mais que urgente e necessário com a sociedade moderna da nossa atualidade, uma vez que o mundo social, com todas as suas instituições e consequentemente atribuições concretizam em si um papel por demais importante e que de fato deve ser cumprido, que é o de formar uma mentalidade hoje, aqui e agora comprometida com os caminhos do futuro (os homens mulheres, crianças, jovens e adultos) que com exemplos claros e práticos, através da família, da escola, dos grupos formais e informais a que têm acesso na sociedade atual, comecem desde já a construírem as bases da sociedade sustentável do futuro.
Considerar num projeto de desenvolvimento os aspectos político, econômico, institucional, tecnológico e cultural que permeiam a sociedade, é compreender a ligação existente entre cada deles e que só poderemos traçar, esboçar e colocar em prática uma sociedade com olhares para a atualidade e voltada para o futuro, quando de fato entendermos o emaranhado que se constituem as diversas realidades sociais e culturais existentes em nosso país.
Observando o sistema educacional brasileiro, o quanto os "pacotes" não condizem com o real, principalmente agora com os PCN (Parâmetros Curriculares Nacionais) elaborados em gabinetes por mentes tidas como iluminadas e distribuídos (quando os são, pois em muitos casos estão jogados nos depósitos empoeirados das secretarias municipais de educação, servido de alimento para as traças) para o batalhão de professores muitas vezes despreparados que nem sequer chegam a ler e quando isso acontece, em alguns casos se perdem no confronto entre o teórico e o prático, já que diante das dúvidas na aplicação da receita a equipe que a elaborou não está presente para discutir ou elucidar as interrogações, pois continuam nos seus gabinetes, esperando que da força de vontade e do dinamismo dos soldados deste exército educacional surja a novidade do deu ou está dando certo, uma vez que não existe por parte do governo um compromisso com o acompanhamento destes docentes, no sentido inclusive de desenvolver uma política de valorização profissional e salarial bem como de convencimento de que a luta e o direito a uma vida e um ambiente saudável deve ser um direito de todos; além de que, da maneira como os PCN's são apresentados, para uma país rico em diversidades e pluricultural os mesmos trazem uma visão uniforme da realidade, não privilegiando só para ilustrar, a diversidade sistêmica que é mundo rural.
Se a escola se constitue numa instituição por demais importante e que não pode se negar diante da construção de um projeto de sociedade sustentável já que está intrinsecamente ligada aos mais diversos contrastes existentes nesta, até por ser fruto dela, deve se comprometer com a formação dos seus alunos dentro de uma lógica de sistema enquanto complexidade como diz Edgar Morin2 "...esta ordem se alimenta da desordem para a sua própria organização, sem nunca esgotá-la totalmente, é, isso mesmo o sinal, o índice, da complexidade...". Portanto, compreender a nossa realidade local, o nosso mundo como um grande universo complexo e cheio de inter-relações é também um dos caminhos para entendermos o papel a ser desempenhado pela educação dentro de um modelo de desenvolvimento nestes moldes.
Assim como a educação, sabemos que a economia, a saúde, as relações sociais, o papel das instituições diversas e as tecnologias utilizadas em um país nascem das decisões políticas que norteiam os destinos de uma nação, sendo então mais que necessário, uma mudança de mentalidade dos que compõem esta parte da sociedade para que só então se possa desenvolver uma nova cultura , a cultura da ecologia humana., das relações humanas, do ambiente preservado, da educação ambiental, das cidades limpas, do saneamento ecológico, da preservação e uso racional dos recursos naturais, do controle de emissão de gases poluentes, do tratamento dos esgotos das fábricas e dos hospitais, da convivência harmônica do homem com a natureza, da criação de tecnologias não agressivas ao meio ambiente, da mudança de hábitos ecologicamente errados usados pela população, da possibilidade de se desenvolver uma boa qualidade de vida para todos, explorando ecologicamente as nossas potencialidades locais, criando e aproveitando as oportunidades que nos são dadas, defendendo-nos das ameaças, evitando os abusos do capital, exercendo a plenitude da cidadania, e enfim desfrutando dos bens nascidos do esforço e vontade de se construir o novo que vem a ser o desenvolvimento sustentável viável.
http://members.tripod.com/pedagogia/desenv_sust.htm
Acordei a pensar no pedido que me fizeram de escrever um artigo sobre Educação Ambiental. Mas o que é a Educação Ambiental? Vejo-a como o fornecimento dos meios mais adequados para fomentar a adaptação e integração no seu meio ambiente, conhecendo o lugar que ocupa, as suas limitações, responsabilidades, direitos e deveres face à natureza.
