InformaLista
O Informativo da lista “Educação
Ambiental”
Alguns textos apresentados na Lista de Discussão do Projeto Apoema - Educação Ambiental (Antigo Projeto Vida – Educação Ambiental)
Os textos não passaram por revisão ortográfica, portanto, podem haver erros.
Você sabe porque comemora-se o dia do meio ambiente no dia 5 de junho?
A data é comemorada desde 1973. Ela foi escolhida pela Organização das Nações Unidas (ONU) porque, em 5 de junho de 1972, teve início a Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente, em Estocolmo. A data tomou um novo impulso depois da realização da Eco-92, no Rio de Janeiro. Nessa ocasião, os representantes dos países reunidos em conferência estabeleceram as bases para a Agenda 21, que colocou no papel parâmetros para o desenvolvimento sustentável.
http://www.agirazul.com.br/upan/cultura.htm#A%20data
Músicas:
TERRA, PLANETA ÁGUA
(Guilherme Arantes)
Água que nasce na fonte serena do mundo
E que abre o profundo grotão
Água que faz inocente riacho e deságua
Na corrente do ribeirão
Águas escuras dos rios
Que levam a fertilidade ao sertão
Águas que banham aldeias
E matam a sede da população
Águas que caem das pedras
No véu das cascatas ronco de trovão
E depois dormem tranqüilas
No leito dos lagos, no leito dos lagos
Água dos igarapés onde Iara mãe d'água
É misteriosa canção
Água que o sol evapora
pro céu vai embora
Virar nuvens de algodão
Gotas de água da chuva
Alegre arco-íris sobre a plantação
Gotas de água da chuva
Tão tristes são lágrimas na inundação
Águas que movem moinhos
São as mesmas águas
Que encharcam o chão
E sempre voltam humildes
Pro fundo da terra, pro fundo da terra
Terra planeta água... terra planeta água
Terra planeta água
O SAL DA TERRA
(Beto Guedes)
Anda,
quero te dizer nenhum segredo,
falo neste chão da nossa casa.
Vem que tá na hora de arrumar.
Tempo,
quero viver mais duzentos anos,
quero não ferir meu semelhante
nem quero me ferir.
Vamos precisar de todo mundo
pra banir do mundo a opressão,
para construir a vida nova
vamos precisar de muito amor.
A felicidade mora ao lado
e quem não é tolo pode ver.
A paz na Terra amor,
o pé na terra,
a paz na terra amor
o sal da Terra.
És o mais bonito dos planetas
tão te maltratando por dinheiro,
tu que és a nave, nossa irmã.
Canta,
leva tua vida em harmonia
e nos alimenta com seus frutos,
tu que és do homem a maçã.
Vamos precisar de todo mundo,
um mais um é sempre mais que dois,
pra melhor juntar as nossas forças
é só repartir melhor o pão.
É criar um Paraíso agora
para merecer quem vem depois.
Deixa nascer o amor,
deixa fluir o amor.
Deixa crescer o amor,
deixa viver o amor.
O sal da Terra.
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INFORMA
ENERGIA EÓLICA
O ELO PERDIDO NO PROGRAMA ENERGÉTICO DE BUSH
Lester R. Brown
O programa energético de Bush, tão ansiosamente aguardado, publicado no dia 17 de maio de 2001, provocou grande desapontamento por ter ignorado em grande parte sua contribuição potencial para o aumento da eficiência energética. Também ignorou o gigantesco potencial da energia eólica, que provavelmente representará um acréscimo maior à capacidade de geração dos Estados Unidos do que o carvão.
Em suma, ao elaborar um programa energético mais adequado para o início do século XX do que do século XXI, os autores do programa parecem não acompanhar o que está acontecendo na economia energética mundial. Enfatizam o papel do carvão, embora o consumo mundial tenha atingido o pico em 1996 e declinado desde então cerca de 11 porcento, à medida que os países dão as costas a este combustível destruidor do meio-ambiente. Até a China, que se iguala aos Estados Unidos na queima do carvão, reduziu seu consumo em 24 porcento desde 1996.
Enquanto isso, o consumo mundial de energia eólica quase quadruplicou nos últimos cinco anos, uma taxa de crescimento comparável apenas à da indústria da informática. Nos Estados Unidos, a Associação Americana de Energia Eólica prevê um crescimento surpreendente de 60 porcento na capacidade de geração de energia eólica neste ano.
A energia eólica originalmente estava restrita à Califórnia, porém ao longo dos últimos três anos, fazendas eólicas implantadas em Minnesota, Iowa, Texas, Colorado, Wyoming, Oregon e Pensilvânia incrementaram a capacidade norte-americana de 1.680 para 2.550 megawatts. Os 1.500 ou mais megawatts a serem adicionados este ano estarão localizados em uma dúzia de estados. Uma fazenda eólica de 300 megawatts, em construção na divisa dos estados de Oregon e Washington, é atualmente a maior do mundo.
E isto é apenas o começo. A BPA (Administração de Energia Bonneville) anunciou em fevereiro que deseja adquirir 1.000 megawatts de capacidade de geração eólica e solicitou o envio de propostas. Para sua surpresa, recebeu propostas suficientes para uma capacidade geradora de 2.600 megawatts em cinco estados, com potencial de expansão para mais de 4.000 megawatts. A BPA, que poderá aceitar a maioria destas propostas, espera já estar em atividade até o final deste ano.