Apeteceu-me um café. Como estava junto a um centro comercial, dirigi-me a uma pastelaria, abri a porta e recuei com a nuvem de fumo de tabaco que veio de lá de dentro. Fui a outro e a mais outro até que, no terceiro o ambiente estava respirável. Entrei e sentei--me olhando em volta. Entrou um casal já de idade com uma criancinha pela mão, que tinha escrita a palavra neto em cada gesto de preocupação e ternura com que era rodeada, Junto deles um cavalheiro acendeu um cigarro e incensou-os com gostosas baforadas.
Bom, mas é sobre educação ambiental que me pediram para falar!...
Ambiente!...Que ambiente? Qual o meio ambiente que nos rodeia?
Travei um diálogo interior:
— Será que já nem as crianças têm o direito de exigir que se respeite o ar
que respiram?
— Ora! E quem mandou os avós levarem-na para um café? Ficassem em casa.
É isso!— As nossas crianças e os nossos jovens cada vez mais incentivados a
ficar entre quatro paredes. Metem-se em creches e jardins de Infância e pronto!
Aí estão elas devidamente enquadradas. E mais felizes?
E em casa? Qual é o ambiente nos dias em que não há aulas?
— Vai ver televisão! Não queres? Então vai jogar para o computador. Para
que é que comprei a consola de jogos? Também não queres? Então vai ouvir música
ou lê, mas deixa-me.
— O quê? Queres sair? Para onde? Com quem? Andar de bicicleta? Nem penses!...
E os carros?
Não há dúvida. O meio ambiente da maioria das nossas crianças está confinado a quatro paredes. Afinal, a maioria dos portugueses vive em zonas urbanas. Urbanismo! Ora aí está algo que pode ajudar a melhorar o nosso ambiente. Mas, olhando à nossa volta vemos os prédios a “nascerem” encostados uns aos outros, sem um espaço envolvente adequado onde as crianças possam brincar em segurança, perto de casa, e as pessoas de idade possam passear e reunir com os amigos. Os nossos adolescentes, nos tempos livres, vão para os cafés, para os bares, para as discotecas, bebendo, fumando os cigarros uns dos outros e conversando ou então armam-se de paciência e atravessam a cidade até um dos pouquíssimos polos desportivos para, mediante pagamento, praticarem uma qualquer modalidade que lhes dê prazer.
Bem, mas nas escolas pode e deve estar a diferença. Podemos e devemos fazer educação ambiental, ensinando os nossos jovens a conhecerem, compreenderem, amarem e identificarem-se como parte da Natureza. A componente afectiva é importante e duradoura. Contudo, só se ama o que se conhece e compreende.
A educação ambiental pode ser feita de forma passiva, com a ajuda de livros, fotografias, cinema, vídeo. E essa forma de Educação ambiental será eficaz?
Surge-me a recordação daquele pequeno do 7.ºano
de escolaridade que afirmava ter visto líquenes, mesmo quando confrontado com a
fotografia do livro mostrando ramos de uma árvore cobertos deles. Saí com a
turma de escola e, a três metros do portão, pedi ao pequeno que olhasse para
uma das oliveiras que por ali havia:
— Nunca tinhas reparado nestes líquenes? Ao que ele respondeu:
— O quê? Mas é isto?
Não tinha conseguido ligar a imagem ao real.
A educação ambiental também pode ser feita de um modo activo, com a realização de actividades no terreno. Haverá então necessidades de lupas, binóculos, guias de campo, etc. As actividade relacionadas com aves são as que se têm revelado mais fáceis de executar.
Será verdade que, nalgumas zonas, se incentivou tanto a protecção às cegonhas que elas se reproduziram com tanto êxito que se vêem agora grupos a viver junto a lixeiras à cata de alimento para conseguirem sobreviver?