Uma fazenda eólica de 3.000 megawatts, em fase inicial de planejamento no Dakota do Sul, próximo à divisa de Iowa, é dez vezes o tamanho da fazenda eólica na divisa Oregon/Washington. Denominado de Rolling Thunder [Trovão Ressonante], este projeto inciado pela Dehlsen Associates e sob a liderança de Jim Dehlsen, pioneiro da energia eólica na Califórnia, destina-se a fornecer energia à região centro-oeste em torno de Chicago. Este não é apenas um grande projeto em termos eólicos, e sim um dos maiores projetos de energia em todo o mundo. Avanços na tecnologia de turbinas eólicas, derivados da indústria aeroespacial, reduziram o custo da energia eólica de 38 centavos de dólar por quilowatt/hora no início da década de 80, para 3 a 6 centavos hoje, dependendo do local. O vento, competindo hoje com os combustíveis fósseis, já é mais barato em alguns locais do que a energia gerada por petróleo ou gás. Com as grandes corporações, como ABB, Shell International e Enron, investindo nesta área, hái perspectivas para reduções de custo ainda maiores.
O vento é uma imensa fonte mundial de energia. A região de Great Plains nos Estados Unidos é a Arábia Saudita da energia eólica. Três estados eolicamente ricos - Dakota do Norte, Kansas e Texas - têm vento suficiente para atender à demanda nacional de eletricidade. A China poderá duplicar sua capacidade geradora atual apenas com o vento. A Europa Ocidental, com alta densidade populacional, poderá suprir todas suas necessidades elétricas com energia eólica offshore.
Hoje, a Dinamarca, líder mundial em tecnologia e manufatura de turbinas eólicas, obtém 15 porcento de sua eletricidade da energia eólica. Schleswig-Holstein, o estado mais ao norte na Alemanha, obtém 19 porcento e em outras partes, 75 porcento. O estado industrial de Navarra, na Espanha, que partiu do zero seis anos atrás, obtém 24 porcento de sua eletricidade do vento.
À medida que caem os custos de geração eólica e crescem as preocupações quanto à mudança climática, mais e mais países estão se voltando para a energia eólica. Em dezembro a França anunciou o desenvolvimento de 5.000 megawatts de energia eólica até 2010. Também em dezembro, a Argentina anunciou um projeto para o desenvolvimento de 3.000 megawatts de energia eólica na Patagonia, até 2010. Em abril, o Reino Unido abriu licitação para 1.500 megawatts de energia eólica offshore. Em maio, um relatório de Beijing revelou que a China pretende desenvolver cerca de 2.500 megawatts de energia eólica até 2005.
O crescimento da energia eólica consistentemente ultrapassa estimativas anteriores. A Associação Européia de Energia Eólica, que em 1996 havia estabelecido uma meta de 40.000 megawatts para a Europa, até 2010, elevou recentemente esta estimativa para 60.000 megawatts. O programa de Bush, de adicionar 393.000 megawatts de eletricidade em todo o país, até 2020, poderia ser atendido apenas com o vento. Recursos aplicados na eletricidade eólica tendem a permanecer na comunidade, proporcionando renda, emprego e receita fiscal, incrementando economias locais. Uma grande turbina eólica de desenho avançado, ocupando um quarto de acre de terra, poderá facilmente render ao fazendeiro ou pecuarista US$ 2.000 em royalties por ano e, ao mesmo tempo, proporcionar à comunidade US$ 100.000 de eletricidade. Agricultores e pecuaristas norte-americanos, que possuem a maioria dos direitos eólicos no país, se juntam hoje aos ambientalistas no lobby para o desenvolvimento desta abundante alternativa aos combustíveis fósseis.
Ao obter eletricidade barata do vento, poderemos utilizá-la para eletrolisar a água, produzindo hidrogênio. O hidrogênio é o combustível ideal para o novo motor de célula de combustível de alta eficiência, que a maior parte da indústria automotiva desenvolve hoje. A Daimler Chrysler planeja lançar no mercado em 2003, automóveis movidos a célula de combustível. Ford, Toyota e Honda provavelmente virão logo atrás. William Ford, Presidente da Ford Motor Company, declarou que espera presidir ao funeral do motor de combustão interna.
A energia eólica excedente pode ser estocada como hidrogênio e utilizada em turbinas a células de combustível ou gás para gerar eletricidade, equilibrando o suprimento quando os ventos variarem. O vento, outrora considerado a pedra angular da nova economia energética, poderá se transformar em seu alicerce. O meteorologista eólico que analiza regimes de vento e identifica os melhores locais para fazendas eólicas, desempenhará um papel na nova economia eólica comparável ao do geólogo do petróleo na velha economia energética.
Com o avanço das tecnologias de controle do vento e desenvolvimento de veículos movidos a hidrogênio, podemos hoje antever um futuro onde agricultores e pecuaristas poderão não apenas suprir a maior parte da eletricidade do país, como também a maior parte do hidrogênio para alimentar sua frota de automóveis. Pela primeira vez, os Estados Unidos têm a tecnologia e recursos para se divorciar do petróleo do Oriente Médio.