Não é fácil intervir com êxito na natureza: É necessário saber. Por isso, ninguém põe em causa que a educação ambiental é absolutamente necessária. Através dela é possível fazer o diagnóstico de situações concretas que podem pôr em risco a nossa sobrevivência ou, pelo menos, a nossa Saúde, identificar problemas reais e, então, utilizando os conhecimentos que a Ciência põe à nossa disposição, procurar soluções.
Ora, no ensino, os professores são veículos de transmissão de valores. Contudo só podemos transmitir a outrém, com eficácia, aquilo que sabemos, em que acreditamos e vivemos. Nesta medida, o professor deve reflectir sobre as suas práticas educativas e interrogar-se sobre os valores, atitudes e comportamentos que explícita ou implicitamente transmite. Assim, a concepção que o professor tem do ensino, da educação, da natureza, da pessoa humana e das relações desta com a natureza estão presentes na sua prática docente.
Lá vão as minhas recordações para a
coleguinha de 9 anos do meu filho mais novo que, já lá vão tantos anos,
apareceu em nossa casa e ficou fascinada com uns patinhos recém-nascidos, autênticas
bolinhas amarelas e fôfas. A criança quis pegar num mas teve receio.
— Arranham? — perguntou.
Entre a vontade de lhes pegar e o receio de mexer em algo que não conhecia,
tremia de ansiedade... mas não foi capaz de lhes tocar.
E aquele pequeno que exclama numa aula:
—Muito gostava de ver a árvore que dá as rosas. deve ser tão bonita!...
Isto em Coimbra, a cidade das rosas!...
E aquele outro que dizia:
— Feijões, vegetais? Está a brincar não está? Então eles não são feitos
nas fábricas como a massa?
Quando se pensa na relação homem-natureza através dos tempos, vemos que se passou de um primitivo estado de humanidade face à natureza, onde o homem se integrava mas que não compreendia e receava, para um outro em que adquirimos conhecimentos que nos permitem actuar, alterar, transformar e manipular a natureza. Daí foi um passo até se encarar a Ciência como um poder. Conhecer a natureza para a dominar e pôr ao nosso serviço. Esquecemo-nos por vezes que somos parte integrante da natureza, que foi nela que irrompeu a Vida e que dela depende a nossa sobrevivência. Sem os Homens, a Vida continua! Queremos garantir a nossa sobrevivência não queremos que o progresso e o desenvolvimento ponham em causa a nossa existência, mas não nos podemos esquecer que ao longo da história da Terra muitas espécies desapareceram e muitas mais vão desaparecer. Se calhar, ninguém se importava muito que as moscas e mosquitos fossem banidos deste planeta. Mas as andorinhas importavam-se. Esperamos que não chegue o dia em que tenhamos de concluir que a vida na Terra ficava muito melhor se nós desaparecessemos como espécie!...
E as minhas recordações voam para o último
Domingo em que com um filho, uma nora, dois netos e um cão fomos de carro até
um povoado e dali partimos num passeio a pé por um bosque de eucaliptos (se não
fosse de eucaliptos era de pinheiros, pois que outros bosques, fora algumas
honrosas excepções, se encontram na nossa terra?). Tinha chovido há pouco
tempo. Estava tudo molhado. De botas e bem agasalhados, metemos pelos caminhos
abertos para corta-fogos. Poucas centenas de metros andando, deparámos com
grandes cogumelos brancos, do tamanho de pratos, nascidos na beira do caminho.
Lindos! Perfeitos!
— Uma aldeia de Schtrumpfs! — exclamou o mais novito.
Rimos e aproveitamos para explicar os cuidados a ter com estes seres por alguns
serem venenosos. Observámo-los, fotografámos e seguimos em frente. Mais
adiante, outro tufo de cogumelos no meio do caminho, mais pequenos mas
cor-de-laranja. Um maior e outros em volta ainda envolvidos num véu. Lindos!
À nossa frente, grande cauda peluda levantada ao vento como uma bandeira,
corria o cão para a frente e para trás extravagando a sua alegria. Os pequenos
riam e corriam com ele.
Mais à frente uma encosta coberta de musgo. Tiraram um (só um) viram como era
fácil a coifa e o opérculo e observaram as suas minúsculas “raízes” e
“folhas”. Queriam uma lupa para verem melhor (para a próxima ninguém se
esquece). Acharam graça aos termos filóides e rizóides e lá seguiram
cantarolando a repetir essas palavras.