Além de negligenciar o potencial eólico, a estratégia energética de Bush despreza a estabilização climática. Esta é uma estratégia de alto risco. Com a situação corrente, o Painel Internacional sobre Mudança Climática projetou, recentemente, um aumento da temperatura global durante este século de até 6 graus Centígrados. Caso este aumento ocorra, o resto do mundo poderá responsabilizar os Estados Unidos, líder em emissão de CO2. O que os Estados Unidos precisa agora é de um projeto energético para este século, um que leve em consideração não apenas os recentes avanços tecnológicos da energia eólica, células de combustível e geradores a hidrogênio, mas também a necessidade de estabilização do clima. Talvez o Congresso introduza o projeto energético no século XXI e resgate a liderança norte-americana na economia energética mundial, em acelerada transformação.
Lester Brown é fundador do WWI-Worldwatch Institute e do EPI-Earth Policy Institute.
© Copyright WWI-EPI / UMA-Universidade Livre da Mata Atlântica 2001, todos os direitos reservados.
Autorizada a reprodução total ou parcial, citando a fonte e o site www.wwiuma.org.br
FINITUDE
( trecho de uma crônica de Martha Medeiros)
... Finitude eu sinto quando me dou conta da existência de milhões de pessoas que jamais irei conhecer, com as quais jamais irei conversar e interagir. De todas as que poderiam me ensinar a ser mais tolerante, de todas as que poderiam me fazer rir, de todas as que eu poderia amar ou desprezar, sofrer por elas, esforçar-me por elas, crescer através delas. Finitude eu sinto quando cruzo um olhar que não ficará nem na memória, pois não há tempo para lembranças efêmeras.
... um ser humano é o que há de mais rico*. Uma vida é o que há de mais original. Surgem e nos atropelam tantas vidas, tantas pessoas para sempre inacessíveis, desperdiçadas em seu talento, em seu potencial transformador, em sua capacidade de nos emocionar. A esmagadora maioria delas passa e não fica, são fleshes do olhar.
Agarremo-nos, pois, às que ficam, permanecem, são reconhecíveis pelo nome e pelo trajeto percorrido em nós. Aproveitemos o material humano de que dispomos: família, amigos e amores. Escassos, raros e profundamente necessários.
* nota da Biba: neste texto, interpreto "um ser humano" como a representação de qualquer forma de vida, pois não atribuo somente à nossa espécie a capacidade de interagir, emocionar e acrescentar à nossa existência
.(Em comemoração ao Dia Mundial do Meio Ambiente, da Biba)
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INFORMA
Sustentabilidade: dimensão apagada da crise energética
No calor do debate sobre a crise de energia, prolifera uma gama variada de possíveis soluções: desde programas de racionamento até a diversificação da matriz energética, esta última variando de energia nuclear de alto risco até propostas alternativas reivindicadas há décadas pelos ambientalistas. Diante do caldeirão fervilhante de idéias, falta contudo uma perspectiva sustentabilista para o modelo energético do país, do ponto de vista dos aspectos naturais, econômicos e sociais. É necessário, pois, questionar o imediatismo de algumas medidas e ao mesmo tempo chamar atenção para a urgência de uma visão para o futuro.
A aceleração do licenciamento ambiental é uma medida irresponsável
Num contexto de pânico, o governo aposta na expansão generalizada da oferta de energia, tomando para isso uma medida preocupante: a aceleração dos processos de licenciamento ambiental para a construção de usinas.
O artigo 8 da Medida Provisória No. 2.147, de 15 de maio 2001 estabelece um prazo de seis meses para o licenciamento ambiental de usinas hidrelétricas e quatro meses para gasodutos, oleodutos e usinas termelétricas. Esses prazos tornam impossível a elaboração qualificada de estudos ambientais, os quais devem, entre outros fatores, observar os ritmos da natureza impostos pelas estações do ano (mesmo no caso de empreendimentos classificados genericamente pela MP como de "impacto ambiental de pequeno porte"). A aceleração do licenciamento inviabiliza ainda uma avaliação correta e serena pelos órgãos competentes, já sobrecarregados pela corrida desenfreada de construtores de usinas desde a privatização do setor energético. Por último, a medida impedirá a justa participação das populações atingidas pelos empreendimentos. Os resultados serão projetos malfeitos, com danos ao meio ambiente e às populações afetadas. Assim, a simplificação do licenciamento ambiental é uma medida irresponsável que abusa da crise, engana a população e não resolve o problema.
Diversificação da matriz energética
A crise foi deflagrada pela falta de água nos reservatórios. Isso demonstra a fraqueza do sistema elétrico como um todo, eterno refém dos índices pluviométricos, pois depende em 97% de fontes hidroeléctricas. Surpreende, portanto, que as propostas do governo destaquem a necessidade de instalação de novas hidrelétricas.
Uma política mais racional recomenda a diversificação dos sistemas de produção de energia. Isso não significa, contudo, investimentos em quaisquer fontes de energia. Usinas nucleares e termelétricas que dependem de óleo e carvão, por exemplo, trazem riscos enormes para a população e para o meio ambiente. O gás natural pode ser uma opção menos predatória. Entretanto, como recurso não-renovável e emissor de gases de efeito estufa, deve ser explorado com parcimônia. Neste sentido, a consequência mais sustentável da crise deveria ser uma proposta de complementação do sistema hidrelétrico existente através de investimentos em energias alternativas. A fonte obviamente abundante no País é de energia solar, funcionando em qualquer época do ano. Ela é ideal para as zonas rurais, e se complementada por outras fontes descentralizadas, como a biomassa produzida na agricultura, por exemplo, evitaria as perdas significativas de energia ocorridas atualmente pelas extensas linhas de transmissão.
Uma nova política energética deve, sobretudo, reconhecer que o 'desenvolvimento econômico' não decorre necessariamente da disponibilidade ilimitada de energia, mas sim do seu uso racional. A eficiência energética deve ser uma meta incluída em cada nova obra, principalmente na indústria, incluindo aí a eficiência das próprias usinas elétricas. Estimativas do prof. Célio Bermann (Programa de Pós-Graduação em Energia/USP) mostram que medidas como a modernização de usinas antigas, a redução das perdas no sistema elétrico e a co-geração a partir da biomassa (bagaço de cana, por exemplo) podem aumentar a produção de energia no Brasil em 18 mil MW! Isso equivale a uma usina bem maior que a de Itaipu (12,6 mil MW).
Da geração à gestão de energia: eficiência com suficiência
A crise atual é também resultado da negligência em programas antidesperdícios. Com a privatização, o setor elétrico passa a visar o lucro advindo justamente do consumo de energia, contrariando uma política antidesperdício. Os investimentos no PROCEL (Programa Nacional de Conservação de Energia Elétrica) cairam pela metade nos últimos dois anos, enquanto a ANEEL (Agência Nacional de Energia Elétrica) permitiu que as concessionárias usassem recursos dos programas antidesperdício para melhoria de suas próprias instalações. Dos R$446 milhões destinados aos programas antidesperdicio, R$297 milhões, ou seja, dois terços do total, serviram para incrementar os lucros das próprias concessionárias. Com a crise, o consumidor não só deixou de receber os subsídios, como também será punido caso não economize.
Por outro lado, os consumidores já demonstraram uma enorme capacidade para economizar luz. Nos dois primeiros dias do anúncio do racionamento, a cidade de São Paulo conseguiu reduzir em até 11% o uso de energia. Registrou-se, ainda, um aumento da demanda por produtos elétricos mais eficientes. Assim, a ameaça dos apagões tem estimulado a procura pelas causas do desperdício. Uma política do setor elétrico deveria capitalizar o momento, elaborando estratégias a longo prazo para todos os segmentos da sociedade. Cria-se, também, um novo mercado. Em vez de visar apenas os lucros através da venda de energia, uma empresa moderna do setor elétrico deveria aproveitar a demanda por informações para oferecer serviços que ensinem o uso eficiente de energia pelos consumidores, sobretudo os industriais, comerciais e públicos. Neste caso, todos sairiam ganhando: a distribuidora, que pode lucrar com a oferta dos serviços, e o consumidor que pouparia energia e, assim, dinheiro.
O investimento nos programas para os consumidores pode melhorar significativamente o uso de energia. A partir de um exemplo hipotético, poderíamos pensar que se o governo de Minas Gerais deixasse de liberar os R$80 milhões destinados para a construção da usina de Irapé e investisse o mesmo montante na distribuição de lâmpadas econômicas para a população, é provável que economizasse energia e recursos públicos, além de evitar danos ao meio ambiente e às populações afetadas pelo empreendimento. Numa estimativa apenas matemática, a substituição de 6,4 milhões de lâmpadas incandescendes de 60 W pelas elétricas de 13 W (a R$12,50 por unidade) poderia significar, em princípio, uma redução de 384 MW para 84 MW potência de consumo, sobretudo no horário de pico. Com isso, é possível pensar que a instalação de 300 MW na geração seja desnecessária. O custo total previsto para a barragem de Irapé é de R$500 milhões, e isso apenas para instalar uma capacidade de até 320 MW! A partir do exemplo, imaginamos o potencial de economia de energia na demanda, com a construção de chuveiros a base de energia solar até as instalações industriais mais eficientes.
Concluindo, a despeito das falhas técnicas e políticas no sistema elétrico brasileiro, a crise atual evidencia um pensamento equivocado no bojo da política energética: mais energia gera mais desenvolvimento. Ao aceitarmos tal premissa, corremos o risco de sermos eternos reféns de crises sucessivas (como as crises de 1984 a 1986, e recentemente em 1997), pois precisaremos aumentar sempre a capacidade de geração através da construção de novas usinas até que o último vale seja inundado, cada vez mais pessoas sejam deslocadas, o ar seja mais poluído, a biodiversidade desapareça, etc. Medidas imediatistas não resolverão o problema fundamental do setor elétrico. O desenvolvimento só pode ser assegurado por um modelo energético sustentável a médio e longo prazos. A própria crise revela um enorme potencial para outros caminhos: como a diversificação das fontes de energia, atentando para aquelas ecológica e economicamente viáveis (solar, eólica, biomassa, etc), a promoção da revolução da eficiência no setor produtivo, assim como a necessária educação ambiental para toda a sociedade!