Outra encosta, agora forrada de selaginelas.
— Olha bem para elas! disse à neta mais velha. Apesar de tão pequenas, são
bem mais complicadas do que os musgos. Um dia hás-de estudá-las.
A tarde declinava. Voltámos para trás. Apareceu alguma neblina. O Sol, quase
no ocaso, inundava tudo de uma côr vermelha. Foi assim que vimos um caminho já
sombrio terminar numa clareira de neblina vermelha. Parámos todos! Parecia
irreal. Avançámos devagar e, na encosta iluminada pelo Sol, uma planta que de
longe não conseguíamos identificar, tinha em cada folha uma gota que reflectia
a luz vermelha do Sol. Eram os enfeites de Natal mais brilhantes e belos que já
víramos. Mexendo ligeiramente a cabeça, os reflexos vermelhos dançavam com o
movimento. Avançámos. Era uma encosta coberta de silvas. Rimos e regressámos
cansados a casa.
É, sem dúvida, importante adquirirmos os conhecimentos que a ciência nos proporciona para podermos compreender, preocupar-nos e sermos intervenientes responsáveis, mas é preciso também viver, sentir e amar a natureza. Jovens criados entre quatro paredes, que da natureza só conhecem o que os filmes e vídeos lhes mostram, dificilmente podem ser sensibilizados para a problemática da educação ambiental.
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Autor: Márcia Helena Quinteiro Leda - Engenheira Agrônoma Fonte: Educação ambiental - Marcos Reigota O
conceito de Educação Ambiental está diretamente relacionado ao de meio
ambiente. Portanto, atentemos para o que seja Meio Ambiente: |
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http://www.filhosonline.com.br/educacao4.asp
Indico um site Português com ótimos artigos. Vale a pena!
http://www.ipamb.pt/cadernos.html
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O Que é Educação Ambiental Desde o primeiro momento em que os
seres humanos começaram a interagir com o mundo ao seu redor e a
ensinarem seus filhos a fazerem o mesmo, estava havendo educação e
educação ambiental. Os povos nativos, por exemplo, desenvolveram uma
percepção sofisticada dos sistemas naturais que os rodeiam e um
profundo respeito por eles, passando esse conhecimento e respeito de
geração em geração. Com o passar do tempo, mudaram as razões
subjacentes e os modos de fazer isso. http://www.bio2000.hpg.com.br/oqueeea.htm
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Espírito da Natureza
"Acariciando o tronco daquela árvore,
companheira de anos, por mim semeada
e cultivada, falei:
Não quis me apegar à você.
Nem quero que se apegue agora à mim.
Por isso não me chego muito,
para que não soframos
quando um de nós partir.
Surpreendentemente ela me pergunta:
Isto é uma despedida?
Eu respondi: não...
não é uma despedida. Apenas uma proteção
para evitar futuros sofrimentos.
Deixas, então, de me amar para não sofrer
e não vês que perdes momentos preciosos?...
Este amor que deixas de doar te separa da divindade.
Tornas-te desconectada da essência mãe.
Reflita!
Eu, estou suprida pela mãe natureza.
Ela me ensina a amar a todos,
não somente à ti.
E se um dia partires, não estarei só.
Estarás comigo,
em alguma partícula do Universo.
Poderás descer à mim
em gotas de chuva ou através da luz do sol,
nas cores que puderes estar...
E eu não sofrerei
porque te encontrarei sempre.
Para mim te tornaste eterna.
A natureza me ensinou a amar a tudo e a todos
E eu amo as nuvens, o sol, as estrelas, os pássaros
Então se um dia, alguém estiver ausente,
não estarei só.
Dá-me teu amor,
sem receios de um dia eu também te faltar
Encontrarás sempre no Universo,
uma continuação minha.
Nós, as árvores, escutamos
quando a natureza nos fala.
Os seres mais evoluídos perderam um
tanto da esssência divina que lhes falava.
Nós somente existimos, sentimos, doamos e agradecemos."
Enviada por Silvia Maria Daros
Mensagens enviadas até o dia: 14.12.2000
Projeto Apoema - Educação Ambiental