Andréa Zhouri (Profa. do Mestrado em Sociologia da UFMG)
Klemens Laschefski (Doutorando em geografia pela Universidade de Heidelberg,Alemanha)
Recebi e repasso
De: "Romeu Mattos Leite" <romeu@yamaguishi.com.br>
Assunto: A Mata reage
A mata reage
[ 05.Jun.2001 ]
Quem acha que o Brasil está virando de cabeça para baixo agora tem um
consolo. Enquanto lá em cima a Amazônia perde uma Bélgica de árvores por ano, lá embaixo o Rio Grande do Sul triplicou suas matas nativas em duas décadas. Tinha 15.857 quilômetros quadrados de florestas em 1983. Hoje tem 49.556. Não é nada, não é nada, são quase duas Bélgicas.Palavra da Universidade Federal de Santa Maria, que empenhou 154
professores, alunos e técnicos na apuração do Inventário Florestal Contínuo. Ele acaba de sair do forno e é coisa séria. Partiu do mapeamento de todas as manchas verdes do Estado, com base em imagens do satélite americano Landsat.Cada ponto que ele assinalou foi visitado pelos pesquisadores, que anotavam
as características da mata e a classificavam. Custou à equipe três anos de esforço e R$ 1 milhão ao governo gaúcho. A grande notícia, porém, veio de graça.Daqui para a frente, as informações do inventário podem ajudar o Rio Grande
do Sul a formular uma política de uso e exploração de suas matas. Mas até agora seu reflorestamento não foi obra de administradores iluminados.Segundo o engenheiro florestal Doádi Antônio Brena, professor da UFSM e
coordenador do trabalho, as árvores avançaram sobre o território gaúcho com incentivos fortuitos, como a mecanização da agricultura. Com a chegada das máquinas ao campo, os terrenos mais íngremes deixaram de ser cultivados e a mata os retomou. Outros fatores são a conscientização dos donos das terras e a fiscalização das leis ambientais pelo Ministério Público.Em 1983, pouco mais de 5% do território gaúcho tinha florestas naturais. Os
dados do Inventário mostram que esse índice chegou aos 17%. "Ainda estamos muito longe dos 40% que existiam originalmente, mas há duas décadas a situação era muito pior, estávamos no fundo do poço nesse aspecto. O nosso ideal é fazer voltar a esse patamar", disse Brena a Tito Montenegro, de no.. Para isso, não é preciso qualquer providência mirabolante. Basta banir as queimadas e impedir o corte indiscriminado das matas. Sem ninguém atrapalhar, a natureza ajuda. "Quando uma área que foi floresta deixa de ser explorada, começa imediatamente um processo de regeneração", diz Brena. Em muitos casos, até o vento se encarrega de inseminá-la com espécies de matas vizinhas.À luz do apagão, Brena lembra também que um bom motivo de festejar a volta
das florestas é que, sem elas, acaba-se matando de sede as usinas geradoras de energia elétrica. São as árvores que regulam a absorção das chuvas pela terra, mantendo os cursos d´água, de uma estação para a outra, em níveis mais próximos da média anual. Portanto, com menos secas e menos enxurradas."As matas são capazes de dar harmonia a esses rios", diz Brena. Fora, é
claro, o que fazem pela paisagem.Verificar os efeitos do reflorestamento sobre o regime dos rios gaúchos
está, aliás, na mira dos próximos inventários. Daqui para a frente, um novo levantamento do gênero será divulgado a cada cinco anos, sempre com informações adicionais sobre o impacto das matas no ambiente. Brena espera que, no lançamento das próximas edições, não haja mais queimadas no estado.Afinal, como ele diz, "o Rio Grande do Sul tem sido pioneiro. Foi um dos
primeiros estados a desmatar. Agora, é o primeiro a fazer o caminho inverso."(Fonte: O Estado de S. Paulo, Geral, segunda-feira, 04 de
junho de 2001,
http://www.estado.estadao.com.br/editorias/2001/06/04/ger5
74.html )Nasa vai plantar transgênicos em Marte
Mostarda com gene de água-viva será usada em estudos
sobre o ambiente marcianoNem homenzinhos verdes, nem seres humanos. Os primeiros
habitantes de Marte poderão ser plantas luminescentes de mostarda geneticamente modificadas.Pesquisadores da Nasa e da Universidade da Flórida estão
desenvolvendo mudas transgênicas de Arabidopsis thaliana contendo um gene de água-viva que emite uma luz verde na presença de condições adversas.A idéia é colocar as plantas em solo marciano dentro de
uma pequena estufa automatizada e de ambiente controlado, montada por um robô móvel desenvolvido especialmente para a missão. O crescimento das mudas seria monitorado da Terra por câmeras na estufa, sem a necessidade da presença de seres humanos em solo extraterrestre.As plantas serão geneticamente programadas para brilhar
quando encontrarem condições hostis - como falta de oxigênio, água ou nutrientes, temperaturas altas e exposição a raios ultravioletas -, permitindo que os cientistas acompanhem visualmente seu desenvolvimento. "Assim como seres humanos, as plantas precisam se adaptar a novos ambientes", explica o pesquisador Rob Ferl, da Universidade da Flórida, em nota divulgada pela Nasa. "Estamos usando a engenharia genética para criar plantas que podem nos passar informações sobre como ajudá-las a sobreviver."A luminescência não facilita a adaptação dos vegetais,
apenas serve como um indicador de saúde. "Podemos saber não apenas se a planta está sobrevivendo, mas se está enfrentando dificuldades e desenvolvendo defesas para se adaptar ao ambiente marciano", afirma Ferl.Luz - A capacidade luminosa da mostarda transgênica é
emprestada da água-viva Aequorea victoria, espécie comum na costa do Pacífico na América do Norte. Os animais não brilham continuamente, mas o toque de uma mão humana - ou outra indicação de perigo - faz "acender" um anel verde na borda de seus corpos. O gene responsável por essa característica foi isolado e acoplado a um gene de sensitividade da própria Arabidopsis. Ambos foram inseridos no genoma da planta - já totalmente mapeado - por meio de uma bactéria.No futuro, os cientistas esperam desenvolver
comunidades "biorregenerativas" que servirão como base para explorar o planeta vermelho. O ambiente seria mantido por um sistema de auto-reciclagem do metabolismo de humanos, plantas e micróbios: plantas e humanos trocam oxigênio e gás carbônico, enquanto os excrementos - após tratamento - seriam usados como fertilizante para cultivar alimentos.
Com a possibilidade, tal como se prometia, de se dominar a natureza, extraindo dela, como coisa objetiva e morta, os recursos necessários ao homem - em especial, os meios para acúmulo de riqueza de uma classe social que, por sua vez, patrocina a nova ciência mecanicista para que esta encontrasse novos instrumentos técnicos para uma mais aprofundada exploração da mesma natureza e mais acúmulo de riquezas -, aparentemente sem contra-indicações visíveis (ainda não se conheciam males como poluição, esgotamento de recursos naturais, desemprego, devastação ambiental, etc.), parecia que se tinha um quadro de vitoriosa demonstração da supremacia da razão humana sobre a natureza, o que levou a uma febre racionalista que incentivava e preparava os caminhos para a Revolução Industrial do século XVIII e a cristalização do capitalismo como sistema dominante das relações de produção e da visão social nas sociedades ocidentais e, posteriormente, de praticamente todo o mundo.
Por trás do progresso da ciência na chamada Revolução Científica, do século XVII, estava, desde o Renascimento, a ascensão da burguesia como classe economicamente emergente, em busca de espaço, e de um novo sistema de produção e comercialização, o capitalismo. Este processo trouxe consigo uma nova forma de relações sociais e, com esta, uma nova maneira de ver o mundo, em especial em seu financiamento e retorno da ciência. Como nos fala a professora Cristina Costa em seu livro Sociologia, Introdução à Ciência da Sociedade:
"A nova concepção de lucro, elaborada e praticada pelo comerciante burguês renascentista, é a marca decisiva da ruptura com os valores e as idéias do mundo medieval. O lucro não é mais apenas o valor que se paga ao comerciante pelo trabalho realizado. O lucro expressa a premissa da acumulação, da ostentação, da diferenciação individual e assim realiza a idéia de que tenho o direito de cobrar o máximo que uma pessoa pode pagar. (...) No capitalismo, o lucro tornou-se a finalidade de qualquer atividade econômica.
"Se um comerciante pode auferir numa troca comercial o maior preço possível que a situação permite - resultante da oferta e procura e de outras condições produtivas e de mercado -, então é preciso que a produção seja organizada de forma mais racional e em larga escala. O fato de a concorrência ser cada vez maior também exige maior racionalidade [técnica] e previsão. Muitos prêmios são oferecidos aos inventores (...). Desenvolve-se a ciência e a tecnologia, enquanto na filosofia cada vez mais se procuram as raízes da forma de pensar [e que justifiquem e reflitam o pensamento deste novo grupo dominante].
"A sociedade apresentava necessidades urgentes ao desenvolvimento científico: melhorar as condições de vida; ampliar a expectativa de sobrevivência humana a fim de engrossar as fileiras de consumidores e, principalmente, de mão-de-obra disponível; mudar os hábitos sociais e formar uma mentalidade receptiva às inovações técnicas" (Costa, 1998, Editora Moderna, pp. 29-31, destaques meus, assim como os comentários complementares entre colchetes).
Desde o século XVII, quando a racionalidade das ciências naturais - que passou a ser utilizada de forma prática pela nascente burguesia, que, além do comércio, dava seus primeiros passos rumo à industrialização - vinham obtendo crescente reconhecimento como instrumentos de compreensão da natureza e meio para se atingir a "verdade", com sua capacidade para "desvendar" as leis naturais do mundo físico e, posteriormente, até mesmo do social, garantindo PREVISÃO e CONTROLE dos acontecimentos (ao menos, dos acontecimentos naturais em laboratório), que a aura de sacralidade, de dogma e de verdade vinha sendo transferida da Religião para a Ciência, que não mais era vista como uma das formas de saber, mas a única possibilidade eficaz de se atingir "a verdade", abolindo as crenças religiosas e/ou relativizando saberes outros, como a filosofia e a ética, já estabelecendo por conseqüência lógica que outras culturas, não ocidentais e não "científicas" eram subculturas - o que era, sem dúvida, um excelente pretexto para que a Europa "civilizada" pudesse colonizar e impor seu sistema, visão de mundo e interesses em outros povos que, em troca, seriam explorados em seus recursos naturais e humanos e se submeteriam aos ditames dos "esclarecidos" europeus.
Vivemos numa época cuja principal característica está na divisão de tudo: desde a divisão de classes sociais (Hoje em dia ainda mais reforçada no chamado darwinismo social. C.f. a Home Page Visão de Mundo, Paradigmas e Comportamento Humano), até a divisão, algumas delas extremas, de especialidades em diversas áreas, como na Medicina, por exemplo. Esta crise reducionista foi provocada em grande parte pelo "background" filosófico extremamente mecanicista da ciência moderna, e em parte pelo modo capitalista de nossas relações, tanto humanas quanto econômicas, ambas, na verdade, formando dos aspectos de um mesmo processo intelectual. Toda promessa de felicidade técnica prometida pelo capitalismo cientificista acabou por se transformar, porém, num pesadelo: de um lado, temos a cruel falta de alimentos e do mínimo de conforto material na maioria dos países do Terceiro Mundo; e do outro lado temos a miséria psicológica e os distúrbios emocionais de toda espécie que acompanham os excessos do consumo-pelo-consumo e conforto supérfluo dos países (que são uma minoria) do Primeiro Mundo, ou 1/4 da população do planeta, onde crescem a solidão, a indiferença, os distúrbios da afetividade, a violência e a sensação de sem-sentido, conseqüência de uma visão de mundo extremamente reducionista, mecanicista e pragmática, voltada para as aparências, a competitividade e a vivência hedonista e individualista dos sentidos, nos moldes dos ideais industrialistas de nosso tempo.
Creio que ninguém melhor que o genial Max Weber, filósofo e sociólogo alemão, pôde explicitar de modo claro como o racionalismo ocidental se transformou em ideologia, que poderíamos chamar de cientificista, estabelecendo uma série de preconceitos etnocêntricos com relação a outras formas de entendimento da realidade que, se não são científicas dentro dos cânones do academicismo ocidental, nem por isso deixam de ser significativas e coerentes e, mais que tudo, de funcionarem:
A Ciência como Vocação
"O progresso científico é um fragmento, o mais importante indubitavelmente, do processo de intelectualização a que estamos submetidos desde milênios e relativamente ao qual algumas pessoas, adotam, em nossos dias, um posicionamento crítico aparentemente estranho.
"Tentemos, de início, perceber claramente o que significa, na prática, essa racionalização intelectualista que devemos à ciência e à técnica científica. Significará, por acaso, que todos os que estão reunidos nesta sala possuem, a respeito das respectivas condições de vida, conhecimento de nível superior ao que um hindu ou um hotentote poderiam alcançar acerca de suas próprias condições de vida? É pouco provável. Aquele, dentre nós, que entra num trem não tem noção alguma do mecanismo que permite ao veículo pôr-se em marcha - exceto se for um físico ou engenheiro mecânico profissional. Basta-nos 'contar' com o trem e orientar, conseqüentemente, nosso comportamento; mas não sabemos como se constrói aquela máquina que tem condições de deslizar. O selvagem, ao contrário, conhece, de maneira incomparavelmente melhor, os instrumentos de que se utiliza. Eu seria capaz de garantir que todos ou quase todos os meus colegas economistas, acaso presentes nesta sala, dariam respostas diferentes à pergunta: como explicar que, utilizando a mesma soma de dinheiro, ora se possa adquirir uma grande soma de coisas e ora uma quantidade mínima? [E isto a despeito de os economistas se orgulharem das características matemáticas de sua disciplina o que, pretensamente, a colocaria próxima das ciências exatas, objetivas]. O "selvagem", contudo, sabe perfeitamente como agir para obter o alimento quotidiano e conhece bem os meios capazes de favorecê-lo em seu propósito.
"A intelectualização e a racionalização crescentes não equivalem, portanto, a um conhecimento geral progressivo e interligado acerca das condições em que vivemos. Significam, antes, que sabemos ou acreditamos que, a qualquer momento, poderíamos, bastando que o quiséssemos - e dentro de uma visão de mundo onde a razão é utilizada e calcada na produção e distribuição de mercadorias e na e feitura de máquinas -, provar que não existe, em princípio, nenhum poder misterioso que interfirá com o curso de nossa vida; em uma palavra, que podemos dominar tudo por meio da previsão. Equivale isso a despojar de magia o mundo, deixá-lo como uma região amorfa, sem significado, como uma massa manipulável e não tendo outra utilidade senão sua exploração econômica. Os fatos e fenômenos que escapam aos limites do previsível são ou desprezados, ou postos de lado à espera de que um aperfeiçoamento do modelo científico venha a os explicar, mas sempre dentro dos pressupostos deterministas básicos aceitos. Para nós não se trata mais, como para o selvagem que acredita na existência destes poderes, de apelar a meios mágicos para dominar os espíritos ou exorcizá-los, mas de recorrer à técnica e à previsão. Tal é a significação essencial da intelectualização" (WEBER, Ciência e política; duas vocações, pp. 30-31, Editora Cultrix, São Paulo, 1970. Os comentários entre colchetes são meus).
"O quadro científico do mundo real à minha volta é muito deficiente. Ele nos dá muitas informações fatuais, coloca toda a nossa experiência numa ordem magnificamente consistente, mas mantém um silêncio horrível sobre tudo aquilo que está realmente próximo de nossas corações, de tudo aquilo que é realmente valioso e caro em nossas vidas, aquilo que realmente nos interessa. Este quadro não nos pode dizer nada sobre o valor do vermelho ou do azul, do amargo e do doce, dor física e prazer físico; nada sobre o belo e o feio, o bom e o mau. É incompetente para dizer qualquer coisa válida sobre Deus e a eternidade... Assim, em suma, não pertencemos realmente a este mundo descrito pelo quadro científico. Não estamos realmente nele. Estamos fora dele. Somos como espectadores de uma peça que insiste em demonstrar que o mundo é uma máquina cega, onde aparecemos fortuitamente para, logo, desaparecer. Apenas nossos corpos parecem se enquadrar no quadro, sujeitos às leis que regem o quadro, explicados linearmente pelo quadro... Eu não pareço ser necessário como ser humano, ou como autor... As grandes mudanças que ocorrem neste mundo material, das quais eu me sinto parcialmente responsável, cuidam de si mesmas, segundo o quadro - elas são amplamente explicadas pela interação mecânica direta (...) Isso torna o mundo operacional para o entendimento pragmático. Permite que você imagine a manifestação total do universo como a de um relógio mecânico que, pelo o que sabe e crê a ciência, poderia continuar a funcionar do mesmo jeito sem que nunca tivesse havido consciência, vontade, esfoço, dor, prazer e responsabilidade (...)"(Guimarães, 1996, p. 21, 22)
°A Ciência, antes estritamente objetiva, torna-se epistêmica (voltada para o próprio processo intelectual de conhecer), já que as teorias revelam mais sobre a mente que a concebe que propriamente da realidade. Toda teoria é um modelo de explicação aproximada da realidade. Além do mais, desde que Heisenberg postulou seu Princípio da Incerteza, na Física das Partículas, e de que o observador influi na experiência, a questão de uma objetividade cartesiana clássica se tornou mais uma fantasia que realidade;
° Parte-se das partes simples, consideradas independentes, para partes em interação, em processo ou em rede. Não é apenas o conjunto de elementos isolados que formam o universo de fenômenos estudado pela ciência. Mas a interação, a RELAÇÃO que existe entre esses elementos. Aliás, é mais provável que os elementos sejam frutos da própria relação tanto quanto esta é fruto destes. Desta forma, a realidade é um processo de troca de informações entre todos os entes físicos, biológicos, psicológicos e sociais.
"A ecologia integral procura acostumar o ser humano com esta visão global e holística. O holismo não significa a soma das partes, mas a captação da totalidade orgânica, una e diversa em suas partes, mas sempre articuladas entre si dentro da totalidade e constituindo esta totalidade. Esta cosmovisão desperta no ser humano a consciência de sua funcionalidade dentro desta imensa totalidade. Ele é um ser que pode captar todas estas dimensões, alegrar-se com elas, louvar e agradecer aquela Inteligência que tudo ordena e aquele Amor que tudo move, sentir-se um ser ético, responsável pela parte do universo que lhe cabe habitar, a Terra. Ela, a Terra, é, segundo notáveis cientistas, um superorganismo vivo, denominado Gaia, com calibragens refinadíssimas de elementos físico-químicos e auto-organizacionais que somente um ser vivo pode ter. Nós, seres humanos, podemos ser o satã da Terra, como podemos ser seu anjo da guarda bom. Esta visão exige uma nova civilização e um novo tipo de religião, capaz de re-ligar Deus e mundo, mundo e ser humano, ser humano e a espiritualidade do cosmos. O cristianismo é levado a aprofundar a dimensão cósmica da encarnação, da inabitação do espírito da natureza e do panenteísmo, segundo o qual Deus está em tudo e tudo está em Deus. Importa fazermos as pazes e não apenas uma trégua com a Terra. Cumpre refazermos uma aliança de fraternidade/sororidade e de respeito para com ela. E sentirmo-nos imbuídos do Espírito que tudo penetra e daquele Amor que, no dizer de Dante, move o céu, todas as estrelas e também nossos corações. Não cabe opormos as várias correntes da ecologia. Mas discernirmos como se complementam e em que medida nos ajudam a sermos um ser de relações, produtores de padrões de comportamentos que tenham como consequência a preservação e a potenciação do patrimônio formado ao longo de 15 bilhões de anos e que chegou até nós e que devemos passá-lo adiante dentro de um espírito sinergético e afinado com a grande sinfonia universal".
http://www.geocities.com/Vienna/2809/holistic.htm
Tecnologias em educação:
http://www.eca.usp.br/prof/moran/tec2.htm
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